Carnes e hortaliças podem ficar até 19,9% mais caras com o El Niño; IA ajuda a prevenir perdas no setor de alimentos

Tecnologia pode cruzar dados de estoque, vendas, validade e condições climáticas para antecipar riscos de perdas e orientar decisões

São Paulo, setembro de 2026 – Mudanças nos padrões de chuva, temperatura e umidade provocadas pelo El Niño podem pressionar a cadeia de produção de alimentos e impactar os preços no varejo. Segundo modelo do Rabobank, baseado no histórico do fenômeno no Brasil, em um cenário de El Niño forte, os preços de alimentos in natura, como carnes e hortaliças, podem subir até 19,9%. Essa alta tende a aumentar os desafios dos supermercados na gestão de estoques, compras e perdas de produtos perecíveis.

Nesse cenário de instabilidade, o setor de alimentos precisa ir além de apenas acompanhar as condições externas. É necessário antecipar como as ocorrências podem afetar estoques, equipamentos, logística e vendas e agir com rapidez. É nesse ponto que os agentes de inteligência artificial ganham espaço.

Os agentes de IA podem combinar informações de sensores de temperatura e umidade com dados de vendas, inventário e prazo de validade. A análise conjunta permite identificar produtos com maior probabilidade de perda e antecipar medidas para reduzir o desperdício.

Mateus Magno, especialista em IA e CEO da Magnotech, empresa especializada em IA para negócios, ressalta que a aplicação da tecnologia pode trazer boas ideias para a solução de problemas.

“A aplicação pode envolver desde a identificação de lotes próximos do vencimento até a detecção de alterações nas condições de armazenamento. A partir dos dados, o sistema pode indicar a necessidade de uma ação, como rever a distribuição de determinado produto entre lojas, antecipar uma promoção ou verificar o funcionamento de equipamentos de refrigeração”.

O potencial é especialmente relevante em operações com alto giro e produtos perecíveis, como supermercados, atacarejos e hortifrutis. Em ambientes nos quais pequenas variações de temperatura podem resultar em perdas, o monitoramento contínuo permite reduzir o intervalo entre a identificação de um problema e a tomada de decisão.

“Os agentes trabalham de forma orquestrada. A decisão não depende de um dado isolado, mas da combinação de vários sinais analisados simultaneamente”, afirma Magno.

Com o clima mais instável, os modelos também precisam mudar

Durante períodos de maior instabilidade climática, como no caso do El Niño, o monitoramento precisa ser intensificado. Modelos preditivos que utilizam apenas dados históricos podem perder precisão quando as condições atuais fogem dos padrões observados anteriormente.

Por isso, os negócios podem aumentar a frequência de leitura de sensores, reduzir o intervalo entre as reavaliações dos modelos e atribuir maior peso a variáveis climáticas externas.

“Equipamentos de refrigeração também demandam atenção especial, já que temperaturas externas mais elevadas podem aumentar a carga sobre câmaras frias e expositores e, consequentemente, o risco de falhas”, completa o especialista.

Ferramenta também pode chegar ao pequeno negócio

A adoção da tecnologia não precisa começar com uma estrutura sofisticada. Segundo Magno, pequenos empreendedores podem iniciar pelo monitoramento básico de temperatura, controle de validade por lote e acompanhamento mais frequente dos estoques.

“Antes de pensar em uma tecnologia sofisticada, é preciso começar medindo. Sem dados, não existe previsão possível”, afirma.

Para Mateus Magno, porém, o principal desafio não está apenas na tecnologia.

“A IA dá o dado e a previsão, mas a ação, como remanejamento do estoque, ajuste de preço ou reforço na manutenção, ainda depende de pessoas dispostas a mudar rotinas antigas. Tecnologia sozinha não resolve o desperdício, deve vir acompanhada de mudança de processo e cultura dentro da empresa”, conclui.

Sobre a Magnotech

Fundada em 2018, a Magnotech é uma empresa brasileira de tecnologia especializada no desenvolvimento de soluções de inteligência artificial para otimização de processos e transformação digital. Atua em setores como saúde, educação, construção civil e varejo, oferecendo projetos personalizados que envolvem diagnóstico, desenvolvimento e implementação de sistemas baseados em dados.

A empresa foi reconhecida como uma das Top 10 no AI Brasil Experience e está entre as 25 mais inovadoras do país, segundo a Bossa Invest.

*Com informações da assessoria.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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