Emenda constitucional promulgada pelo Congresso prevê transição gradual, com redução inicial da jornada para 42 horas semanais; negociações coletivas devem discutir a reorganização das escalas de trabalho.
A mudança nas regras da jornada de trabalho no Brasil coloca empresas, sindicatos e profissionais do direito trabalhista diante de um novo período de adaptação. Após a aprovação da proposta que extingue a escala 6×1 pelo Senado, o Congresso Nacional promulgou a emenda constitucional na sexta-feira (16), estabelecendo novas regras para a jornada semanal e os períodos de descanso dos trabalhadores.
A medida prevê uma transição gradual. A partir de 16 de dezembro de 2026, dois meses após a promulgação, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 42 horas, com direito a dois dias de descanso remunerado por semana. Em 16 de dezembro de 2027, o limite passará a ser de 40 horas semanais, sem redução salarial.
A mudança exigirá que empregadores revisem escalas, horários, contratos e necessidades de pessoal para adequar o funcionamento das atividades aos novos limites. Os impactos podem variar de acordo com o setor econômico, especialmente em áreas que dependem de atendimento contínuo, como comércio, hotelaria, restaurantes e serviços essenciais.
Negociações coletivas entram no centro das mudanças
A implementação das novas regras também deve ampliar as discussões entre sindicatos de trabalhadores e entidades empresariais. A negociação coletiva poderá contribuir para definir como as folgas serão distribuídas, como os horários serão reorganizados e quais ajustes operacionais serão necessários em cada categoria.
O desafio será conciliar as necessidades das empresas com os direitos assegurados aos trabalhadores pela nova emenda. Setores que funcionam aos fins de semana ou durante 24 horas poderão precisar reorganizar turnos e avaliar a contratação de profissionais para manter o atendimento.
As convenções e os acordos coletivos poderão estabelecer formas de organização das jornadas, desde que respeitem os limites constitucionais. Regras anteriores incompatíveis com as novas garantias não poderão prevalecer sobre os direitos estabelecidos pela emenda.
Empresas avaliam impactos operacionais
A alteração da jornada pode produzir efeitos diferentes conforme o porte das empresas e o modelo de funcionamento de cada atividade. Negócios que já adotam jornadas de até 40 horas semanais poderão ter necessidades de adaptação distintas daquelas que dependem de trabalhadores submetidos à escala 6×1.
Entre as medidas que podem ser avaliadas estão a redistribuição de turnos, a revisão de contratos, a contratação de funcionários e a reorganização das folgas. Os custos e os efeitos sobre a produtividade dependerão das características de cada setor e das soluções adotadas durante a transição.
Entidades empresariais têm manifestado preocupação com os custos da mudança, enquanto representantes dos trabalhadores defendem a ampliação do tempo de descanso e a melhoria das condições de vida. O debate deverá continuar à medida que as novas regras forem incorporadas às rotinas de trabalho.
Transição exige planejamento
Com a emenda promulgada, empresas e sindicatos terão de se preparar para a primeira etapa de implementação, prevista para dezembro de 2026. O período até a entrada em vigor das novas regras será importante para revisar procedimentos internos e discutir alternativas de organização das jornadas.
A segunda etapa, prevista para dezembro de 2027, estabelecerá o limite definitivo de 40 horas semanais. A transição gradual busca permitir a reorganização das atividades econômicas sem afastar as garantias previstas na Constituição.
O fim da escala 6×1 inaugura, assim, uma nova fase nas relações de trabalho no país. A aplicação das regras exigirá planejamento, diálogo entre empregadores e trabalhadores e atenção aos limites legais durante todo o processo de adaptação.

