Chefe do Núcleo de Florestas da COP30 apresenta em Manaus estratégia para alcançar desmatamento zero até 2030

Marco Túlio Scarpolli Cabral, do Ministério das Relações Exteriores e responsável pela coordenação do eixo de florestas da COP30, apresentou os avanços do “Mapa do Caminho para o Desmatamento Zero”, documento que reunirá recomendações para governos e organismos internacionais na implementação das metas climáticas.

 

Manaus (AM) – Pela primeira vez desde que o compromisso global de interromper e reverter o desmatamento até 2030 passou a integrar oficialmente a agenda climática internacional, o debate deixa de estar concentrado apenas nas mesas de negociação entre chefes de Estado e diplomatas para assumir um desafio ainda mais complexo em  transformar promessas e resultados concretos.

Foi essa a principal mensagem apresentada pelo chefe do Núcleo de Florestas da presidência brasileira da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), Marco Túlio Scarpolli Cabral, durante a mesa-redonda “Mapa do Caminho para o Desmatamento Zero: Ação Climática em Territórios de Populações Tradicionais e Povos Indígenas do Amazonas”, promovida em Manaus pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), que ocorreu na última semana.

Representando o Ministério das Relações Exteriores e diretamente envolvido na construção da agenda florestal da COP30, realizado em Belém (PA), no ano passado, Marco Túlio apresentou os princípios que orientam o Mapa do Caminho para o Desmatamento Zero e a Degradação Florestal, iniciativa considerada uma das principais contribuições brasileiras para a conferência do clima.

Mais do que um documento técnico, o material pretende servir como um guia internacional capaz de orientar governos, organismos multilaterais, instituições financeiras, empresas e organizações da sociedade civil na implementação das metas globais de conservação das florestas.

Segundo o diplomata, o mundo já conhece as causas do desmatamento e os caminhos necessários para combatê-lo. O desafio atual está na capacidade de executar essas soluções em escala suficiente para cumprir o compromisso firmado internacionalmente de interromper e reverter a perda das florestas até 2030. “A negociação já aconteceu. O compromisso já está sendo celebrado. Agora precisamos construir os caminhos para chegar lá”, destacou Marco Túlio durante apresentação.

A afirmação resume uma mudança significativa na própria dinâmica das conferências climáticas. Durante mais de três décadas, as COPs concentraram esforços na negociação de acordos internacionais, metas de redução de emissões e compromissos ambientais entre os países. Agora, segundo o representante da presidência brasileira, a prioridade passa a ser outra: garantir que aquilo que foi acordado saia do papel.

Essa nova etapa exige mecanismos financeiros robustos, fortalecimento institucional, cooperação internacional, valorização dos povos indígenas e comunidades tradicionais e integração entre políticas ambientais, econômicas e sociais.

Da diplomacia climática à implementação

Marco Túlio explicou que o chamado Mapa do Caminho para o Desmatamento Zero nasce justamente dessa necessidade de acelerar a implementação dos compromissos já assumidos pela comunidade internacional.

O documento não cria novas obrigações nem estabelece novas metas para os países. Seu objetivo é identificar soluções concretas capazes de remover os principais obstáculos que ainda impedem a redução acelerada do desmatamento e da degradação florestal.

De acordo com Marco, ao longo das últimas conferências climáticas, especialmente após a COP28, realizada em Dubai, consolidou-se o entendimento de que interromper o desmatamento representa uma das medidas mais rápidas e eficazes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

No entanto, reconhecer essa importância não significa que o problema esteja resolvido. “O mundo já sabe o que precisa fazer. O desafio agora é como fazer”, sintetizou. Por isso, a presidência brasileira decidiu dedicar parte significativa da preparação para a COP30 à elaboração de um documento voltado especificamente para a implementação das metas florestais.

O trabalho reúne contribuições de aproximadamente 140 países, além de organizações multilaterais, instituições financeiras, representantes da sociedade civil, universidades, centros de pesquisa, lideranças indígenas e especialistas em conservação. A proposta é construir um roteiro capaz de orientar diferentes setores da sociedade sobre como acelerar a redução do desmatamento em escala global.

Um documento construído de forma colaborativa

Durante a apresentação, Marco Túlio ressaltou que o documento está sendo elaborado por meio de um amplo processo de consultas internacionais. A construção envolve representantes de governos nacionais, bancos multilaterais de desenvolvimento, organismos das Nações Unidas, especialistas em financiamento climático, pesquisadores, organizações ambientais e representantes de povos indígenas e comunidades tradicionais.

Essa diversidade é fundamental porque o desafio de conservar as florestas ultrapassa as competências de um único setor, destacou ele durante a fala.

A preservação das florestas depende simultaneamente de políticas públicas eficientes, instrumentos econômicos, incentivos financeiros, segurança jurídica, fiscalização ambiental, desenvolvimento sustentável e inclusão social.

Por isso, o documento busca integrar diferentes experiências internacionais, identificando boas práticas que possam ser adaptadas às realidades de cada país. Marco Túlio explicou que não existe uma solução única para alcançar o desmatamento zero. Cada região apresenta desafios distintos relacionados à ocupação territorial, produção agrícola, infraestrutura, governança ambiental e desenvolvimento econômico.

O papel do Mapa do Caminho será justamente reunir essas diferentes experiências em um conjunto de recomendações práticas.

Por que proteger as florestas se tornou prioridade mundial

Ao contextualizar a construção do documento, Marco Túlio lembrou que as florestas desempenham papel estratégico no enfrentamento das mudanças climáticas. Além de armazenarem grandes quantidades de carbono, regulam o ciclo hidrológico, protegem a biodiversidade, influenciam os regimes de chuva e sustentam milhões de pessoas que dependem diretamente dos recursos naturais para sobreviver.

No caso da Amazônia, essa importância ultrapassa as fronteiras brasileiras. A floresta influencia o equilíbrio climático de toda a América do Sul, interfere na disponibilidade hídrica para diferentes regiões do continente e representa um dos maiores estoques de biodiversidade do planeta.

Por isso, segundo ele, a conservação das florestas deixou de ser uma pauta exclusivamente ambiental para ocupar posição central nas estratégias globais de desenvolvimento, segurança alimentar, estabilidade econômica e adaptação às mudanças climáticas.

Essa mudança de percepção também altera a forma como os investimentos internacionais passam a ser direcionados. Cada vez mais, mecanismos financeiros internacionais condicionam recursos ao cumprimento de metas ambientais, estimulando países a fortalecer políticas de conservação e restauração florestal.

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Muito além do desmatamento

Um dos pontos mais enfatizados durante a palestra foi a necessidade de ampliar o olhar sobre a conservação das florestas. Marco Túlio observou que boa parte do debate público ainda concentra atenção exclusivamente no desmatamento, quando outro processo igualmente preocupante avança silenciosamente: a degradação florestal.

Enquanto o desmatamento corresponde à retirada completa da cobertura vegetal, a degradação ocorre quando a floresta permanece aparentemente preservada, mas perde parte significativa de sua capacidade ecológica.

Esse processo pode ser provocado por incêndios florestais, queimadas recorrentes, exploração madeireira ilegal, mineração, abertura de estradas clandestinas, fragmentação dos ecossistemas e outras formas de pressão humana.

Como consequência, a floresta reduz sua capacidade de armazenar carbono, perde biodiversidade, torna-se mais vulnerável às mudanças climáticas e passa a oferecer menos serviços ambientais.

Segundo Marco Túlio, enfrentar apenas o desmatamento já não é suficiente. As políticas públicas precisam incorporar estratégias específicas para combater também a degradação, restaurar áreas impactadas e fortalecer a resiliência dos ecossistemas amazônicos.

Essa abordagem integrada, segundo ele, representa uma das principais inovações do documento que está sendo preparado para a COP30.

O financiamento como principal desafio para zerar o desmatamento

Ao longo da apresentação, Marco Túlio reforçou diversas vezes que o mundo dispõe de conhecimento científico, tecnologias de monitoramento, instrumentos jurídicos e capacidade técnica para reduzir o desmatamento. Na avaliação do diplomata, o grande desafio deixou de ser identificar soluções e passou a ser criar condições para que elas sejam implementadas de forma permanente.

Segundo ele, combater o desmatamento exige recursos financeiros contínuos, capazes de sustentar políticas públicas de longo prazo e garantir alternativas econômicas para quem vive nas regiões florestais.

Essa necessidade se torna ainda mais evidente em países tropicais, onde a conservação das florestas está diretamente relacionada ao desenvolvimento regional, à inclusão social e à valorização das comunidades tradicionais.

Durante a palestra, Marco Túlio explicou que uma das grandes prioridades da presidência brasileira da COP30 é aproximar o debate ambiental da agenda econômica, mostrando que conservar florestas também exige investimentos estruturantes. “O desafio não é apenas proteger a floresta. É criar condições para que essa proteção seja sustentável ao longo do tempo”, observou.

Na prática, isso significa ampliar investimentos em fiscalização ambiental, regularização fundiária, monitoramento por satélite, restauração ecológica, fortalecimento institucional, pesquisa científica, inovação tecnológica e atividades econômicas sustentáveis. Segundo o representante da COP30, não existe uma política eficiente de combate ao desmatamento baseada exclusivamente em ações repressivas. É necessário criar oportunidades econômicas compatíveis com a conservação ambiental.

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Floresta em pé precisa gerar valor

Um dos conceitos centrais apresentados por Marco Túlio foi o reconhecimento de que a floresta precisa ser vista também como um ativo econômico. Durante décadas, grande parte da economia amazônica esteve associada à conversão da floresta para outras atividades produtivas. A nova agenda climática procura inverter essa lógica. A proposta é criar mecanismos capazes de remunerar a conservação da vegetação nativa, valorizando os serviços ambientais prestados pelas florestas.

Esses serviços incluem, por exemplo, a captura e o armazenamento de carbono, a proteção da biodiversidade, a regulação do ciclo das chuvas, a manutenção dos recursos hídricos e a estabilidade climática.

Na avaliação de Marco Túlio, esses benefícios possuem enorme valor para toda a sociedade, embora historicamente não tenham sido incorporados aos modelos tradicionais de desenvolvimento.

Por isso, uma das principais missões da COP30 será fortalecer instrumentos financeiros capazes de reconhecer economicamente esse patrimônio ambiental.

Pagamento por serviços ambientais ganha protagonismo

Nesse contexto, o pagamento por serviços ambientais aparece como uma das ferramentas mais promissoras para reduzir a pressão sobre as florestas. A lógica consiste em remunerar produtores rurais, comunidades tradicionais, povos indígenas e demais atores responsáveis pela conservação dos ecossistemas.

Em vez de incentivar apenas atividades que substituem a floresta por outras formas de uso da terra, esses mecanismos passam a reconhecer financeiramente quem mantém a vegetação preservada.

Conforme Marco Túlio, experiências desse tipo vêm sendo desenvolvidas em diferentes regiões do mundo e demonstram que incentivos econômicos podem fortalecer significativamente as estratégias de conservação.

A expectativa é que o Mapa do Caminho para o Desmatamento Zero apresenta recomendações para ampliar esses instrumentos em escala internacional.

REDD+ e mercados de carbono

Outro mecanismo citado durante o debate envolve o fortalecimento das iniciativas de REDD+ (Redução das Emissões provenientes do Desmatamento e da Degradação Florestal). Marco Túlio destacou que esses programas procuram transformar a redução das emissões em ativos econômicos capazes de atrair investimentos para a conservação.

Ao reduzir o desmatamento, determinados territórios podem gerar créditos associados às emissões evitadas, criando novas fontes de financiamento para políticas ambientais.

Embora o tema ainda desperte debates internacionais sobre critérios de integridade ambiental, transparência e repartição de benefícios, o representante da presidência brasileira ressaltou que esses instrumentos podem desempenhar papel importante na mobilização de recursos para os países tropicais.

Segundo ele, nenhum mecanismo isoladamente resolverá o problema.

O enfrentamento do desmatamento dependerá da combinação de diferentes instrumentos econômicos, financeiros e institucionais.

Tropical Forests Forever Facility: uma proposta brasileira para financiar a conservação

Entre os mecanismos discutidos durante a apresentação, um dos que mais despertou interesse foi o Tropical Forests Forever Facility (TFFF). Marco Túlio explicou que a proposta representa uma das iniciativas mais ambiciosas atualmente em discussão no cenário internacional. O objetivo é criar um mecanismo permanente de financiamento para países que mantêm extensas áreas de florestas tropicais conservadas.

Diferentemente dos fundos tradicionais, normalmente baseados em doações pontuais, o TFFF pretende estruturar uma fonte contínua de recursos capaz de garantir estabilidade financeira para políticas públicas de longo prazo.

A lógica é relativamente simples. Em vez de remunerar apenas projetos específicos, o mecanismo busca reconhecer o serviço ambiental prestado pelas florestas que permanecem preservadas.

Na prática, países que conseguem reduzir o desmatamento e conservar grandes áreas naturais passariam a receber recursos proporcionais aos resultados obtidos.Segundo Marco Túlio, isso representa uma mudança importante na forma como a comunidade internacional enxerga a conservação. As florestas deixam de ser apenas patrimônio ambiental para serem reconhecidas também como infraestrutura essencial para o equilíbrio climático mundial.

A Amazônia como parte da solução climática

Ao longo da apresentação, Marco Túlio procurou desconstruir uma visão recorrente de que a Amazônia representa apenas um problema ambiental. Na avaliação do diplomata, a região reúne parte significativa das soluções capazes de contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Isso ocorre porque a Amazônia concentra uma das maiores extensões contínuas de florestas tropicais do planeta, abriga enorme diversidade biológica, desempenha papel fundamental na regulação climática e reúne populações que acumulam conhecimentos tradicionais sobre manejo sustentável dos recursos naturais.

Por isso, segundo ele, qualquer estratégia global para conter o aquecimento do planeta necessariamente passa pela proteção das florestas amazônicas. Mais do que isso, depende da capacidade de integrar desenvolvimento econômico, inclusão social e conservação ambiental. Esse equilíbrio, segundo Marco Túlio, representa um dos maiores desafios que estarão no centro das discussões da COP30.

Conservação também significa desenvolvimento

Durante sua exposição, Marco Túlio destacou que reduzir o desmatamento não significa impedir o desenvolvimento econômico, ao contrário, a agenda construída pela presidência brasileira procura demonstrar que crescimento econômico e conservação ambiental podem caminhar de forma complementar.

Isso envolve ampliar investimentos em cadeias produtivas sustentáveis, estimular a bioeconomia amazônica, incentivar inovação tecnológica baseada na biodiversidade e fortalecer atividades capazes de gerar emprego e renda sem promover a destruição das florestas.

Segundo ele, esse processo exige políticas públicas integradas, segurança jurídica, acesso ao crédito, infraestrutura adequada e fortalecimento das instituições responsáveis pela governança ambiental.

Mudanças climáticas: o que são, causas, consequências

Povos indígenas e comunidades tradicionais no centro da agenda climática

Ao apresentar os princípios que orientam o Mapa do Caminho para o Desmatamento Zero, Marco Túlio Scarpolli Cabral deixou claro que alcançar a meta de eliminar o desmatamento ilegal e reduzir a degradação florestal não depende apenas de governos nacionais ou de grandes acordos diplomáticos. Para ele, qualquer estratégia consistente de conservação precisa reconhecer o papel desempenhado por aqueles que vivem e protegem as florestas há séculos.

Nesse contexto, os povos indígenas, comunidades tradicionais, ribeirinhos, extrativistas e demais populações que mantêm relação direta com os territórios amazônicos ocupam posição estratégica na construção das políticas climáticas.

Segundo Marco Túlio, a discussão internacional sobre mudanças climáticas evoluiu significativamente nos últimos anos. Se antes essas populações eram frequentemente vistas apenas como beneficiárias de programas ambientais, hoje passam a ser reconhecidas como protagonistas na formulação e implementação das soluções.

Essa mudança de perspectiva aparece como um dos eixos estruturantes da preparação brasileira para a COP30. Ao longo da elaboração do Mapa do Caminho para o Desmatamento Zero, representantes desses grupos vêm sendo convidados a contribuir diretamente com propostas, experiências e recomendações, permitindo que o documento reflita não apenas uma visão técnica ou governamental, mas também os conhecimentos acumulados por quem vive diariamente nos territórios florestais.

Segundo o diplomata, proteger a floresta significa também proteger as pessoas que historicamente garantiram sua conservação. Essa abordagem representa uma mudança importante na governança climática internacional, ao reconhecer que justiça ambiental, inclusão social e conservação da biodiversidade são dimensões inseparáveis.

Conhecimento tradicional como ferramenta para enfrentar as mudanças climáticas

Outro aspecto destacado durante a apresentação foi o reconhecimento do conhecimento tradicional como patrimônio estratégico para a agenda climática global. Marco Túlio observou que, em diferentes regiões da Amazônia, povos indígenas e comunidades tradicionais desenvolveram, ao longo de gerações, formas de manejo capazes de conservar a biodiversidade e utilizar os recursos naturais de maneira sustentável.

Essas práticas, segundo ele, precisam ser incorporadas ao processo de construção das políticas públicas, dialogando com o conhecimento científico produzido por universidades e centros de pesquisa. A integração entre ciência e saberes tradicionais aparece como uma das diretrizes defendidas pela presidência brasileira da COP30.

Na avaliação do representante do Ministério das Relações Exteriores, enfrentar as mudanças climáticas exige uma combinação entre inovação tecnológica, produção científica e valorização dos conhecimentos acumulados pelas populações que vivem na floresta. Essa aproximação também fortalece a legitimidade das decisões internacionais, tornando as políticas climáticas mais conectadas às realidades locais.

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Desenvolvimento sustentável precisa alcançar quem vive na floresta

Marco Túlio também ressaltou que a conservação das florestas depende da melhoria das condições de vida das populações amazônicas. Segundo ele, políticas ambientais eficazes precisam caminhar ao lado de investimentos em educação, saúde, infraestrutura, assistência técnica, acesso ao crédito e geração de renda.

Sem alternativas econômicas sustentáveis, cresce a vulnerabilidade social e aumentam as pressões sobre os recursos naturais. Por isso, a agenda construída para a COP30 procura integrar conservação ambiental e desenvolvimento regional, estimulando atividades econômicas compatíveis com a manutenção da floresta em pé.

Entre essas alternativas estão iniciativas ligadas à bioeconomia, ao manejo florestal sustentável, ao extrativismo de produtos da sociobiodiversidade, ao turismo de natureza e à valorização das cadeias produtivas amazônicas. Segundo Marco Túlio, proteger a floresta não significa impedir o desenvolvimento. Ao contrário, representa uma oportunidade para construir um modelo econômico capaz de gerar prosperidade sem repetir padrões históricos de degradação ambiental.

Cooperação internacional será decisiva

Ao tratar dos desafios da implementação, Marco Túlio chamou atenção para o caráter global do problema. Embora grande parte das discussões sobre desmatamento esteja concentrada nos países detentores das florestas tropicais, muitos dos fatores que impulsionam a destruição ambiental ultrapassam fronteiras nacionais.

Mercados internacionais, cadeias globais de fornecimento, demanda por commodities, comércio ilegal de madeira, ouro e mercúrio, além da atuação de organizações criminosas transnacionais, influenciam diretamente a dinâmica do desmatamento.

Diante desse cenário, o diplomata defendeu o fortalecimento da cooperação internacional como elemento indispensável para alcançar os objetivos estabelecidos para 2030.Segundo ele, nenhum país conseguirá enfrentar isoladamente desafios dessa magnitude.

Será necessário ampliar o intercâmbio de informações, fortalecer mecanismos conjuntos de fiscalização, compartilhar tecnologias de monitoramento e construir instrumentos financeiros capazes de apoiar a conservação das florestas.

Além disso, organismos multilaterais, bancos internacionais de desenvolvimento e agências de cooperação terão papel decisivo na mobilização dos recursos necessários para financiar essa transição.

A responsabilidade é compartilhada

Marco Túlio destacou que as florestas tropicais prestam serviços ambientais que beneficiam toda a humanidade. Elas contribuem para a estabilidade climática, influenciam o regime de chuvas em diferentes continentes, armazenam enormes quantidades de carbono e abrigam parcela significativa da biodiversidade mundial.

Por isso, a responsabilidade pela sua conservação também deve ser compartilhada. Na avaliação do representante da presidência da COP30, países que preservam extensas áreas naturais assumem custos econômicos, sociais e institucionais que produzem benefícios globais.

Essa constatação reforça a necessidade de ampliar mecanismos internacionais de financiamento, capazes de reconhecer o valor estratégico dessas florestas para o equilíbrio climático do planeta.

Nesse sentido, a mensagem apresentada em Manaus ultrapassou os limites de uma preparação para a COP30. Ela representou um chamado para que governos, instituições, setor privado e sociedade compreendam que o desmatamento zero não será alcançado apenas por declarações de intenção, mas por decisões concretas, investimentos consistentes e uma nova forma de enxergar o valor das florestas tropicais na construção do futuro.

 

Texto e Fotos: Repórter Especial Isabelle Valois

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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