Bispos de Manaus destacam contribuições da Igreja Católica à COP-30

“A igreja não está reivindicando economicamente nada, só deseja que se supere esse modo econômico de compreender, entender e achar que cuidam da Amazônia, destruindo a Amazônia”. Foi o que afirmou o Cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, ao BNC Amazonassobre a presença da Igreja Católica na 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-30), que será realizada em Belém (PA), de 10 a 21 de novembro.

“Estamos acentuando a questão da Amazônia. Os povos que aqui habitam, as culturas. E a Igreja deseja dar a sua colaboração e vai dar a sua colaboração. Especialmente para que se efetue as decisões já aprovadas”, declarou o cardeal da Amazônia.

Ele também recordou que as decisões anteriores a essa COP precisam ser retomadas e concretizadas. Por isso, a “igreja apoiará o governo brasileiro nesse sentido” para efetivá-las à luz da Ecologia Integral.

 

Apropriar-se de conceitos

Embora a questão das mudanças climáticas estivesse presente nas discussões da Igreja Católica, o Papa Francisco ampliou os debates com a publicação da encíclica Laudato Si. O documento expõe a problemática pela perspectiva ética e relaciona com o modo de vida adotado pelo ser humano.

Dessa forma, ele permitiu que a igreja desenvolvesse elementos que ajudam nas discussões sobre o tema.
Segundo Dom Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus, que participará da conferência “esse é o diferencial da igreja na COP”.

O bispo ressaltou a contribuição da igreja na preparação que antecede o evento, com o letramento sobre as questões das mudanças climáticas e escuta dos povos dos territórios. Ele explicou que “o apropriar-se de conceitos” contribui para uma reflexão não romantizada da questão ambiental e sim “de alerta, de preocupação”, baseada em evidências científicas.

“Escuta dos povos da floresta, de escuta dos povos dos seus territórios, de escuta daqueles que têm também uma resposta concreta de como poder cuidar melhor da casa comum”, afirmou Dom Hudson.

 

Caminho percorrido

Outro destaque de Dom Hudson, é que a “igreja fará suas contribuições a partir do recolhimento de diversas outras contribuições da sociedade civil organizada junto com os organismos de igreja”. Além da Laudato Si, esse processo se baseia nos documentos Fratelli Tutti, Laudato Deum e Querida Amazônia, de Francisco. Neles, o papa o propôs pistas de ação e reflexão sobre temáticas socioambientais destinadas à sociedade.

Uma das consequências dos textos, de acordo com o bispo, é o Movimento Laudato Si que recolheu contribuições por meio de “cientistas, povos da floresta e de organizações que atuam no território”. Para ele, o caminho percorrido pela igreja não é “uma incidência para a COP”, mas é “uma incidência que vem acontecendo anteriormente à COP”.

“A COP é um ápice de uma série de outras iniciativas que a Igreja vem provocando junto a diversos grupos, e que vai culminar na COP. Ali está presente a presença da igreja com os líderes religiosos das diversas organizações sejam elas católicas ou não católicas, aí está presente o diálogo interreligioso, o ecumenismo”, enfatizou Dom Hudson.

 

Responsabilidade coletiva

A Igreja Católica participará como Estado, mas também com a capacidade de repercutir as vozes de uma série de grupos e organizações. Dom Hudson esclareceu que a proposta é pautada no Evangelho, que considera a “defesa na vida em todas as suas circunstâncias, da promoção humana em todas as suas circunstâncias e que a casa comum é a responsabilidade de todos”.

Esse cenário implica na necessidade de que todos se sintam colaboradores e transformadores da realidade das relações atuais. Por isso, a igreja assume, segundo o bispo, “como povo de Deus reunido” uma responsabilidade coletiva sobre o cuidado da Casa Comum. Por fim, Dom Hudson destacou que esse movimento ocorre dentro de uma dinâmica de sustentabilidade, mas de abordagem não exploratória.

“Não uma sustentabilidade à base da exploração, nem da exploração dos recursos minerais, nem da exploração dos povos que habitam nos territórios e nem da exploração de qualquer tipo de vida que está presente nos territórios”, concluiu.

 

Foto: Arquidiocese de Manaus/divulgação

Post Author: Beatriz Costa

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