Governo francês pretende barrar atos sem organização sindical após episódios de violência; sindicatos convocam nova mobilização para novembro
Paris — O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (22) novas restrições à realização de manifestações no país. A medida prevê a proibição de atos considerados sem legitimidade pelas autoridades, especialmente os que não forem organizados por sindicatos, em meio à escalada das tensões sociais e à preparação de novas mobilizações.
O anúncio foi feito após uma reunião de segurança com integrantes do governo e representantes dos serviços de inteligência. Segundo Macron, as autoridades regionais deverão impedir manifestações organizadas por grupos sem legitimidade para convocá-las, enquanto atos sindicais poderão receber autorização, com possibilidade de alteração dos trajetos para proteger áreas comerciais e prédios públicos.
A decisão ocorre após os protestos de 17 de outubro, que foram acompanhados por confrontos, saques e danos ao patrimônio em diferentes cidades francesas. O governo afirmou que pretende reforçar a segurança para evitar a repetição dos episódios.
Governo reforça medidas de segurança
Macron justificou as restrições pela necessidade de restabelecer a ordem pública e proteger a população e o patrimônio. O presidente também reconheceu falhas na antecipação da dimensão dos protestos anteriores.
As autoridades locais já começaram a adotar medidas específicas, incluindo a proibição de manifestações em determinadas cidades e a imposição de restrições à circulação em algumas áreas durante a noite.
Em Lyon e Marselha, por exemplo, as autoridades anunciaram a proibição de atos previstos para sábado (24), diante do risco de novos episódios de violência. Em Paris, as forças de segurança também prepararam medidas para controlar as mobilizações e proteger o centro da capital.
Sindicatos mantêm pressão sobre o governo
As restrições ocorrem em um contexto de insatisfação com o custo de vida, os preços da energia e as condições dos serviços públicos. Estudantes, trabalhadores e grupos de mobilização social têm participado de manifestações em diferentes regiões do país.
Após uma reunião com o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, representantes sindicais afirmaram que não receberam respostas concretas às reivindicações apresentadas. As organizações mantêm a pressão por medidas relacionadas ao poder de compra, aos salários e ao financiamento dos serviços públicos.
A Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das principais centrais sindicais francesas, convocou uma nova mobilização nacional para 5 de novembro. O movimento pretende ampliar a participação de trabalhadores dos setores público e privado.
Restrições provocam debate sobre o direito de manifestação
As medidas anunciadas pelo governo também geram questionamentos sobre os limites da atuação das autoridades e a preservação do direito de reunião e manifestação.
Enquanto o Executivo defende as restrições como necessárias para conter a violência e proteger espaços públicos, representantes de movimentos estudantis e grupos sociais criticam o risco de que as proibições dificultem manifestações pacíficas.
O cenário coloca o governo francês diante do desafio de conciliar a segurança pública com o direito constitucional de protestar, em um momento de crescente pressão social.
Fontes: Reuters

