O que importa na verdade é que gaúcho é todo aquele que nasce no Rio Grande do Sul e que tem muito orgulho de ter nascido nessa terra que foi conquistada com muita luta. Povo esse que vive a tradição no sangue, que canta o seu hino e segura a bandeira do seu Estado com entusiasmo e muitas vezes com lágrimas nos olhos.
Ser gaúcho é manter as tradições de seu pago desde o amanhecer quando está cevando seu chimarrão ou mate, chamando do jeito que sua região lhe ensinou, que escuta nossas músicas tradicionais, faz seu churrasco aos domingos, sabe o valor de uma pilcha, preserva o seu Centro de Tradições gaúchas, fala do jeito gaúcho de ser, esse povo hospitaleiro e ímpar, por cultuar tantas tradições e usos e costumes dos seus antepassados até os dias de hoje.

A origem da palavra “gaúcho” é incerta e debatida, possuindo mais de 50 teorias, sendo a mais aceita derivada do quéchua huachu (ou waqchu), significando “órfão”, “vagabundo” ou “mestiço”. Inicialmente usada de forma depreciativa no século XVIII para descrever mestiços nômades na região do Pampa, evoluiu para representar o homem do campo, criador de gado.
Algumas teorias da origem do temo gaúcho:
– Quéchua – Originário dos Andes, refere-se a mestiços de espanhóis/portugueses com indígenas, ou órfãos.
– Tupi-guarani – Proposta pelo historiador Aurélio Porto, sugerindo “cantar triste” ou “homem que canta triste” (embora contestada por alguns historiadores).
– Árabe – chaucho, derivado de chaouch, termo espanhol para pastor de animais
– Araucano (gachu) – Significando “camarada”.
No Uruguay os estudiosos se dividem em duas vertentes: uma vem do professor Buenaventura Caviglio, que reporta ao instrumento “garrocha”, uma espécie de foice que, instalada geralmente na ponta de uma lança, cortava o jarrete dos bois durante as caçadas do couro.
Nesse caso, o garrucho seria o homem que utilizava a garrocha. Como os guaranis não conheciam o som de “rr”, passaram a dizer guahucho.
A outra vertente, liderada pelo professor Fernando Assunção, reporta-se à palavra francesa gauche, que significa esquerdo e, por extensão, tudo o que não é direito.
Daí o galicismo espanhol gaúcho, aplicado em Geometria e Arquitetura, para significar aquilo que está fora de nível.
Naqueles tempos o primitivo gaúcho era visto com maus olhos.
O primeiro registro da palavra se dá em 1787, quando o matemático português Dr. José de Saldanha andou por aqui como integrante da comissão demarcadora de limites na banda oriental do Uruguay.
Numa nota de rodapé, em seu relatório de trabalho, esclareceu: “Gauche – palavra espanhola usada neste país para designar os vagabundos e ladrões do campo, que matam os touros chimarrões, tiram-lhes o couro e vendem ocultamente nas povoações”.
Barbosa Lessa traz uma terceira teoria, que é uma distorção da palavra guanches ou guanchos, que seriam os habitantes pré hispânicos das ilhas canárias, Espanha.
Esta raça teve sua existência até a metade do século XVI, depois passaram a mesclar-se com os europeus colonizadores.
Diz ele:
“Se os brasileiros fossem os primeiros a chegar ao planeta Marte, e lá encontrassem marcianos vivendo na roça, não inventariam uma palavra nova para identificá-los, pois já têm a palavra: roceiro, matuto ou caipira.
Quando os navegadores europeus descobriram a América, para aqui transplantaram a palavra pela qual identificavam os habitantes autóctones das Índias: índios.
Quando o Rei da Espanha mandou casais de agricultores das ilhas Canárias povoarem a recém-fundada Montevidéu, eles transplantaram a palavra pela qual identificavam os habitantes autóctones das ilhas: guanches, ou guanchos.
Temos certeza de que foi esta a origem da palavra gaúcho, com pequena distorção de pronúncia: guanches ou guanchos”.
OUTRAS EXPLICAÇÕES
– Mescla da palavra guaranítica “guahu” (uivo do cão) com o pronome também guarani, “che” (meu), que gera algo completamente diferente como “gente que canta triste”;
– Originário do Inca “huachu”, que significa órfão ou vagabundo.
Os colonizadores espanhóis adulteraram o termo, passando a se referir aos órfãos como “guachos” e aos vagabundos como “gauchos”;
– Conversão usada pelos crioulos e mestiços do termo “chaucho” para gaucho, palavra introduzida pelos espanhóis como versão do vocábulo “chaouch”, que em árabe significa pastor de animais.
Alguma das fontes: Gabriel Schutz