Perfuração do poço Morpho já dura dez meses e está a cerca de 500 metros do objetivo final; operação sofreu atrasos após incidente com fluido de perfuração
A Petrobras prevê concluir até o início de setembro a perfuração do poço exploratório Morpho, o primeiro na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira. A estimativa foi apresentada pela diretora de Exploração e Produção da estatal, Sylvia Anjos, durante coletiva de imprensa sobre os resultados do segundo trimestre da companhia.
Segundo informações publicadas pelo portal eixos, a Petrobras está a aproximadamente 500 metros do objetivo final do poço e se prepara para iniciar a oitava fase da perfuração. A expectativa da companhia é encerrar os trabalhos até o fim de agosto ou, no máximo, no começo de setembro.
O cronograma atual representa uma extensão significativa em relação ao planejamento inicial. A operação já acumula cerca de dez meses, enquanto a previsão original era de aproximadamente cinco meses para a conclusão dos trabalhos.
Incidente provocou paralisação
Parte do atraso ocorreu após um incidente registrado no início de janeiro. Na ocasião, houve vazamento de 18.440 litros de fluido de perfuração da sonda ODN II, o que levou à interrupção das atividades por mais de um mês.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras em decorrência do episódio. A estatal informou, à época, que o material era biodegradável e que a ocorrência não representava risco à segurança da perfuração.
Os atrasos também podem aumentar o custo da operação. A estimativa inicial da Petrobras era de um investimento de aproximadamente R$ 842,4 milhões para a perfuração do poço localizado na costa do Amapá. A ampliação do prazo e os custos relacionados ao incidente podem elevar o valor final do projeto.
Exploração em nova fronteira petrolífera
O poço Morpho integra os esforços de exploração da Margem Equatorial, região considerada estratégica pela Petrobras para avaliar novas reservas de petróleo e gás no país.
A área vem sendo alvo de debates ambientais e econômicos nos últimos anos. A Petrobras sustenta que a perfuração exploratória é necessária para conhecer o potencial geológico da região. O poço associado ao bloco FZA-M-59 está situado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e a mais de 500 quilômetros da foz do rio Amazonas, segundo informações divulgadas anteriormente pela própria companhia.
A perfuração tem caráter exploratório. Isso significa que o objetivo atual é obter informações sobre as características geológicas da área e verificar a eventual presença de petróleo e gás em condições que possam justificar etapas posteriores de avaliação.
A conclusão do poço será, portanto, uma etapa importante para que a Petrobras obtenha dados mais precisos sobre o potencial petrolífero dessa parcela da Margem Equatorial. Os resultados da perfuração deverão ajudar a definir os próximos passos da companhia na região.
Fonte: Eixos

