Por Beatriz Costa
O Governo Federal deve anunciar na próxima terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027, principal política pública de financiamento da produção agropecuária brasileira. A expectativa do setor é de um novo recorde no volume de recursos destinados ao crédito rural, acompanhado de redução nas taxas de juros para estimular investimentos e ampliar a produção no campo.
A cerimônia será realizada em Brasília e marcará o lançamento dos planos voltados tanto à agricultura empresarial quanto à agricultura familiar. Pela primeira vez desde a criação do programa, em 2002, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deverá participar do anúncio da agricultura empresarial, pois estará na Cúpula do Mercosul, em Assunção, no Paraguai. A solenidade da manhã será conduzida pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. A expectativa é que Lula participe do lançamento destinado à agricultura familiar, previsto para o período da tarde.
Nos bastidores, a previsão é que o novo Plano Safra disponibilize cerca de R$ 652 bilhões em crédito para o setor agropecuário, valor aproximadamente 10% superior ao da safra anterior. Caso seja confirmado, será o maior montante já destinado ao financiamento da produção rural no país.
Além do volume de recursos, produtores e entidades do agronegócio acompanham com atenção as condições de financiamento. O setor espera taxas de juros menores, principalmente diante da elevação dos custos de produção e da necessidade de ampliar os investimentos em tecnologia, armazenagem, irrigação e aquisição de máquinas e equipamentos. O Ministério da Agricultura sinalizou anteriormente que as linhas de crédito poderão ter redução nas taxas, variando entre 6% e 11%, dependendo da modalidade e do perfil do produtor.
Outro ponto que concentra expectativa é a ampliação dos recursos destinados ao seguro rural. Representantes do setor defendem um reforço na política de subvenção ao prêmio do seguro agrícola para oferecer maior proteção aos produtores diante das perdas provocadas por eventos climáticos extremos, como secas, enchentes e geadas. As recentes restrições orçamentárias e o contingenciamento de recursos para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) aumentaram a preocupação sobre a capacidade de cobertura das lavouras na próxima safra.
Também seguem em debate medidas voltadas à renegociação de dívidas rurais, especialmente para produtores afetados por adversidades climáticas nos últimos anos. A expectativa é que o governo apresente mecanismos que ampliem o acesso ao crédito e reduzam os impactos financeiros enfrentados pelo setor.
Criado em 2002, o Plano Safra reúne um conjunto de políticas públicas voltadas ao financiamento da produção agropecuária brasileira. O programa contempla linhas de crédito para custeio, investimento e comercialização da produção, além de incentivar a adoção de tecnologias sustentáveis e fortalecer a competitividade do agronegócio nacional.
Os detalhes sobre o volume de recursos, taxas de juros, limites de financiamento e condições de acesso serão divulgados oficialmente durante a cerimônia de lançamento, marcada para o dia 30 de junho, em Brasília.

