Eleições 2026 ganham força no Sul e etanol entra no embate entre Lula e Flávio Bolsonaro

Campanha presidencial movimentou Santa Catarina neste fim de semana, com atos de Lula, Flávio Bolsonaro e Renan Santos, enquanto mudança na mistura de etanol à gasolina passou a integrar a disputa econômica entre governo e oposição

A corrida pela Presidência da República ganhou força em Santa Catarina neste fim de semana. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) cumpriram agendas no estado no sábado (19), enquanto Renan Santos (Missão) mantém compromissos neste domingo (20). Os atos ocorrem a cerca de duas semanas do primeiro turno e mostram a intensificação das agendas dos candidatos na reta final da campanha.

Lula participou de um ato de campanha em Florianópolis, ao lado de Gelson Merísio (PSB), candidato ao governo catarinense. Durante o evento, o presidente e candidato à reeleição abordou temas econômicos e direcionou parte de seu discurso ao agronegócio.

Flávio Bolsonaro também concentrou a agenda de sábado em Santa Catarina. Pela manhã, participou de um comício em Joinville. Depois, seguiu para Chapecó, no Oeste catarinense, onde realizou outro ato de campanha.

Nos discursos, o candidato do PL fez críticas ao governo Lula e tratou de temas como programas sociais, economia, segurança pública e relação do governo federal com Santa Catarina. Em Joinville, criticou o reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado pelo governo federal, que elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. Flávio atribuiu motivação eleitoral à medida. O governo defende o reajuste e o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou pedido para suspendê-lo.

Neste domingo (20), Renan Santos também levou a campanha a Santa Catarina. Em ato em Balneário Camboriú, pediu mobilização de apoiadores durante as semanas finais que antecedem a votação. O candidato já havia passado pelo Rio Grande do Sul e por cidades catarinenses durante seu giro de campanha pela região Sul.

Etanol também entra na campanha presidencial

Além dos atos públicos, um tema diretamente ligado ao setor de combustíveis e ao agronegócio passou a ocupar espaço na disputa eleitoral. O aumento do percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina tornou-se alvo de divergências entre Flávio Bolsonaro e o governo Lula.

Desde agosto, a gasolina comum e aditivada comercializada no país passou a ter 32% de etanol anidro, ante os 30% anteriores. A mudança foi adotada pelo governo dentro dos limites estabelecidos pela Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024. A legislação permite que a proporção varie de 22% a 35%, desde que aumentos acima de 27% tenham viabilidade técnica comprovada.

Flávio Bolsonaro passou a criticar a medida durante a campanha. O candidato comparou o aumento da proporção de etanol ao fenômeno conhecido como “reduflação”, expressão utilizada quando produtos mantêm o preço, mas passam a ser comercializados em quantidade menor. Parlamentares do PL também apresentaram propostas no Congresso para tentar derrubar a resolução que autorizou a mudança.

A comparação provocou reação de entidades ligadas aos setores de cana-de-açúcar, etanol de milho e bioenergia. Em nota conjunta, seis organizações contestaram a associação entre a alteração da mistura e a reduflação e defenderam a política de utilização de biocombustíveis.

O governo sustenta que a ampliação do etanol reduz a dependência da gasolina derivada do petróleo e ajuda a limitar a exposição dos preços internos às oscilações internacionais. O Ministério de Minas e Energia informou que testes realizados em 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas indicaram segurança técnica para a mistura de 32%.

A Associação Brasileira de Engenharia Automotiva afirma que veículos flex, predominantes entre os automóveis produzidos atualmente no país, são projetados para operar com diferentes proporções de gasolina e etanol. Segundo a entidade, a maior participação do biocombustível pode reduzir a eficiência energética, devido às diferenças entre os combustíveis.

Governo avalia mistura de até 35%

A discussão pode ganhar novos capítulos. O governo prepara testes com gasolina contendo 35% de etanol, a chamada E35. A avaliação deverá considerar consumo, emissões, durabilidade dos motores e compatibilidade de componentes antes de qualquer eventual mudança.

A adoção do percentual de 35% não está definida. Segundo as informações disponíveis, a mudança dependerá dos resultados dos testes e de uma decisão do Conselho Nacional de Política Energética.

Com a aproximação do primeiro turno, a política de biocombustíveis passou, portanto, de uma discussão predominantemente energética e ambiental para um dos temas econômicos explorados pelas campanhas. De um lado, Flávio Bolsonaro questiona os efeitos da maior proporção de etanol sobre o produto entregue ao consumidor. Do outro, o governo Lula e representantes do setor defendem a mistura como instrumento de política energética e de redução da dependência dos derivados de petróleo.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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