ETAM, LCM Construção e Meirelles Mascarenhas foram selecionadas para executar melhorias em diferentes segmentos da rodovia; terceiro resultado, no valor de R$ 182,4 milhões, foi publicado no Diário Oficial da União
As licitações para intervenções no Trecho do Meio da BR-319 avançaram com a definição de mais uma empresa responsável pelos serviços na rodovia que liga Manaus a Porto Velho. A Construtora Meirelles Mascarenhas Ltda. venceu a disputa para executar melhorias em 36,5 quilômetros, entre os km 433,1 e 469,6, no município de Manicoré. Com o novo resultado, três empresas já foram selecionadas para atuar em diferentes segmentos da estrada, em contratos que somam aproximadamente R$ 947 milhões.
O resultado mais recente foi publicado no Diário Oficial da União e corresponde ao Pregão Eletrônico nº 90129/2026, conduzido pela Superintendência Regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Amazonas.
A Meirelles Mascarenhas apresentou proposta de R$ 182,4 milhões. O valor estimado inicialmente para a contratação era de aproximadamente R$ 210,7 milhões. O edital oficial define o objeto como a execução de “serviços de melhoramento no pavimento” da BR-319, no segmento entre os km 433,1 e 469,6.
Segundo informações do processo licitatório, 14 empresas foram desclassificadas na disputa. A previsão apresentada pela vencedora é de execução dos serviços em dois anos.
Três empresas já foram selecionadas
A contratação integra um conjunto de intervenções planejadas para o Trecho do Meio, historicamente considerado a parte mais crítica da BR-319 em relação às condições de trafegabilidade.
No trecho entre os km 250,7 e 346,2, que passa por áreas de Borba e Manicoré, a vencedora foi a Construtora ETAM, com proposta de aproximadamente R$ 362 milhões.
Já o segmento entre os km 346,2 e 433,1, em Manicoré, ficou sob responsabilidade da LCM Construção e Comércio S.A., de Belo Horizonte, pelo valor de aproximadamente R$ 402,4 milhões.
Com a contratação da Meirelles Mascarenhas para o trecho seguinte, os três resultados representam aproximadamente R$ 946,8 milhões em serviços destinados à rodovia.
O edital vencido pela LCM também estabelece como objeto a execução de serviços de melhoramento do pavimento da BR-319. O valor inicialmente estimado pelo DNIT para essa contratação ultrapassava R$ 431 milhões.
BR-319 é única ligação rodoviária entre Manaus e Porto Velho
A BR-319 possui importância estratégica para o Amazonas por constituir a única ligação rodoviária direta entre Manaus e Porto Velho, em Rondônia, conectando o estado à malha rodoviária do restante do país.
A situação do Trecho do Meio, no entanto, concentra há décadas discussões envolvendo infraestrutura, integração regional, custos logísticos e proteção ambiental.
Em março deste ano, o DNIT e o Ministério dos Transportes anunciaram novas ações estruturantes para a BR-319. O órgão informou que os investimentos previstos em intervenções nas BRs 319 e 174 poderiam alcançar R$ 1,68 bilhão.
Além das novas licitações, outros serviços estão em andamento na rodovia. No chamado Lote C, entre os km 198 e 250, o DNIT executa obras de reconstrução em diferentes segmentos. Também há investimentos em pontes e outras estruturas ao longo da estrada.
Licitações chegaram a ser suspensas
A contratação das empresas para o Trecho do Meio também está inserida em uma discussão ambiental e judicial.
Os quatro editais lançados pelo DNIT foram temporariamente suspensos pela Justiça Federal do Amazonas, em abril, após ação ajuizada pelo Observatório do Clima. A organização questionou o enquadramento das intervenções como serviços de manutenção e melhoramento e defendeu a necessidade de conclusão do processo de licenciamento ambiental para obras no Trecho do Meio.
A decisão que interrompeu as licitações foi posteriormente suspensa pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), permitindo a continuidade dos procedimentos.
A controvérsia está relacionada à aplicação do novo marco legal do licenciamento ambiental e às condições para realização de intervenções em rodovias anteriormente pavimentadas.
Obras reacendem debate sobre logística e desenvolvimento
A definição das empresas responsáveis pelos serviços volta a colocar a BR-319 no centro das discussões sobre infraestrutura no Amazonas.
Representantes do setor produtivo defendem historicamente melhores condições de trafegabilidade na rodovia como alternativa para ampliar a integração terrestre do estado e reduzir gargalos logísticos. Paralelamente, organizações ambientais alertam para os impactos indiretos que a melhoria do acesso pode provocar sobre a floresta, especialmente em relação ao avanço do desmatamento e da ocupação irregular no entorno da estrada.
As novas contratações também levantam questões sobre os efeitos das obras para quem vive ao longo da BR-319, incluindo produtores rurais, comunidades e moradores que utilizam a rodovia para deslocamento e acesso a serviços.
A reportagem busca informações junto ao DNIT no Amazonas sobre o cronograma de início dos serviços, fiscalização dos contratos e as intervenções previstas em cada trecho.
Também serão ouvidos representantes dos setores produtivo e comercial, especialistas em infraestrutura, organizações socioambientais e moradores da BR-319 para avaliar os possíveis impactos econômicos, sociais e ambientais das intervenções.
A matéria será atualizada com novos posicionamentos.

