Quaraí é um município brasileiro no sul do Rio Grande do Sul, conhecido por sua localização na fronteira com o Uruguai (divisa com Artigas), seu clima pampa, e o Rio Quaraí, que dá nome à cidade e significa “Rio das Garças” ou “Rio do Sol” em Tupi-Guarani, sendo um local rico em história e cultura gaúcha, além de pontos turísticos como o Cerro do Jarau e o Sítio do Area
O “Quaraí Futebol Clube” é um clube tradicional da cidade de Quaraí, RS, conhecido por sua história no futebol gaúcho, com destaque para o seu time principal, o GE Universal, que disputou a Divisão de Acesso e teve boas campanhas nos anos 30 e 90, embora não seja um clube profissional ativo atualmente, seu legado vive através de camisas e memória, sendo uma parte importante da identidade esportiva local, ligada também ao futebol de Artigas (Uruguai).

Principais pontos sobre o Quaraí Futebol Clube (GE Universal):
- Fundação: O Universal (GE Universal) foi fundado em 27 de fevereiro de 1927.
- História: O clube teve uma presença notável no futebol gaúcho, com destaque para o quarto lugar no Gauchão de 1933 e a última participação profissional na Divisão de Acesso em 1994.
- Títulos: Conquistou três títulos municipais em 1960, 1979 e 1980.
- Estádio: Mandava seus jogos no Estádio Aloísio Falcão.
- Legado: A cidade de Quaraí tem uma forte ligação com o futebol, inclusive com times históricos como o Novo Quarahy Football Club, e a paixão pelo esporte ainda existe, com a venda de camisas retrô.
- Futebol na Fronteira: O futebol em Quaraí sempre esteve ligado ao de Artigas, no Uruguai, devido à proximidade da fronteira. Embora não esteja nos holofotes profissionais hoje, o GE Universal e outros times representam a rica história do futebol na cidade de Quaraí.
Ana Wurfel – Quaraí – RS
…”Eu sou filha do goleiro do time Quarai, Lino Raul Vargas Abella casado com Eloa Lopes
Abella. Morei na sede por volta dos anos 60. Lembro muito de tudo, meu pai cuidava da
sede. Tinha cancha de bocha. Não sei quem construiu, mas sei que meu pai Raul cuidou
muito, pois lembro da troca do telhado da cancha de bocha que era de palha tenho fotos do
meu pai no time. E o meu tio Heron era zagueiro do mesmo time de futebol.”…
William Vladimir Bitencourt Siqueira – Ponta Grossa – PR
…”A experiência na sede do Quaraí foi marcante em minha vida. Vivi ali por alguns anos, mais precisamente entre 1983 e 1984, quando eu tinha aproximadamente 14 anos. Meu pai, Omar Siqueira, conhecido como Cartaz, venceu a concorrência para administrar o bar da sede do Quaraí. Naquela época, a sede era completa, com diretoria, presidente e tudo mais. O presidente era Jairo Gaudi, que cultivava arroz em Quaraí.
Meu pai, para ganhar a concorrência, apresentou uma proposta detalhada. Ele se propôs a pagar um valor fixo de aluguel e arcar com as despesas de luz, telefone e, se houvesse, água da sede do Quaraí, além de se responsabilizar pela manutenção. Essa proposta, bem estruturada, garantiu que ele vencesse a concorrência. Após a vitória, nos mudamos para lá. No fundo do prédio, havia uma pequena peça quadrada que pertencia ao clube. A utilizamos como alojamento, um quarto. A cozinha do bar era a que usávamos. Assim, morávamos nas dependências da sede.
Ali permanecemos por alguns anos, até eu ingressar no quartel. Trabalhei com meu pai, especialmente na cancha de bocha. Fazíamos a manutenção, conforme previsto no contrato dele. Naquela época, a cancha de bocha, que antes era de barro, foi reformada. A superfície foi refeita com concha marinha. Uma grande quantidade de conchas marinhas foi adquirida, e o trabalho consistia em moê-las com um cilindro. O resultado era um pó, que depois era peneirado. Esse pó, semelhante a cimento, era misturado com água e areia para formar uma massa. Essa massa foi utilizada para criar o novo piso da cancha de bocha.
Com isso, desde jovem comecei a praticar bocha nos horários de folga, após a escola e as tarefas na cancha. Treinava constantemente e acabei integrando a equipe de bocha da sede do Quaraí, jogando com os jogadores mais experientes. Eu era o único jovem na equipe. Representava a sede do Quaraí em jogos fora da cidade, inclusive em Artigas, no Uruguai. Tínhamos uniforme e tudo mais. Participei de torneios da cidade e fui campeão.
Além disso, eu ajudava meu pai a atender o bar. Na mesma época, a escola de samba – MIFA, cujo nome completo era “Mocidade Independente de Fidalgos e Aristocratas”, ensaiava na sede do Quaraí. A sede era bastante movimentada, com torneios de bocha e equipes de outras cidades e do Uruguai competindo. Depois que saímos, a sede acabou sendo negligenciada. Meu pai era muito dedicado e sempre mantinha o local organizado e limpo. Era outra atmosfera.
Onde hoje funciona uma loja de refrigeração, ficava a sala de troféus do clube. Lá estavam expostos muitos troféus e quadros de toda a história do clube. Havia uma taça grande, que, se não me engano, o Quaraí foi campeão de futebol, talvez da segunda divisão do campeonato gaúcho, na década de 1950 ou 1960. Eu cuidava da manutenção da sala, limpava os troféus e organizava os uniformes, tanto do time de futebol quanto da equipe de bocha, que usava calças brancas, sapatos brancos e camisas pretas e brancas com o distintivo do Quaraí FC. A sala de troféus também servia como escritório do presidente.
Meu pai Omar Siqueira, que agora já é falecido, fazia parte do time do Quaraí Futebol Clube, na década entre os anos 50 a 60, ele era goleiro do Quaraí Futebol Clube, era muito bom goleiro, então foi colocado um apelido nele, de “Cartaz”, todo mundo lá na cidade conhecia ele. Esse apelido deu-se porque ele dentro do campo para defender uma bola, dava uma voadora e defendia a bola. Então ele fazia muita pose, muita voadora e foi que alguém acabou apelidando assim, por causa disso, e pegou o apelido e na cidade.”…