Joinville tem uma praia oficial, a Praia da Vigorelli, localizada a cerca de 15 km do Centro, banhada pela Baía da Babitonga. Embora o banho de mar não seja recomendado por se tratar de uma área de mangue, o local conta com infraestrutura urbanizada, deck, ciclovia e restaurantes de frutos do mar.
Para quem busca mar aberto e banho, as opções mais próximas ficam em São Francisco do Sul, a cerca de 60 km (aproximadamente 1 hora de viagem).
As praias mais próximas de Joinville incluem:
- Praia da Enseada (São Francisco do Sul): A cerca de 60 km de distância. Ótima infraestrutura e indicada para banho e esportes.
- Praia de Ubatuba (São Francisco do Sul): Fica a cerca de 65 km. Excelente para famílias e prática de surfe.
- Praia do Forte (São Francisco do Sul): Localizada a aproximadamente 63 km. É famosa por suas águas calmas e por abrigar o Museu Histórico.
O povoamento da Vigorelli, teve início de forma espontânea a partir dos anos 1970, impulsionado por famílias que buscavam um estilo de vida mais simples, longe da rotina das indústrias, em contato com a natureza e motivadas principalmente pela economia da pesca.
A família de seu Nito e dona Norma foi a primeira a se instalar na região, às margens da Baía Babitonga. Na época, viviam no bairro Cubatão, onde mantinham uma chácara e um pequeno comércio. No entanto, a prática comum da venda fiada e os prejuízos frequentes nas plantações e na criação de animais, por causa das enchentes ou safras fracas, tornavam a vida no campo cada vez mais difícil. Por necessidade, seu Nito passou a pescar nos fins de semana na região da Vigorelli. Com uma caminhonete e toda a família, levava bebidas e milho cozido para vender aos pescadores. A demanda era tão grande que chegaram a vender até mil espigas em um único fim de semana.
Ao perceber que a pesca e o comércio local geravam um retorno mais significativo, decidiram vender a chácara e se mudar de vez para a Vigorelli, construindo um barracão e encarando a rotina sem água, sem luz, enfrentando muitos desafios, mas sustentados pela força da necessidade e pela paixão pelo lugar.
Com o tempo, a Vigorelli foi se estruturando aos poucos. Outros moradores chegaram e novos comércios surgiram, geralmente com a mesma dinâmica: os homens pescavam, e a família toda trabalhava nas Petisqueiras, vendendo peixe fresco aos visitantes.
Em 1984, Moacir, pai de Marcelo, do atual Restaurante Bela Vista, construiu uma das primeiras casas da comunidade. Marcelo cresceu pescando e brincando na região. Em 1992, Maristela, que já frequentava a Vigorelli como lazer, comprou um antigo bar à beira-mar, onde fundou o que hoje é a Petisqueira Estrela do Mar.
Em 1994, a Monica filha de seu Nito e dona Norma, casou-se com Mauro, e juntos, incentivados pelos pais dela, assumiram um papel ativo na comunidade. Em 2004, Mauro foi chamado para participar de uma reunião política representando os interesses da Vigorelli e, a partir de então, passou a atuar como representante da comunidade, fortalecendo os laços locais e ajudando a articular melhorias para a região.
Em 2001, Paddock que já tinha um bar no centro de Joinville, conheceu a região, viu um bar à venda, se apaixonou pelo lugar e logo fez negócio, criando a Paddock’s Petisqueira.
A chegada da água encanada, no início dos anos 2000, foi um divisor de águas para a comunidade. Com ela, mais famílias passaram a morar de forma definitiva na região, que então contava com cerca de 17 casas. Entre 2003 e 2009, houve um grande crescimento populacional, com novos moradores atraídos pela beleza natural da região, pelo estilo de vida à beira-mar e pelos terrenos ainda acessíveis.
Em 2011, Mateus, criado na Baía Babitonga e morador da região da Ponta da Cruz, fixou residência com o pai na Vigorelli, que fundou o restaurante Toca do Siri.
Em 2022, teve início o processo de regularização da área: a estrada de acesso foi pavimentada, ciclovias e iluminação pública foram implantadas e, finalmente, em fevereiro de 2024, a energia elétrica chegou. Essas melhorias mudaram profundamente o dia a dia da comunidade, impulsionando o turismo e fortalecendo ainda mais os laços locais.
Em 2025, o tradicional Nito’s Bar fechou, dando lugar ao restaurante O Guará, nascido no centro de Joinville, mas que, até pelo nome, encontrou na Vigorelli sua verdadeira identidade, inspirando-se na natureza vibrante e no modo de vida local.
No mesmo ano, Manu, neta de seu Nito e dona Norma, abriu a Sorveteria O Marujo, batizada em homenagem às brincadeiras das crianças na barca do parquinho da praia, onde ecoam gritos de “Terra à vista!”, “Piratas!” e “Marujos!”.
A praia da Vigorelli, desde os anos 70, sempre foi muito frequentada, principalmente aos finais de semana. Moradores de Joinville e outras regiões vinham de ônibus pela manhã e passavam o dia fazendo piqueniques, pescando e tomando banho de mar.
O senso de comunidade na Vigorelli nasceu do trabalho e da necessidade. Desde os primeiros moradores, os vínculos se formaram na prática da sobrevivência: pescando, cozinhando, construindo e vendendo, sempre com esforço coletivo e apoio mútuo.
A maioria trabalhava de segunda a segunda, sem muito tempo para lazer, mas viver e trabalhar à beira da Baía Babitonga fazia tudo valer a pena. Em meio às limitações, o convívio próximo, a solidariedade entre vizinhos e trabalhar em família ajudou a construir parte da identidade local.
Hoje, a Vigorelli conta com cerca de 114 casas e 500 moradores, um vilarejo simples, mas garra, pertencimento e paisagens que transformam o esforço diário em um modo de vida cheio de sentido.
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