Expositora da 48ª Expoagro investe em melhoramento genético e produção de animais de corte, enquanto enfrenta custos elevados de alimentação e os efeitos do período mais seco
Produzir no Amazonas animais de corte com genética de alto padrão e reduzir gradativamente a dependência de material genético vindo de outros estados. Esse é um dos objetivos da Fazenda Tabapuãfig, que apresentou exemplares da raça Tabapuã durante a 48ª Exposição Agropecuária do Amazonas (Expoagro).
Segundo Túlio Costa de Oliveira, gerente da propriedade, o trabalho da fazenda está concentrado no melhoramento e na multiplicação da genética da raça no Amazonas.
“A gente está expondo animais de genética Tabapuã. Todos os nossos animais são puros de origem, e a finalidade do nosso trabalho é ampliar a genética do Tabapuã no Amazonas e na região”, explica.
A propriedade trabalha exclusivamente com animais destinados à produção de carne e ao mercado de genética, e não com produção leiteira ou fabricação de derivados.
Além da comercialização de animais, a atividade envolve matrizes e material reprodutivo, permitindo que a genética selecionada dentro da propriedade chegue a outros rebanhos.
Genética produzida no Amazonas
O melhoramento genético ocupa posição central nos investimentos da fazenda.
Túlio explica que a propriedade ainda utiliza genética proveniente de outros centros produtores, mas trabalha para aumentar cada vez mais a participação dos animais desenvolvidos no próprio Amazonas.
“Os investimentos são diretamente em genética, sempre trazendo genética melhor de fora”, afirma.
A meta, entretanto, é avançar na direção de maior autonomia.
“A gente vem trabalhando para produzir nossos animais todos aqui na nossa fazenda. Hoje ainda importamos algum material de fora, mas a maioria a gente já produz aqui. Estamos trabalhando para produzir cada vez mais animais originários daqui”, explica.
Os animais da propriedade também participam de leilões e exposições dentro e fora do Amazonas. Segundo o gerente, há participação em eventos no próprio estado, em Roraima e em Minas Gerais, incluindo Uberaba, um dos principais polos nacionais da pecuária de genética.

Custo dos insumos pesa na criação
Desenvolver uma pecuária de alta genética no Amazonas, porém, envolve custos adicionais.
Entre os principais problemas apontados por Túlio está a dependência de determinados insumos provenientes de outros estados, principalmente grãos utilizados na alimentação animal.
“Pesa bastante, principalmente a questão dos grãos que a gente tem que trazer de fora. Isso torna mais caro”, afirma.
Transporte, alimentação e manutenção dos animais fazem parte de uma estrutura de custos que se torna ainda mais relevante quando o objetivo é trabalhar com rebanhos de alto padrão genético.
Para que um animal consiga expressar seu potencial produtivo, não basta investir em genética. É necessário garantir alimentação, manejo e condições adequadas durante todo o ciclo de criação.
Verão aumenta preocupação com alimentação
As condições climáticas aparecem como outro desafio.
Segundo Túlio, os efeitos do período mais seco já começam a ser sentidos na propriedade.
“Já faz mais ou menos um mês de verão e todo mundo já está sentindo”, relata.
Um dos impactos está justamente na disponibilidade de pastagem para alimentação dos animais. Com a redução da oferta de alimento no campo, a propriedade precisa recorrer a estratégias complementares.
“A gente tem que entrar de outra forma, com ração e silagem”, explica.
Para diminuir essa vulnerabilidade, a fazenda está investindo na produção própria de alimento para o rebanho.
Entre as culturas citadas pelo gerente estão moringa, capiaçu e milho, com implantação de áreas irrigadas para ajudar a garantir alimentação durante o período mais crítico.
“Estamos fazendo um trabalho nesse sentido agora, com plantação de moringa, capiaçu e milho, tudo irrigado, para ver se conseguimos suportar esse verão”, afirma.
A estratégia exige investimento em infraestrutura, mas busca dar maior segurança alimentar ao rebanho justamente no período em que a pastagem sofre maior pressão.

Produzir mais com área limitada
Durante a entrevista, Túlio também destacou que a propriedade precisa conciliar a atividade pecuária com as exigências de conservação ambiental aplicáveis às propriedades rurais na Amazônia.
Essa realidade torna produtividade e planejamento ainda mais importantes: em vez de depender simplesmente da ampliação de pastagens, a fazenda aposta em genética, alimentação suplementar e produção irrigada de forrageiras.
Para Túlio, questões climáticas e a necessidade de maior incentivo ainda estão entre os obstáculos enfrentados por quem investe na pecuária no Amazonas.
“Questões climáticas, incentivos… a gente batalha muito por isso. Vem melhorando, mas ainda temos certa dificuldade nesse sentido”, afirma.
Expoagro abre vitrine para a genética
A participação na Expoagro também coloca os animais diante de outros criadores e potenciais compradores.
Em uma feira onde diferentes raças e sistemas produtivos dividem espaço, a Fazenda Tabapuãfig apresenta o resultado de uma atividade especializada: a produção de animais de elite destinados ao melhoramento dos rebanhos.
O objetivo para os próximos anos é ampliar essa produção dentro do próprio estado.
Ao investir simultaneamente em genética e estrutura para alimentação, a propriedade busca enfrentar uma equação particularmente desafiadora para a pecuária amazonense: produzir animais de alto desempenho em um ambiente onde logística, disponibilidade de insumos e períodos de calor intenso podem elevar significativamente os custos da atividade.
Para a Fazenda Tabapuãfig, a resposta passa por produzir cada vez mais dentro da própria propriedade, desde animais geneticamente selecionados até parte do alimento necessário para mantê-los.
Texto: Beatriz Costa
Fotos: Josieli Nascimento

