Justiça mantém prisão de Milton Leite; fundador de facção do Acre é capturado no RN

Ex-vereador de São Paulo se entregou após ser considerado foragido em operação que investiga a infiltração do PCC no transporte público; no Rio Grande do Norte, ação integrada prendeu Gilson Borges de Souza, o “Véi Gilson”, procurado desde 2022

A Justiça de São Paulo manteve, no sábado (19), a prisão temporária do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, investigado em uma operação que apura a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista. Leite havia se entregado à polícia na tarde de sexta-feira (18), depois de ser considerado foragido.

A decisão ocorreu durante audiência de custódia. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), não foram identificadas irregularidades no cumprimento do mandado de prisão. Com isso, o ex-parlamentar permaneceu detido. A prisão temporária foi decretada por 30 dias.

Milton Leite é um dos investigados na Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira (17) pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A investigação apura a atuação do PCC no transporte coletivo paulistano e possíveis conexões da organização criminosa com agentes públicos e empresas do setor.

O ex-vereador não foi localizado inicialmente pelos policiais e passou a ser considerado foragido. Na sexta-feira, apresentou-se voluntariamente na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), em Mogi das Cruzes, acompanhado de um advogado.

Durante as buscas, policiais também estiveram em um endereço em Sorocaba ligado ao ex-parlamentar. No local, foram encontrados aproximadamente R$ 280 mil e US$ 89 mil em espécie. As autoridades informaram que ainda investigam a origem dos valores.

A investigação aponta indícios de ligação entre Leite e empresas de transporte suspeitas de participação em um esquema de lavagem de dinheiro associado ao PCC. O ex-vereador nega envolvimento com a organização criminosa e afirma ser inocente. Sua defesa declarou que aguardava acesso integral aos autos para analisar as acusações.

No sábado, antes da audiência de custódia, Milton Leite recebeu atendimento médico após relatar pressão alta enquanto estava preso. Ele foi levado a um hospital e recebeu alta no mesmo dia.

Foragido desde 2022 é preso no Rio Grande do Norte

Outra prisão de repercussão nacional ocorreu na sexta-feira (18), desta vez no Rio Grande do Norte. Gilson Borges de Souza, de 52 anos, conhecido como “Véi Gilson”, foi localizado e preso em Natal durante uma operação integrada de forças de segurança de diferentes estados.

Ele é apontado pelas autoridades como um dos fundadores da organização criminosa Bonde dos 13, com atuação no Acre, e estava foragido desde julho de 2022. Gilson também integrava a lista de procurados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A prisão ocorreu após um trabalho de inteligência que reuniu agentes da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, da Polícia Civil do Acre, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Acre e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro, com apoio do Ministério da Justiça.

Segundo as investigações, Véi Gilson teria deixado o Acre e buscado abrigo inicialmente no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Mesmo distante do estado, ele teria continuado a exercer influência sobre atividades criminosas no Norte do país. Posteriormente, teria deixado o Rio de Janeiro e se refugiado no Rio Grande do Norte.

Os agentes localizaram o foragido em um imóvel de luxo na região da Praia dos Artistas, em Natal. Durante a operação, foram apreendidos documentos falsos, cartões, dinheiro e dois celulares.

Contra Gilson Borges havia mandados judiciais pendentes. Segundo informações divulgadas pelas forças de segurança, as condenações atribuídas a ele ultrapassam 60 anos de prisão e envolvem crimes como roubo, posse ilegal de arma de fogo e organização criminosa. Após a captura, ele foi encaminhado para os procedimentos legais e permaneceu à disposição da Justiça.

As duas prisões ocorreram em investigações distintas. Em São Paulo, as autoridades avançam na apuração sobre a possível infiltração do crime organizado no transporte público da maior cidade do país. No Rio Grande do Norte, a captura de Véi Gilson encerrou uma busca que se estendia desde 2022 e mobilizou órgãos de segurança de diferentes estados.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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