Chimarrão (Glaucus Saraiva)
“…Amargo doce que sorvo
Num beijo em lábios de prata
Tens o perfume da mata
Molhada pelo sereno
E a cuia, seio moreno,
Que passa de mão em mão
Traduz, no meu chimarrão,
Em sua simplicidade,
A velha hospitalidade
Da gente do meu rincão…”
Todo gaúcho que madruga para tomar seu chimarrão, geralmente tem seus negócios equilibrados. Quando tomamos nosso chimarrão ordenamos nosso dia a dia e planejamos nossos negócios, ninguém mateia com pressa.
Vamos bebendo nosso mate, pensando na vida, colocando os pensamentos em ordem, porque pra matearmos precisamos de calma e de sossego, por vezes, precisamos de silêncio, mas aquele chimarrão tomado na roda entre os amigos e familiares, a conversa vai fluindo e a cuia vai passando de mão em mão com muita amizade.
– A MÃO DIREITA – Para receber e entregar a cuia para a outra pessoa, deverá ser feita com a mão direita. Se por acaso a mão direita estiver ocupada, daí se devolve com a mão esquerda dizendo: “desculpe a mão” ou “é a mesma do coração”.
– ÁGUA DO MATE – A temperatura da água para preparar o mate, nunca deve estar muito quente, pois pode queimar a erva deixando o mate lavado.
– RODA DO MATE – O sentido da volta da roda do mate, deverá partir da direita do enchedor do mate. É comum após o mate que for do cevador (o que faz o mate) ter início a roda de mate, a partir do mais velho ou alguém que se queira homenagear, sendo assim pode furar a fila.
– SÓ O CEVADOR PODE MEXER NO MATE – Só o cevador pode arrumar o mate, que pode tocar na bomba, arrumar o topete que caiu, ao menos que você tenha permissão para mexer, pois é considerado uma falta de respeito alguém mexer na cuia, ou melhor na bomba.
– RONCAR A CUIA – O mate deve ser tomado todo, até fazer roncar a cuia.
– AGRADECIMENTO – Apenas agradecemos o mate, quando devolvermos a cuia e não quisermos mais tomar mate.
– MATE DE ESTRIBO – É o mate que se toma antes de ir embora. Normalmente o cevador costuma dizer para a pessoa que está por sair, “tome outro para o estribo”.
– O ÚLTIMO MATE – Nunca se diz: tome o último mate, porque o último nunca se toma, só o destino pode oferecer.
– MATE DO JOÃO CARDOSO – É o mate que nunca chega, fica só na surpresa. Aquele mate que as pessoas ficam conversando e o dono da casa diz: “já vou fazer um mate” e nunca vai fazer é só promessa.
– MATE TAMANQUEADO – Costume de chamar assim quando a roda do mate está na sala e a pessoa se levanta e vai na cozinha encher a cuia, fazendo com que o mate chegue na sala frio. Quando se oferece esse mate a alguém, em geral a pessoa não é bem-vinda.
– MATE DOCE- É mais usado pelas mulheres, toda vez que for servir coloca-se uma colher pequena de açúcar. Também se toma mate com mel, açúcar queimado, leite com canela, casca seca de laranja. Mas a cuia do mate doce não pode ser a mesma do mate amargo. Quando a mulher ganha nenê e o leite não desce para amamentar, é costume dar mate doce ou mate com leite, para o leite materno descer.
Escritora

