O setor primário representa apenas 7,22% do Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas, segundo o indicador da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplancti), em 2019.
Isso porque o setor registrou R$ 1.786 milhões no primeiro trimestre de 2019, do total de R$ 24.720 milhões registrados para o PIB do Amazonas no período. O setor é composto por agricultura; pecuária; silvicultura e exploração florestal; e pesca.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea) tem uma expectativa otimista de que o setor primário contribua com 10% do PIB amazonense nos próximos cinco anos, segundo seu presidente, Muni Lourenço, que acreditam no potencial interno do agronegócio.
“Na Faea, tems uma meta de superar 10% do PIB na agropecuária em cinco anos”, ressalta o presidente da Faea.
Muni comemorou o retorno da Expoagro após seis anos “Este é um momento muito aguardado. Foram seis anos que nós nos ressentimos sem esta tradição. A Expoagro é a maior vitrine do setor primário no Amazonas. Portanto, tivemos uma retomada em grande estilo, uma feira muito bem organizada, uma programação técnica muito sólida de palestras, seminários, rodada de negócios, acesso à crédito, exposição de animais, equipamentos”, avalia presidente da Faea.
Como representante do setor, Muni ressaltou o compromisso do Governo do Estado para ajudar a alavancar o setor primário. “Não foi só retomada de tradição com a feira, mas também uma injeção de ânimo na auto-estima na confiança de todos nós que empreendemos no setor primário; de que existe, hoje, uma conjuntura de governo a nível de estado de priorizar o agronegócio”,reforça.
Muni destaca que além da luta pela manutenção da Zona Franca de Manaus, é importante a luta do Estado pela interiorização e pela diversificação da nossa economia. “O Amazonas tem condições de crescer no setor primário, em harmonia com a sustentabilidade”, frisa.
Crescimento
O presidente da Faea destaca o crescimento diversificado com alguns segmentos como a fruticultura. “Laranja, açaí, cupuaçu, tem muita demanda. Sem falar NAS culturas tradicionais como mandioca”, cita.
A abundância de água doce no Estado abre portas para o crescimento da piscicultura e do manejo espécies animais, com o devido domínio tecnológico, para produção em larga escala, acrescenta Muni.
Mas, para esse cenário se consolidar, é necessário superarmos alguns gargalos regionais como a regularização fundiária, na avaliação de Muni. “Boa parte dos produtores rurais não tem o seu documento de posse da terra, o que causa insegurança jurídica para quem quer investir. Outro problema que enfrentamos é a assistência técnica ao produtor rural, que hoje é insuficiente para o fortalecimento do setor. A maioria dos nossos produtores são da agricultura familiar. E esses produtores não têm condições de ter seu agrônomo, veterinário, engenheiro de pesca. Portanto, ele precisa do estado, através do Idam. Por isso, precisamos de assistência técnica fortalecida”, acrescenta.
O presidente da Faea e presidente do Senar disse que investir em tecnologia rural, capacitação, acesso ao crédito e regularização fundiária são passos importantes para elevar a produção de alimentos e gerar mais riquezas no Amazonas.
“O setor primário se apresenta com capacidade de emprego e renda no interior, oferta de alimento mais barato, diminuição da importação de alimentos de outros estados. Eventos como este (Expoagro) são fundamentais e catalizadores dos esforços das instituições financeiras, tecnológicas e científicas, junto conosco do setor privado para impulsionar o setor”, finaliza.

Muni Lourenço, Presidente da FAEA comenta:
“O setor primário se apresenta com capacidade de emprego e renda no interior, oferta de alimento mais barato, diminuição da importação de alimentos de outros estados”
Reportagem: Cinthia Guimarães; Fotos : William Rezende.

