Míssil Tático de Cruzeiro pode atingir alvos a até 300 quilômetros, alcança velocidade de 870 km/h e integra programa estratégico voltado à modernização da artilharia brasileira
O Exército Brasileiro realizou com sucesso um novo teste do Míssil Tático de Cruzeiro (MTC), primeiro armamento dessa categoria desenvolvido com tecnologia nacional. A avaliação, realizada no Rio de Janeiro, marca a retomada dos testes de desenvolvimento do projeto e representa mais uma etapa do programa destinado a ampliar a capacidade tecnológica e de defesa da Força Terrestre.
O lançamento ocorreu nas instalações do Centro de Avaliações do Exército (CAEx) e teve como principal objetivo verificar aprimoramentos feitos nos mecanismos responsáveis pela saída do projétil. Segundo o Exército, a avaliação final das alterações implementadas apresentou resultado positivo.
O MTC está atualmente em fase de desenvolvimento e integra o Programa Estratégico do Exército ASTROS-FOGOS. O projeto é conduzido em parceria entre a Força e a empresa brasileira Avibras Aeroespacial.
O disparo foi realizado a partir de uma Viatura Lançadora Múltipla Universal do Sistema ASTROS e acompanhado por autoridades militares, técnicos do Exército e profissionais da empresa responsável pelo desenvolvimento conjunto da tecnologia.
Alcance de 300 quilômetros
Uma das principais características do Míssil Tático de Cruzeiro é a capacidade de atingir alvos localizados a até 300 quilômetros de distância, com margem de erro inferior a 30 metros, conforme informações divulgadas pelo Exército.
O projétil utiliza propulsão a turbina e pode atingir velocidade de cruzeiro de aproximadamente 870 quilômetros por hora. Também possui capacidade para transportar 200 quilos de ogiva.
Durante o voo, sua trajetória é controlada por sistemas de navegação inercial e GPS, permitindo ajustes de orientação até a chegada ao alvo.
O lançamento por meio das plataformas móveis do Sistema ASTROS acrescenta outra característica operacional ao projeto: as viaturas podem ser deslocadas para diferentes posições, ampliando a mobilidade das unidades de artilharia.
Segundo o Exército, as especificações do equipamento foram desenvolvidas respeitando os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.
Tecnologia desenvolvida no Brasil
O desenvolvimento do MTC começou em 2012, a partir de uma parceria entre o Exército e a iniciativa privada dentro do processo de modernização da Artilharia brasileira.
Por ser o primeiro míssil de cruzeiro com tecnologia nacional, o projeto busca reduzir a dependência externa em uma área considerada estratégica para a defesa.
De acordo com o Exército, o domínio dessa tecnologia poderá colocar o Brasil entre o grupo de países capazes de desenvolver sistemas militares desse tipo com maior autonomia tecnológica, além de criar possibilidades para a indústria nacional no mercado internacional de defesa.
A Força também aponta como objetivos do projeto o aumento da precisão do apoio de fogo de longo alcance, a redução do consumo de munição e das necessidades logísticas e o fortalecimento da capacidade de dissuasão.
MTC integra programa de modernização da Artilharia
Atualmente, o projeto está inserido no Programa Estratégico ASTROS-FOGOS, criado para reunir diferentes iniciativas de modernização e desenvolvimento tecnológico da Artilharia do Exército.
O MTC faz parte especificamente do Subprograma Artilharia de Campanha de Mísseis e Foguetes, direcionado à obtenção de capacidade de apoio de fogo de longo alcance e elevada precisão.
Essa área contempla ainda projetos de pesquisa e desenvolvimento, aquisição e modernização de viaturas e implantação de estruturas destinadas às unidades responsáveis pela operação desses sistemas.
O ASTROS-FOGOS também reúne o Subprograma Artilharia de Campanha, que envolve modernização de sensores, comunicações, navegação e sistemas de direção de tiro, além do Subprograma Sistema de Artilharia Antiaérea, voltado à atualização dos equipamentos existentes e à obtenção de novas capacidades de defesa contra ameaças aéreas.
Com o resultado positivo do lançamento realizado no Rio de Janeiro, o desenvolvimento do Míssil Tático de Cruzeiro avança para as próximas etapas de avaliação previstas pelo Exército antes da consolidação do sistema para emprego pela Força Terrestre.

