Lula e Flávio Bolsonaro assinam acordo para abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico

Documento foi apresentado ao TSE nesta quinta-feira (22), mas divulgação das informações depende de autorização judicial

Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026, assinaram nesta quinta-feira (22) um acordo para autorizar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O documento foi protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e prevê a divulgação simultânea das informações.

Segundo informações publicadas pelo Brasil de Fato e pela Agência Brasil, o acordo também abrange familiares e empresas relacionadas aos candidatos. A medida surgiu após um desafio lançado por Lula durante o debate presidencial da TV Band, realizado no domingo (18).

Divulgação depende de decisão judicial

Apesar da assinatura do documento, a abertura efetiva dos dados ainda depende de autorização judicial. O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no TSE, a quem cabe analisar as providências solicitadas pelas campanhas.

A proposta prevê que as informações sejam requisitadas a instituições financeiras, à Receita Federal, ao Banco Central e às operadoras de telefonia. O período abrangido pelo pedido é de oito anos, conforme os termos apresentados pelas campanhas.

O acordo estabelece que os dados sejam disponibilizados em plataforma pública, como o sistema DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, ou em outro endereço eletrônico de acesso público.

Negociação envolveu exigências dos dois lados

A formalização do acordo ocorreu após negociações entre as equipes dos candidatos. Flávio Bolsonaro apresentou condições adicionais à proposta inicial de Lula, incluindo pedidos relacionados a informações sobre cartões corporativos da Presidência, à agenda da primeira-dama Janja Lula da Silva e a registros de pessoas ligadas ao governo.

Outro ponto de divergência foi a inclusão da empresa Alcazar Holdings, relacionada ao advogado Willer Tomaz. A companhia passou a integrar o documento após negociações entre as campanhas. Flávio Bolsonaro e Tomaz negam irregularidades.

A assinatura do termo representa uma autorização para a obtenção e divulgação das informações, mas não significa que os documentos bancários, fiscais e telefônicos já tenham sido publicados ou analisados integralmente.

Disputa ocorre na reta final da eleição

O episódio ganhou destaque a poucos dias do segundo turno presidencial, marcado para domingo (25). A discussão sobre a abertura dos sigilos passou a integrar o debate político entre os candidatos, que defendem a divulgação das informações como parte de seus argumentos sobre transparência.

A efetivação da medida dependerá dos procedimentos determinados pela Justiça Eleitoral e da disponibilização dos dados pelos órgãos responsáveis.

Fontes: Valor Econômico

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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