O turismo sustentável e o uso responsável da biodiversidade foram temas centrais nas discussões do primeiro dia do II Seminário Internacional de Gestão de Áreas Protegidas (SIGAP), em Manaus. Especialistas destacaram que as áreas protegidas não devem ser vistas apenas como espaços de conservação, mas também como territórios estratégicos para o desenvolvimento sustentável.
A bióloga porto-riquenha Lorena San Róman, do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Áreas Protegidas da Amazônia (MPGAP), ressaltou que a valorização dessas áreas já é, há muito tempo, uma prioridade dentro da agenda ambiental, especialmente no âmbito do Ministério do Meio Ambiente.
“Para a política ambiental, as áreas protegidas sempre tiveram um papel central. O que está acontecendo agora é que outras áreas começam a compreender a importância desses territórios”, explicou.
Biodiversidade como ativo econômico
Segundo Lorena, além de garantir a preservação dos ecossistemas e dos territórios tradicionais, as áreas protegidas possuem um grande potencial econômico, inclusive para o turismo sustentável.
Ela destacou que a biodiversidade amazônica vai muito além dos serviços ambientais. “Ela também tem valor direto, desde que seja utilizada com boas práticas. O uso sustentável pode gerar cadeias produtivas muito mais valiosas do que atividades que substituem a floresta”, afirmou.
Nesse contexto, o turismo aparece como uma das principais oportunidades para aliar conservação e geração de renda, especialmente em regiões onde comunidades tradicionais vivem dentro ou no entorno de unidades de conservação.
Potencial ainda pouco explorado
Apesar do potencial, a especialista apontou que muitos produtos e experiências da Amazônia ainda são pouco conhecidos fora da região, o que limita o crescimento de setores como o turismo sustentável.
“O Brasil tem uma enorme riqueza natural e uma biodiversidade de altíssimo valor. Mas precisamos desenvolver melhores tecnologias, ampliar o acesso aos mercados e tornar esses produtos e experiências mais conhecidos”, disse.
Para ela, o fortalecimento do turismo sustentável passa também pela valorização cultural e pelo protagonismo das comunidades locais, que são responsáveis diretas pela conservação desses territórios.
Desenvolvimento com responsabilidade
As discussões no seminário reforçaram que o avanço do turismo na Amazônia precisa estar alinhado a práticas sustentáveis, evitando impactos negativos e garantindo benefícios reais para as populações locais.
A proposta defendida pelos especialistas é que o turismo seja planejado como parte de uma estratégia maior de desenvolvimento sustentável, respeitando os limites ambientais e promovendo a conservação.
“Se bem manejadas, as áreas protegidas podem ser uma base sólida para o desenvolvimento econômico da região, sem comprometer os recursos naturais”, destacou Lorena.
Amazônia como referência global
O debate no II SIGAP também evidenciou que a Amazônia pode se tornar uma referência internacional em modelos de turismo sustentável, justamente por sua diversidade biológica e cultural.
Ao reunir pesquisadores e gestores de diferentes países, o seminário reforça a importância da troca de experiências e da construção de soluções conjuntas para transformar a conservação em oportunidade de desenvolvimento.
Texto e foto: Beatriz Costa

