A cientista do futuro: Alice, de 10 anos, escreve carta de amor à Amazônia e ganha recepção especial no Inpa

Por Wérica Lima

Após enviar carta relatando admiração pelo trabalho dos cientistas na Amazônia, Alice Garcez recebe diploma de fã Nº1 do Inpa

Manaus (AM) – No Dia Nacional da Ciência e no Dia Nacional do Pesquisador Científico, os corredores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) ganharam um brilho diferente. O motivo foi a visita de Alice Garcez Ferreira, de apenas 10 anos. O que começou com um desabafo sincero e manuscrito em formato de carta enviada ao instituto, em 2025, tocou o coração de pesquisadores e demais servidores.

Alice, segundo a família, não é uma criança comum, sendo guiada a maior parte do tempo pela curiosidade. Sabendo da existência do órgão através de seus familiares e de visitas ao Bosque da Ciência, ela decidiu escrever ao Inpa. “Sou uma fã (podem ficar surpresos pelo fato de terem uma fã, não me importo) de 9 anos”, escreveu a menina na época. No texto, ela relatou que seu desejo de descobrir o mundo “foi evoluindo para um amor à ciência” e fez um agradecimento especial aos cientistas “por ensinarem o Brasil a amar esse lindo pedaço de terra chamado Amazônia”.

O gesto comoveu o diretor do INPA, Henrique Pereira, que fez questão de convidar Alice e sua família para uma visita oficial. Na ocasião, Alice recebeu um diploma de fã número 1 da instituição.

“Foi uma coincidência muito feliz. Ela nos escreveu uma carta em dezembro do ano passado, mas não tínhamos o endereço para responder, apenas o nome de uma das tias dela. Quando soube por essa tia que a Alice queria muito uma resposta e já estava até escrevendo outra carta, decidi: não vamos apenas responder, vamos recebê-la aqui”, afirmou o diretor.

Pereira explicou que a visita coincide com uma data marcante para a instituição. “Resolvemos comemorar o dia do pesquisador com essa visitante, essa futura cientista. A carreira científica começa assim, quando os jovens se inspiram em um modelo. O INPA participa do programa nacional Meninas na Ciência, recebendo estudantes do ensino médio para experimentarem a vida de cientista. É uma forma de trazer mais meninas para a ciência”, pontuou.

Onde a ciência acontece

Alice já conhecia a parte de visitação pública do INPA, mas tinha um pedido especial de entrar nos laboratórios e ver de perto o ambiente de trabalho dos pesquisadores.

“Eu me senti muito animada, muito feliz, porque finalmente estava conhecendo aquele lugar que eu sempre quis saber como era”, relatou Alice ao falar sobre a entrada no laboratório. “Eu amei. Dei comida para os peixes, vi uma borboleta e ganhei um monte de presentes também, me deram alguns livros.. Eu penso que isso virou um incentivo ainda maior para o meu sonho, pensar que a minha família inteira está me apoiando e o próprio INPA também.”

O coordenador do Bosque da Ciência, Jorge Lobato, que apresentou o berçário dos peixes-bois para Alice Garcez, destacou esse papel pedagógico do instituto. “O Inpa tem essa contribuição desse despertar e o Bosque da Ciência é para isso. O legado que o instituto deixa é essa possibilidade de inúmeros jovens que passam por aqui absorverem esse saber e despertarem para, futuramente, consolidar o sonho de ser um pesquisador da Amazônia”, disse.

Para a família presente (avós, tias e pais), ver Alice empolgada pela ciência é um orgulho. O pai de Alice, Vitor Ferreira, relatou como a busca por conhecimento é constante na rotina da filha.

“Como pais, a gente tem esse objetivo de ajudá-la e incentivar essa busca por conhecimento. Para a gente é até engraçado, às vezes, porque compramos os livros para ela e ela devora muito rápido. Ela gosta muito de literatura de fantasia, mas quando tem alguma coisa de ciência, ela para tudo, perde o foco da fantasia e corre para a ciência, ela acaba dando prioridade sempre para esse tipo de material. Nosso papel é sempre procurar incentivar e fornecer os meios para que ela consiga essas informações”, comentou Vitor.

A mãe de Alice, Julyanne Ferreira, destaca a importância de aproximar as crianças do ambiente científico e natural.

“É uma gratificação estar aqui e saber que o Inpa contribui para esses sonhos das crianças. Nada é melhor do que explorar a natureza para contribuir para uma cientista no futuro. O INPA proporciona isso, esse espaço para as crianças explorarem, pesquisarem, criarem ideias e hipóteses. É menos tela e mais natureza, ele traz novas formas de a criança explorar o mundo”, afirmou. “Como pais, nosso papel é apoiar e dar asas, e hoje o instituto mostrou para ela que esse sonho é totalmente possível.”

De olhos bem abertos, Alice caminhou atenta ao ambiente, fazendo paradas para comentar curiosidades e observar os espaços do instituto.

Para quem acha que a jornada até se tornar uma cientista de fato é longa demais, a própria Alice já deixou o recado final em sua carta, mostrando que o tempo é relativo quando se tem um propósito bem definido. “Mas pra isso eu vou ter que terminar o fundamental, o ensino médio, a faculdade, o mestrado e o doutorado. Mas acho que não vai demorar muito, então até lá!”.

Nova geração

Para o diretor do Inpa, incentivar essa nova geração é fundamental para o futuro do país e da região, destacando o papel da leitura e da ciência na tomada de decisões.

“Temos a plena convicção de que o conhecimento científico deve ser a base das nossas escolhas, especialmente nas grandes decisões sobre o futuro da Amazônia e no enfrentamento das crises ambientais”, ressaltou Henrique Pereira. “Na carta, ela nos alertou para a importância da leitura, que é o caminho para ela e todas as crianças chegarem onde desejam. Por isso, hoje ela visitou a nossa editora e entrou em um laboratório muito especial.”

O diretor também enfatizou a importância da base familiar nesse processo de descoberta. “A família é o ambiente responsável por oferecer esse estímulo e apoiar. A gente espera que o dia de hoje inspire também muitas outras famílias a apoiarem suas meninas a pensarem no futuro em um projeto de serem cientistas. O Brasil precisa delas”, concluiu Pereira.

 

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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