Embora haja expectativa, representantes do Porto Chibatão e do Super Terminais, empresas de logística e operação portuária do Amazonas, não trabalham, neste momento, com a perspectiva de um cenário crítico de estiagem semelhante ao registrado em anos anteriores e não preveem mudar suas operações de Manaus, capital do estado, para Itacoatiara, durante a estiagem.
A avaliação é baseada nos prognósticos hidrológicos e climáticos mais recentes para a região amazônica feitas por meteorologistas e a Defesa Civil, que indicam uma vazante dentro da normalidade, mesmo com a influência do fenômeno El Niño, que neste ano deverá ser ainda mais intenso. Em 2024, durante forte estiagem, as operações dos portos foram transferidas para o município localizado a 270 quilômetros de Manaus, onde há um porto com capacidade de recepção de contêiner.
Posicionamento
Por meio da sua assessoria de imprensa, o Super Terminais informou que não há previsão de transferência de operações para o município de Itacoatiara durante o período de seca. Segundo a empresa, o cenário atual não justifica a adoção de medidas extraordinárias, embora o monitoramento das condições dos rios continue sendo realizado de forma permanente. Caso haja mudanças significativas no comportamento hidrológico, a companhia afirma estar preparada para operar no município de forma eficiente e segura.
“As projeções são baseadas em estudos desenvolvidos pelo Laboratório de Clima da Universidade do Estado do Amazonas (LabClim/UEA), coordenado pelo meteorologista Francis Correia. O Super Terminais mantém parceria com a instituição para apoiar pesquisas científicas relacionadas ao clima e aos impactos ambientais na região”, diz a nota da empresa.
Enquanto acompanha a evolução das condições dos rios, a empresa seguirá mantendo em Itacoatiara apenas as atividades do Porto Verde, estrutura destinada às operações de grãos. A companhia destaca que continua comprometida com o desenvolvimento econômico regional e com o atendimento às demandas do Polo Industrial de Manaus.
Chibatão
O posicionamento é compartilhado pelo Porto Chibatão. De acordo o diretor executivo, Jhony Fidelis, empresa monitora a situação com base nos dados emitidos pelos órgãos de monitoramento, incluindo os levantamentos da Defesa Civil, que apontam para um cenário de vazante dentro dos padrões esperados para este ano.
Com isso, a empresa mantém a expectativa de normalidade nas operações de navegação e transporte de cargas ao longo dos próximos meses, até que haja um cenário mais claro a respeito da necessidade de mudança. “Estamos completamente preparados, mas precisamos esperar os dados dos próximos meses para decidir. Se for necessários, poderemos mudar”, enfatizou.
El Niño
A expectativa de um novo episódio do fenômeno El Niño atingir o Brasil, a exemplo das secas extremas registradas em 2023 e 2024 causadas pelo fenômeno, consideradas entre as piores da história da região, já coloca o Estado em alerta. Nesta semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, determinou que a União e os estados da Amazônia Legal e do Pantanal apresentem medidas emergenciais de prevenção diante das projeções de agravamento da estiagem e dos incêndios florestais.

