Diante do novo tarifaço americano, Brasil precisa de diplomacia comercial, não de disputa política

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) manifesta sua preocupação com a confirmação, pelo governo dos Estados Unidos, de uma nova tarifa adicional de 25% sobre parte relevante da pauta exportadora brasileira, no âmbito da investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, aberta em julho de 2025. A entidade reforça publicamente sua posição: o caminho para o Brasil é o da negociação bilateral, técnica e permanente, e não o da escalada retaliatória.

O setor produtivo brasileiro fez, e continua fazendo, a sua parte. O agronegócio paulista e nacional segue cumprindo exigências sanitárias, ambientais e regulatórias internacionais, investindo em rastreabilidade, sustentabilidade e competitividade para manter o Brasil como um parceiro comercial confiável no cenário global. Não é o produtor rural quem decide em Washington e, ainda assim, é ele quem paga a conta de decisões tomadas fora de seu alcance.

O momento exige a intensificação da diplomacia comercial contínua, técnica e desvinculada de disputas político-partidárias. Relações comerciais entre nações se constroem com previsibilidade, canais de diálogo abertos e negociação permanente, e não com medidas anunciadas de forma unilateral e respondidas por meio de retórica de confronto.

Quando a política interna se sobrepõe à estratégia comercial, quem perde é o país. Mais especificamente, perde o produtor que depende desses mercados para sustentar sua atividade, preservar empregos e garantir sua renda.

A Faesp defende que o governo brasileiro priorize o diálogo direto e técnico com os Estados Unidos, buscando solucionar as divergências apontadas (sejam elas regulatórias, comerciais ou tarifárias) por meio da negociação, preservando os setores estratégicos da pauta exportadora, como demonstra a manutenção do café e da carne fora da nova lista tarifária.

A retaliação inconsequente, motivada por embates políticos, tende a produzir apenas uma nova escalada tarifária, maior insegurança jurídica e mais custos para quem produz. O Representante Comercial dos Estados Unidos condicionou eventuais revisões das medidas à ausência de retaliação por parte do Brasil e sinalizou disposição para manter aberto o canal de diálogo com o governo brasileiro, indicando que a via da negociação permanece disponível.

O Brasil possui capital de negociação. É um fornecedor relevante e confiável para os Estados Unidos em diversas cadeias produtivas. Esse ativo precisa ser utilizado com competência técnica e visão de longo prazo, sem ser desperdiçado em disputas de narrativa.

A Faesp analisará detalhadamente a lista de produtos e exceções assim que ela for publicada pelo governo americano e reitera sua disposição de colaborar tecnicamente com o governo federal na defesa dos interesses do setor produtivo.

Credibilidade e confiança, valores que sustentam qualquer relação comercial duradoura, são construídas com diplomacia, diálogo e responsabilidade, e não com confronto.

Tirso Meirelles
Presidente da Faesp

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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