Mingau Amazônico une ciência e ingredientes regionais para transformar tradição em alimento instantâneo

Produzido em Manaus, produto combina banana, castanha e outros ingredientes em uma formulação minimamente processada; parceria com o INPA contribuiu para pesquisas nutricionais e desenvolvimento do mingau

Um alimento tradicional na mesa dos amazonenses ganhou uma versão adaptada à rotina de quem procura praticidade sem abrir mão do valor nutricional. Produzido em Manaus, o Mingau Amazônico transforma ingredientes regionais em um produto instantâneo e minimamente processado, resultado de um processo que envolveu desenvolvimento tecnológico, pesquisas sobre nutrientes e parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

Apresentado durante a 48ª Expoagro, o produto está há três anos no mercado e, há aproximadamente um ano, vem ampliando sua presença nas prateleiras dos supermercados.

A nutricionista Adria Monteiro, responsável por questões relacionadas à qualidade, seleção das matérias-primas, segurança alimentar e composição nutricional do Mingau Amazônico, explica que um dos diferenciais está justamente na forma como o alimento é processado.

“O mingau é instantâneo, porém é minimamente processado. Tudo que está dentro dele, como banana e castanha, tem a preservação dos nutrientes. Ele é prático, nutritivo, sem açúcar e sem conservantes”, afirma.

A proposta é aparentemente simples: acrescentar água, misturar e preparar o mingau. Por trás dessa praticidade, entretanto, houve um trabalho de pesquisa para chegar à formulação que hoje chega ao consumidor.

Ciência ajudou a desenvolver o produto

O desenvolvimento do Mingau Amazônico contou com um trabalho conjunto com o INPA, especialmente nas etapas relacionadas à tecnologia de alimentos e à avaliação das características nutricionais da formulação.

Segundo Adria, as pesquisas foram importantes para conhecer melhor a composição do produto e encontrar uma forma de processamento que permitisse transformá-lo em um alimento instantâneo preservando componentes nutricionais das matérias-primas.

O trabalho envolveu análises da composição e dos nutrientes presentes no mingau, além da busca pela melhor formulação e pelo processamento adequado.

Durante a entrevista, Adria cita componentes como magnésio, selênio e potássio identificados no produto e destaca a importância da pesquisa para que a empresa conhecesse tecnicamente aquilo que estava desenvolvendo.

“Como é que a gente sabe que esse mingau tem nutrientes como magnésio, selênio e potássio? Como é que a gente sabe da composição do produto? Essa parte foi importante”, explicou.

A participação da pesquisa científica tornou-se, dessa forma, uma etapa do caminho entre a matéria-prima e o produto final: não bastava tornar o mingau instantâneo, era necessário compreender sua composição e buscar uma forma de processamento compatível com a proposta nutricional.

Uma tradição adaptada à correria do dia a dia

A ideia do produto nasceu de uma situação cotidiana.

Segundo Adria, o fundador do Mingau Amazônico estava em uma padaria quando observou copos de mingau de banana disponíveis para venda. Próximo dali, havia produtos instantâneos.

A observação provocou uma pergunta: por que não transformar o tradicional mingau em um produto instantâneo?

A partir dessa ideia começou o desenvolvimento da formulação. Adria, que já conhecia o fundador, passou a colaborar a partir de sua experiência como nutricionista.

O desafio era unir dois conceitos que nem sempre caminham juntos na percepção do consumidor: praticidade e qualidade nutricional.

“A correria do dia a dia sempre leva a gente a comer algo prático. A ideia veio justamente disso: ter o prático, porém saudável e nutritivo”, explica.

O produto não possui adição de açúcar. Segundo a nutricionista, a decisão faz parte da proposta original da formulação. Quem desejar uma preparação mais doce pode fazer essa adaptação posteriormente, conforme a preferência individual.

Novos sabores estão a caminho

A empresa já trabalha para ampliar a família de produtos.

Além da formulação atualmente comercializada, Adria revela que estão sendo desenvolvidas novas opções de mingau, entre elas arroz com coco, banana com arroz saborizado com caramelo e uma versão saborizada com coco.

A intenção é manter o mesmo conceito que deu origem ao primeiro produto, a praticidade associada à utilização de ingredientes e sabores familiares ao consumidor.

A empresa também possui versões integral e zero lactose, ampliando as opções para diferentes públicos.

Merenda escolar é uma nova frente

Outra aposta é levar o produto para a alimentação escolar.

A empresa está trabalhando no chamado Mingaudinho, além de uma apresentação de 1 quilo pensada para o preparo em maior quantidade.

Segundo Adria, uma embalagem de um quilo pode render até 25 porções, característica pensada para facilitar a rotina de quem prepara refeições coletivas.

“Nós estamos trabalhando também no mingau de um quilo, que vai para a merenda escolar. Ele rende até 25 copinhos. Para as merendeiras, pela praticidade, vai ser muito mais fácil”, explica.

A entrada nesse segmento representaria uma nova escala para um produto que nasceu a partir da tentativa de adaptar uma preparação regional ao consumo contemporâneo.

Produzido em Manaus

Apesar da perspectiva de alcançar novos mercados, toda a história do produto está diretamente ligada ao Amazonas.

“Somos de Manaus”, ressalta Adria.

A fábrica está instalada no bairro Alvorada, na capital amazonense, e a empresa aposta justamente na identidade regional como um de seus diferenciais.

Essa característica também coloca o Mingau Amazônico dentro de uma discussão maior apresentada na Expoagro, como transformar matérias-primas e conhecimentos existentes na Amazônia em produtos de maior valor agregado.

Em vez de comercializar apenas o ingrediente in natura, a agroindustrialização permite acrescentar pesquisa, processamento, desenvolvimento de produto, embalagem e marca antes de chegar ao consumidor.

Da Amazônia para a prateleira

A trajetória do Mingau Amazônico mostra que inovação não precisa significar abandonar os hábitos alimentares regionais.

Neste caso, o caminho foi inverso, partir de um alimento conhecido, estudar seus componentes, desenvolver uma tecnologia capaz de facilitar seu preparo e criar uma apresentação adequada à rotina atual.

A participação do INPA nas pesquisas acrescentou conhecimento científico a esse processo, enquanto o desenvolvimento empresarial permitiu levar a formulação da bancada para a fábrica e, posteriormente, para as prateleiras.

Agora, com novos sabores em desenvolvimento e a perspectiva de chegar também à alimentação escolar, a empresa busca ampliar a escala sem abandonar a ideia que deu origem ao produto.

Entre tantos negócios apresentados na 48ª Expoagro, o Mingau Amazônico exemplifica uma possibilidade estratégica para a economia regional: usar ciência, tecnologia e matérias-primas da Amazônia para transformar um alimento tradicional em inovação e geração de valor dentro do próprio estado.

Texto: Beatriz Costa

Foto: Josieli Nascimento

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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