Puxando a rede de votos ambientais

Em um cenário político marcado pela polarização entre direita e esquerda, a deputada estadual Joana D’arc construiu uma trajetória singular no Amazonas. Filiada ao União Brasil, partido de perfil conservador, ela se destacou ao transformar a defesa dos animais e das pautas ambientais em marcas centrais de sua atuação parlamentar, conquistando uma base eleitoral própria e ampliando sua presença no debate público estadual. Poderá ser, inclusive, puxadora de votos socioambientais para o União Brasil, na chapa que concorrerá à Câmara Federal.

À medida que a Amazônia ganha protagonismo nas discussões sobre desenvolvimento sustentável e mudanças climáticas, a pré-candidata a deputada federal Joana D’arc busca consolidar seu espaço como uma das vozes mais identificadas com essas causas no estado. Nesta entrevista, a parlamentar fala sobre sua trajetória política, os desafios de conciliar preservação ambiental e crescimento econômico, seus planos para as eleições de 2026, sua amizade com o governador do Amazonas, Roberto Cidade, e sua visão para o futuro do Estado.

1) Além da causa animal, a senhora tem defendido pautas ligadas ao meio ambiente e às comunidades do interior. Quais devem ser as prioridades do Amazonas nos próximos anos?

Sou a pioneira do movimento da causa animal no Amazonas, mas defendo que precisamos avançar em várias frentes ao mesmo tempo. Precisamos fortalecer a proteção ambiental, mas também garantir desenvolvimento para quem vive no interior.

As prioridades passam por infraestrutura, especialmente a recuperação da BR-319, acesso à saúde, educação, geração de emprego e renda, conectividade para as comunidades mais distantes e valorização da nossa economia de forma sustentável. Não podemos aceitar que milhares de amazonenses continuem sem acesso a serviços básicos por conta das dificuldades de logística.

Inclusive, estarei nos próximos dias indo para Humaitá pela BR-319, onde estarei juntamente com o pessoal da Secretaria de Estado de Proteção Animal, levando o Castramóvel, um projeto de autoria do meu mandato. Vou conversar com a população da BR-319 e, tenho a certeza, que é possível desenvolver o estado com responsabilidade ambiental e respeito às pessoas que vivem na floresta.

2) Como a senhora avalia o atual cenário político do Amazonas e quais desafios considera mais urgentes para a população?

A população está cada vez mais atenta e cobrando resultados concretos. As pessoas querem menos discursos e mais soluções para problemas reais. As principais urgências são a saúde pública, a geração de oportunidades para os jovens, principalmente a juventude do interior do Amazonas, a segurança, a infraestrutura e a redução das desigualdades entre a capital e o interior.

A descentralização da capital é necessária para potencializar o interior do nosso estado. Eu sempre digo que o Amazonas tem potencial enorme, e precisamos garantir que o desenvolvimento chegue a todas as regiões, principalmente nos municípios mais distantes e de difíceis acessos, seja pelos rios ou pela estrada. A gente precisa valorizar o que é de dentro, investir no nosso território.

3) A Assembleia Legislativa tem discutido temas ligados à infraestrutura e geração de empregos. Que propostas a senhora considera fundamentais para desenvolver o estado sem comprometer a floresta?

Defendo investimentos em infraestrutura que respeitem as características da Amazônia e atendam às necessidades da população. A BR-319 é um exemplo disso. Minha defesa é pela pavimentação de forma sustentável e consciente.

Precisamos incentivar o turismo sustentável, a pesquisa científica, a inovação e a regularização de atividades produtivas que gerem renda para as famílias.

Inclusive, em 2024, apresentei um projeto de lei para que tenhamos um Congresso Estadual de Monitoramento dos Impactos do Turismo Sustentável no Amazonas, com o objetivo de reunir municípios, pesquisadores, setor produtivo e a sociedade para discutir estratégias que permitam desenvolver o turismo de forma responsável, acompanhando seus impactos ambientais, sociais e econômicos.

Não podemos tratar desenvolvimento e preservação como temas opostos. O Amazonas precisa mostrar ao Brasil e ao mundo que é possível crescer economicamente protegendo o meio ambiente, ainda mais tendo a principal floresta do mundo, que é a Floresta Amazônica.

4) De que forma a política pode aproximar mais os jovens e aumentar a participação popular nas decisões públicas?

A política precisa ser mais acessível, transparente e presente no dia a dia das pessoas. Os jovens querem participar, mas muitas vezes não se sentem representados ou não conhecem os espaços de decisão.

Sou uma parlamentar que faz questão de ir até a galeria da Aleam quando tem alunos do ensino fundamental e médio para conversar com eles sobre a política amazonense, pois entrei na política na juventude justamente para lutar por uma causa que não era vista, a causa animal.

É necessário investir em educação política, incentivar a participação em audiências públicas, no Parlamento Jovem, que é um projeto da Aleam, nos conselhos e projetos sociais, além de utilizar as redes sociais como ferramenta de diálogo.

Quando a população participa das decisões, as políticas públicas se tornam mais eficientes e conectadas com a realidade. A gente precisa ouvir quem está na ponta, fazendo acontecer e chegando onde o poder público não chegou.

5) Pensando nas eleições de 2026, quais são seus principais projetos e bandeiras políticas para o futuro?

Meu principal projeto continua sendo trabalhar pelo Amazonas e pelas pessoas que confiam no nosso mandato. Ao longo dos últimos anos, construímos uma atuação muito voltada para a proteção animal, mas também ampliamos nosso trabalho para áreas como inclusão PCD, defesa das mulheres, saúde e fortalecimento dos municípios do interior.

Vou continuar defendendo pautas que impactam diretamente a vida da população, a interiorização dos serviços públicos e de infraestrutura, a defesa da BR-319, a geração de oportunidades para os jovens e o fortalecimento das políticas de proteção animal.

Também tenho defendido iniciativas inovadoras para o interior, como a implantação do Castramóvel Fluvial, para levar atendimento veterinário às comunidades de difícil acesso. Quem sabe até mesmo polos do Hospital Público Veterinário do Amazonas espalhados pelos interiores do Amazonas. Além disso, acredito que precisamos ampliar cada vez mais a participação das mulheres nos espaços de decisão e fortalecer a representação feminina na política.

O meu compromisso é continuar trabalhando por soluções concretas que melhorem a qualidade de vida dos amazonenses, tanto na capital quanto no interior.

6) Na sua opinião, quem seria o melhor governador e por quais motivos?

Sou suspeita para falar, porque faço parte do grupo político do governador Roberto Cidade, e onde ele estiver, eu estarei com ele. Tenho acompanhado de perto seu trabalho e acredito que ele tem demonstrado capacidade de gestão, diálogo e compromisso com as demandas da população amazonense.

Em pouco tempo à frente do governo, ele conseguiu avançar em pautas importantes relacionadas à infraestrutura, saúde e segurança pública, temas que impactam diretamente a vida das pessoas. Além disso, como mãe atípica, faço questão de reconhecer sua sensibilidade com as pautas voltadas às pessoas com deficiência e ao transtorno do espectro autista.

Mais do que nomes, acredito que o Amazonas precisa de lideranças comprometidas com resultados, que conheçam a realidade do nosso povo e estejam dispostas a trabalhar pelo desenvolvimento do estado e pela melhoria da qualidade de vida da população.

 

Texto: Michelle Portela

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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