Sim, o mundo depende do Brasil.
E o Brasil ainda não percebeu isso.
Curioso, não?
Enquanto discutimos narrativas, o mundo já tomou café e um bom copo de vitamina “C” – suco de laranja. E, estatisticamente, há uma boa chance de esse café e esse suco ter saído daqui.
Enquanto debatemos posicionamento global, alguém abriu um suco de laranja. Provavelmente, também com origem brasileira.
Enquanto tentamos nos convencer de que somos periféricos, o planeta almoça com proteína, energia e insumos que passam, direta ou indiretamente, pelo Brasil.
Isso simplesmente é fluxo.
Um dos maiores exportadores de proteína animal. Protagonistas em soja, minério de ferro e celulose.
Detentores de cerca de 90% das reservas de nióbio. E ainda participamos da engenharia global com instituições como a Embraer.
Mas aqui dentro, a percepção ainda é outra.
O brasileiro médio olha para fora buscando relevância, enquanto o mundo olha para dentro do Brasil buscando abastecimento.
Existe um descompasso claro entre realidade produtiva e consciência estratégica. E talvez esse seja o nosso maior gargalo. Porque poder não é só produzir. É entender o que se produz.
O Brasil já é essencial. Mas ainda não se comporta como tal.
E o mais interessante: Esse não é um poder barulhento. Não está em discursos, nem em manchetes.
Está na cadeia. Silencioso. Estrutural. Indispensável. E, justamente por isso, subestimado.
O mundo não para sem o Brasil.
Mas o Brasil ainda insiste em se ver como opcional.
Talvez isso seja consequência, que demanda uma mudança drástica na nossa administração pública, criando um ambiente onde seja despertado o interesse de participação de gente realmente engajada, e ao mesmo tempo, “repelindo” a participação de oportunistas, como sempre foi a nossa realidade….
A maioria dos nossos grandes empreendedores têm essa visão tão necessária, mas a coisa emperra, na administração pública, onde os interesses particulares dominam, absolutamente…
Seria uma mudança drástica, gigantesca e até mesmo “utópica”… quem sabe, colocaria o país facilmente entre as três potencias mundiais, pelo menos…
O que precisamos é de um programa de futuro para nossa Pátria, isto envolve as pessoas, o povo, as diversas nações que compõe o Brasil. Precisamos de um programa centrado na dignidade do povo Brasileiro, que estabeleça claramente uma visão de crescimento em patentes, ainda que para consumo interno, valor agregado, que nos permita ter exportação de conhecimento e criação. Somado a desenvolver formas de trazer valor agregado a nossa economia de base, ao menos para termos ganho diferenciado. Sempre olhando para dentro e garantindo a dignidade de todos.
Talvez o desafio seja menos reconhecer a própria importância e mais traduzir essa posição em capacidade de coordenação, investimento e posicionamento ao longo do tempo. É aí que a vantagem deixa de ser implícita e passa a ser efetivamente capturada.
Estamos nos elos críticos das cadeias, mas fora dos pontos onde se definem preço, margem e estratégia.
Produzimos. Mas não coordenamos. E quem coordena, captura.
O risco nunca foi desaparecer. É continuar sendo essencial… sob decisão de terceiros.
Transformar essa posição em vantagem exige mais do que produção: exige estratégia, capital e controle sobre os elos de maior valor.
Caso contrário, seguimos relevantes… e subordinados. Mas, o Brasil não sofre de falta de relevância.
Sofre de baixa captura de valor.
Ivan Streit – [email protected]
Escritora

