Piscicultura tem potencial para impulsionar desenvolvimento sustentável no Amazonas, afirma especialista

Com a maior bacia hidrográfica do planeta e abundância de recursos hídricos, o Amazonas reúne condições únicas para expandir a piscicultura e fortalecer a produção sustentável de pescado. A avaliação é do engenheiro de pesca Aprígio Mota Moraes, que destaca a atividade como uma das mais promissoras para o desenvolvimento econômico do estado.

Segundo o especialista, a piscicultura faz parte da aquicultura, ramo dedicado à criação de organismos aquáticos, e possui características próprias no Amazonas devido à predominância da água doce e à diversidade de espécies nativas.

Entre as principais espécies cultivadas estão o tambaqui, considerado o carro-chefe da produção estadual, além de matrinxã, pirarucu, aruanã e outras espécies de interesse comercial. O estado também se destaca pela piscicultura ornamental, voltada à comercialização de peixes para aquários.

“O Amazonas possui um enorme potencial para a piscicultura porque temos água doce em quantidade e qualidade suficientes para expandir a atividade de forma sustentável”, afirmou.

Aprígio explica que existem diferentes modelos de produção que podem ser adotados na região, incluindo tanques escavados, tanques-rede em reservatórios, cultivo em lagos e até sistemas instalados em canais de igarapés, aproveitando as características naturais do ambiente amazônico.

Além do potencial produtivo, a atividade possui importância estratégica para a segurança alimentar da população. O Amazonas está entre os maiores consumidores de pescado do mundo e abriga cerca de duas mil espécies de peixes já identificadas pela ciência.

“A piscicultura ajuda a garantir uma proteína de alta qualidade para a população e pode produzir grandes volumes em áreas menores quando comparada a outras atividades pecuárias”, destacou.

Apesar das oportunidades, o setor ainda enfrenta desafios. Entre eles estão os custos elevados da ração, responsável por cerca de 80% das despesas de produção, além das exigências ambientais necessárias para garantir a sustentabilidade da atividade.

Para o engenheiro de pesca, a criação da Secretaria de Estado da Pesca representa um avanço importante para fortalecer tanto a piscicultura quanto a pesca artesanal e comercial praticada nos rios amazônicos.

“A tendência é que, com políticas públicas adequadas, investimentos e integração entre os órgãos envolvidos, o Amazonas se torne um ambiente cada vez mais favorável para a produção sustentável de pescado”, concluiu.

Considerada uma atividade capaz de gerar emprego, renda e segurança alimentar sem abrir mão da conservação ambiental, a piscicultura desponta como uma das principais alternativas para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

 

Texto e foto: Beatriz Costa

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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