Na condição de um dos mais importantes jornalistas do Brasil, ele leva a chama da inteligência gaúcha em sua profissão de contar as histórias da humanidade.
Apresentador do Jornal Hoje, Roberto Kovalick transformou o sonho de contar histórias em uma carreira de reconhecimento nacional, sem deixar para trás suas raízes santanenses.
que retrata a investigação jornalística que culminou na renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon. Naquele momento, entendeu o que queria fazer da vida: contar histórias, buscar a verdade e levar informação às pessoas.
Formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), iniciou a carreira no Grupo RBS e, posteriormente, ingressou na TV Globo. O caminho que parecia distante para o jovem que admirava os grandes repórteres da televisão foi sendo construído passo a passo, com trabalho, persistência e dedicação.
A carreira internacional levou o jornalista a viver experiências em diferentes partes do mundo. Como correspondente, morou nos Estados Unidos, no Japão e na Inglaterra, acompanhando acontecimentos que entraram para a história contemporânea. Entre todos eles, a cobertura do terremoto, do tsunami e do acidente nuclear de Fukushima, em 2011, é lembrada por Kovalick como o maior desafio de sua trajetória profissional.
Foram dias de intensa tensão, marcados pela destruição, pela incerteza e pela preocupação com a segurança de sua própria família, em meio ao risco de contaminação por radiação e à escassez de alimentos. O trabalho realizado naquele período teve grande repercussão e permanece na memória de muitos brasileiros, especialmente da comunidade japonesa. Ao retornar ao Brasil, em São Paulo, o jornalista José Roberto Burnier costumava chamá-lo, de forma bem-humorada, de “Tsunami Boy”, uma referência à cobertura que marcou definitivamente sua carreira.
Foram dias de incertezas, preocupação e trabalho intenso, em meio a um cenário de destruição e insegurança. A cobertura acabou marcando não apenas sua carreira, mas também a memória de milhares de brasileiros, especialmente da comunidade japonesa no país.
Apesar da distância e dos muitos anos longe da Fronteira, o vínculo com Sant’Ana do Livramento permanece vivo. Roberto Kovalick ainda mantém contato com alguns familiares que seguem na cidade e faz questão de destacar o tamanho de suas raízes familiares. O avô Kovalick teve 11 filhos, enquanto o avô Amado constituiu uma família de cinco filhos, formando uma extensa rede de tios, primos e histórias compartilhadas na Fronteira. Embora o tempo e a vida tenham naturalmente afastado alguns laços, o carinho, as lembranças e o sentimento de pertencimento continuam presentes.
Ao olhar para a própria trajetória, Roberto Kovalick encontra em uma metáfora a melhor definição para o que significa ser gaúcho e, especialmente, santanense. Ele recorda a frase de um poeta que descreveu o gaúcho como uma “árvore com asas”.
A imagem parece feita sob medida para sua história. As raízes permanecem profundamente fincadas na cultura, na família e nas lembranças da infância em Sant’Ana do Livramento. As asas, por sua vez, permitiram que ele voasse pelo mundo, conhecesse diferentes realidades e se tornasse um dos mais importantes jornalistas do Brasil.
E, mesmo depois de tantos voos, de tantas notícias e de tantos quilômetros percorridos, há uma certeza que permanece inalterada para Roberto Kovalick: é em Sant’Ana do Livramento que estão as suas raízes.
Fonte: Jornal a Plateia
Escritora

