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Uruguaiana nasceu sob a bandeira Farroupilha

Na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, às margens do Rio Uruguai, Uruguaiana destaca-se por sua singular origem ligada aos revoltosos da Revolução Farroupilha. Conectada internacionalmente, a cidade abriga o maior porto seco da América Latina e pulsa com a rica cultura do Pampa.

Fundada em 1823 e consolidada sob a proteção da Bandeira Farroupilha por iniciativa de Domingos José de Almeida, a cidade é a única do país criada diretamente por esse marco revolucionário.

Sede do maior porto seco da América Latina, a região faz fronteira com a Argentina através da Ponte Internacional Getúlio Vargas–Agustín P. Justo e conta com modernos free shops que atraem visitantes de todo o sul.

Com acesso viário pela BR-290 e voos regulares para o aeroporto local, Uruguaiana convida os visitantes a desfrutarem de grandes eventos como o tradicional Carnaval Fora de Época e a pioneira Califórnia da Canção Nativa.

Existem cidades brasileiras que só existem por causa de uma revolução. Na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, à beira do Rio Uruguai, um município fundado pelos revoltosos da Revolução Farroupilha virou hoje o maior porto seco da América Latina. Também é ponto de encontro entre três países, sede do primeiro festival de música nativista regionalista do Sul e das primeiras estâncias jesuíticas agropecuárias da região.

 

Como uma cidade fundada em 1823 virou a única fundada pelos Farroupilhas?

Uruguaiana foi fundada em 24 de fevereiro de 1823, às margens do Rio Uruguai, na atual Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. A emancipação política e administrativa aconteceu apenas em 29 de maio de 1846. O que a torna singular é a origem: segundo o portal oficial da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo do Rio Grande do Sul, é a única cidade do Brasil fundada sob a proteção da Bandeira Farroupilha

A iniciativa partiu de Domingos José de Almeida, Ministro da Fazenda Rio-Grandense durante a Revolução Farroupilha (1835-1845). O ministro julgou necessária a criação de um povoado às margens do rio para consolidar posições estratégicas na região da fronteira. A cidade cresceu sob a marca dos revolucionários gaúchos e mantém, até hoje, forte identidade com a tradição farroupilha. Décadas depois, foi palco de batalhas da Guerra do Paraguai, quando foi tomada pelas tropas paraguaias e retomada após um cerco de seis semanas.

 

Por que Uruguaiana carrega o título de maior porto seco da América Latina?

A posição geográfica sempre foi um trunfo econômico. A cidade fica à beira do Rio Uruguai, diretamente conectada à cidade argentina de Paso de Los Libres pela Ponte Internacional Getúlio Vargas–Agustín P. Justo. Também está a poucos quilômetros da fronteira com o Uruguai, o que a coloca no centro de um dos mais importantes eixos comerciais do Mercosul.

Segundo dados do Governo do Rio Grande do Sul, Uruguaiana concentra o maior porto seco da América Latina, com movimentação intensa de cargas rodoviárias e ferroviárias entre o Brasil e os países vizinhos. Foi também a primeira cidade brasileira a implantar free shops, com oito empreendimentos em funcionamento. O comércio livre de impostos atrai visitantes de todo o sul do país e movimenta a economia local ao longo do ano. A cidade também aparece como referência regional na produção de arroz e gado de corte, dois pilares do agronegócio gaúcho.

O que ver na fronteira tríplice entre Brasil, Argentina e Uruguai?

A Ponte Internacional Getúlio Vargas–Agustín P. Justo é o principal cartão-postal da fronteira. Além de importante rota de comércio, oferece vista panorâmica do Rio Uruguai e simboliza a integração entre os dois países. Muitos visitantes cruzam a ponte apenas para conhecer Paso de Los Libres, cidade argentina que se conecta ao dia a dia dos uruguaianenses.

O centro urbano mantém arquitetura preservada do século XIX. A Catedral de Sant’Ana, construída entre 1861 e 1874, é uma das principais obras religiosas da cidade e nasceu junto com a formação do povoado. Nas proximidades, o Mercado Municipal concentra comerciantes tradicionais, produtos regionais e a rotina dos moradores. Uma das atrações inusitadas é o Chimarródromo, uma pequena “estação” na praça central que oferece água quente para o chimarrão, ritual central da cultura gaúcha.

Que atrações históricas e naturais completam o roteiro?

Além dos grandes eventos e do centro histórico, o município oferece atrações que combinam natureza e cultura tradicional. Confira abaixo os destaques:

– Rio Uruguai: divisa natural com a Argentina, com atividades de pesca esportiva e passeios de embarcação.

– Bioma Pampa: um dos ecossistemas mais importantes do mundo, formado por campos naturais e vegetação de estepe.

– Estâncias tradicionais: com passeios a cavalo, churrasco, música regional e imersão no estilo de vida gaúcho.

– Estâncias Jesuíticas Agropecuárias: as primeiras da região, abasteciam antigas reduções religiosas.

– Ruínas de forte às margens do Rio Uruguai: patrimônio militar do período colonial.

– Free shops: comércio livre de impostos com produtos importados de Argentina e outros países.

– Praça Rio Branco: coração cívico da cidade, com o Chimarródromo e casarões do século XIX.

 

Fonte: Brasil 247-Por Ana Carolina

 

Escritora

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