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Chimarrão ou mate? O grande símbolo da amizade do povo gaúcho que está presente no nosso dia a dia por gerações

Chimarrão da madrugada

Autor: Cyro Gavião

(À memória de Aureliano de Figueiredo Pinto)

”Bem cedo deixo os pelegos

– Velho costume que trago –

Para tomar um amargo,

Junto ao fogo do galpão…

“Bato tição com tição”,

Sentindo que a história passa.

Qu’importa, se a nossa raça

Traz gosto de chimarrão.”

  O chimarrão também chamado de mate é o símbolo da amizade dos gaúchos, mas não significa apenas tomar uma água quente com erva mate, dentro de um porongo. Aqui no Sul, temos muito respeito pela nossa tradição do chimarrão. Quem não conhece o sistema de matear, tem muito que aprender ainda.

 Cabaça é a designação popular dos frutos das plantas dos gêneros Lagenari e Cucurbita. Outros nomes incluem o porongo, cuia, Jamari…Porongo é um fruto não comestível de tamanho grande é composto por uma casca grossa e sementes em seu interior. Por ter origem natural, vem a ter diferentes formatos e tamanhos, variando também os tipos de cuia de que existem.

  Como chamamos o ato de preparar um chimarrão bem gostoso, isso depende muito da região que você mora

– Cevar o mate ou chimarrão;

– Fechar o mate ou chimarrão;

– Fazer um mate ou chimarrão;

– Enfrenar o mate ou chimarrão;

  A palavra amargo também é usada no lugar do chimarrão.

Também fizemos o convite para tomar um chimarrão e temos nossa maneira de falar:

– Vamos matear?

– Vamos gervear?

– Vamos chimarrear?

– Vamos verdear?

– Vamos amarguear?

– Vamos apertar um mate?

– Vamos tomar um mate ou chimarrão?

– Que tal um mate?

– Quer uma cuia?

– Quer um chima?

  Para prepararmos um chimarrão, precisamos de uma cuia, erva mate, bomba e água quente.

 

O chimarrão também pode ser tomado de várias maneiras tão próprias da identidade do gaúcho:

– MATE SOLITO – Quando a pessoa não precisa de estímulo para matear, tomar mate sozinho. Dizem que é o verdadeiro mateador, que fica mateando com seus pensamentos.

– MATE DE PARCERIA – Quando a pessoa espera uma ou mais pessoas companheiras a fim de motivar o mate, pois não gosta de matear sozinha.

– RODA DE MATE – É na roda de mate que essa tradição assume o seu apogeu, agrupando pessoas, sem distinção de raça, credo, cor ou posse material. Dentro desse clima de respeito, o mate vai integrando as pessoas numa trança de usos e costumes, que floresce na intimidade gaúcha. Há um respeito místico nas rodas de chimarrão. Induz o homem a uma busca interior, despertando a auto análise em relação ao meio. Podendo ter uma prosa amiga, que se estende por horas, ou nos momentos sérios da vida, onde precisamos apenas de um companheiro calado mateando conosco.

 O gaúcho trás na sua tradição o chimarrão, que é um respeito a vida e a alma do mate. O chimarrão tem a propriedade sagrada de unir os casais e harmonizar com os filhos, desperta a intimidade no núcleo familiar. Pois é através dos mates conversados que circula a tradição gaúcha, onde conversamos e tomamos mate juntos, pessoas de todas as idades e gerações.

 

Escritora

Márcia Ximenes Nunes

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