Trump acusa Brasil de falhar no combate ao PCC e Comando Vermelho

Presidente dos Estados Unidos afirma que facções transformaram o país em ponto estratégico para o fluxo internacional de cocaína; governo brasileiro rejeita acusação e cita operações contra o crime organizado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o governo brasileiro de falhar no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), duas das maiores organizações criminosas do país. A declaração consta de uma determinação presidencial encaminhada ao Congresso americano sobre ações de combate ao narcotráfico.

No documento, Trump afirma que, enquanto outros governos do Hemisfério Ocidental adotam medidas para reduzir o fluxo de drogas e combater cartéis, o Brasil teria falhado em confrontar PCC e Comando Vermelho. Segundo a Casa Branca, as duas organizações transformaram o território brasileiro em um ponto estratégico para os fluxos globais de cocaína.

O governo americano também sustenta que as facções representam uma ameaça crescente para além das fronteiras brasileiras e cobra do país medidas mais firmes para impedir a expansão das organizações criminosas.

Brasil ficou fora de lista de países que “falharam”

Apesar do tom das declarações, o Brasil não foi incluído na relação formal de governos que, na avaliação dos Estados Unidos, apresentaram falhas substanciais no cumprimento de compromissos internacionais de combate ao narcotráfico nos 12 meses anteriores.

Nessa categoria aparecem Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia. O Brasil também ficou fora da relação de 23 países classificados como grandes produtores de drogas ilícitas ou importantes rotas de trânsito do narcotráfico.

A crítica ao governo brasileiro aparece separadamente no documento e representa uma mudança em relação à determinação presidencial de 2025, quando o Brasil não havia sido mencionado.

EUA classificaram PCC e CV como organizações terroristas

A manifestação ocorre meses depois de Washington ampliar a pressão sobre as facções brasileiras. Em maio deste ano, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a designação do PCC e do Comando Vermelho como Terroristas Globais Especialmente Designados e informou que ambos passariam a ser classificados como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), medida com vigência a partir de 5 de junho.

Na ocasião, o governo americano descreveu PCC e CV como duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil e afirmou que suas redes ilícitas ultrapassam as fronteiras brasileiras. A administração Trump também declarou que utilizaria instrumentos disponíveis para interromper fontes de financiamento das organizações e combater o narcotráfico internacional.

Governo brasileiro rejeita acusação

O Ministério da Justiça e Segurança Pública contestou as declarações de Washington e afirmou que o Brasil “refuta quaisquer alegações de que existam falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional”.

Em resposta, o governo brasileiro citou operações realizadas pelas forças de segurança, medidas para atingir financeiramente as organizações criminosas e ações implementadas em 2026 dentro do programa Brasil contra o Crime Organizado.

O Ministério da Justiça também destacou uma operação integrada realizada em 19 estados, que resultou em mais de 170 mandados de busca e apreensão, 137 prisões, 44 flagrantes e bloqueio judicial superior a R$ 508 milhões em bens e ativos, segundo dados divulgados pela pasta.

A manifestação de Trump adiciona um novo ponto de tensão à relação entre Brasília e Washington e amplia para a área de segurança pública e combate ao narcotráfico uma discussão que envolve também a atuação internacional das principais facções criminosas brasileiras.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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