Recursos incluem R$ 2,5 bilhões para novos poços e infraestrutura no Polo de Urucu e R$ 303,5 milhões para construção de 18 barcaças em estaleiro de Manaus
O Amazonas receberá mais de R$ 2,8 bilhões em investimentos da Petrobras e da Transpetro até 2030, em um pacote que envolve ampliação da produção de petróleo e gás natural no interior do estado e novas encomendas para a indústria naval instalada em Manaus.
A maior parcela dos recursos, cerca de R$ 2,5 bilhões, será destinada ao Polo de Urucu, localizado no município de Coari. A Petrobras prevê perfurar novos poços e instalar aproximadamente 40 quilômetros de linhas para conectar as novas estruturas de produção.
Outra frente será executada na capital amazonense. A Transpetro encomendou 18 barcaças ao Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, em contrato de R$ 303,5 milhões.
Segundo o governo federal, somente a construção dessas embarcações deve gerar cerca de 3,3 mil empregos diretos e indiretos no Amazonas.
Urucu volta a receber novos poços
O investimento representa a retomada de uma frente importante no Polo de Urucu após dez anos sem investimentos na construção de novos poços, segundo as informações divulgadas pelo governo federal.
Localizada em plena Amazônia, no município de Coari, Urucu completa 40 anos de operação em 2026 e é considerada a maior província petrolífera terrestre do Brasil.
Atualmente, o polo apresenta produção média equivalente a aproximadamente 105 mil barris de óleo por dia. Com os novos investimentos, a Petrobras estima um incremento médio de 4,4 mil barris por dia na produção.
A produção de Urucu possui peso estratégico para o abastecimento energético regional.
Segundo dados apresentados durante o anúncio dos investimentos, o gás natural produzido no polo contribui para a geração de aproximadamente 65% da energia elétrica consumida em Manaus e outros cinco municípios.
Urucu também produz gás liquefeito de petróleo (GLP). A produção média informada equivale a cerca de 80 mil botijões por dia, destinados ao abastecimento dos estados da Região Norte e de parte do Nordeste.
Manaus construirá 18 barcaças
A outra parte do investimento coloca a indústria naval amazonense dentro do programa de renovação da frota do Sistema Petrobras.
As 18 barcaças serão construídas em Manaus pelo Estaleiro Bertolini e utilizadas pela Transpetro na logística de fornecimento de combustível marítimo.
Dez embarcações terão capacidade de 3 mil toneladas de porte bruto, enquanto outras oito terão capacidade para 2 mil toneladas. As unidades poderão chegar a 70 metros de comprimento.
As barcaças não terão propulsão própria e serão movimentadas por empurradores. Elas poderão transportar diferentes tipos de combustíveis em tanques separados e terão possibilidade de operar com alimentação elétrica quando estiverem em terra e utilizar energia solar.
O contrato das barcaças está avaliado em R$ 303,5 milhões.
Além delas, a Transpetro contratou 18 empurradores, que serão construídos em Santa Catarina por R$ 325,3 milhões. Considerados em conjunto, barcaças e empurradores representam investimentos de aproximadamente R$ 628 milhões.
Indústria naval ganha novas encomendas
As embarcações integram o Programa Mar Aberto, criado para renovar e ampliar a frota própria do Sistema Petrobras.
Até maio, a Transpetro já havia encomendado 52 embarcações dentro do programa, representando investimentos próximos de R$ 11,6 bilhões até 2030. O planejamento mais amplo prevê a construção de 96 embarcações e investimentos de R$ 34,8 bilhões.
No Plano de Negócios 2026–2030, a Petrobras também prevê ampliar a frota e otimizar seus ativos logísticos, buscando reduzir custos operacionais e aumentar sua presença em mercados como o Arco Norte.
Para o Amazonas, a encomenda possui um efeito que vai além da incorporação de novas embarcações à frota da estatal: mantém parte dos investimentos da cadeia de petróleo e gás dentro do próprio estado por meio da contratação da indústria naval local.
Logística de combustíveis deve reduzir custos
Atualmente, a Petrobras desembolsa cerca de R$ 300 milhões por ano com contratos de terceiros para realizar transporte e abastecimento de bunker — combustível utilizado por navios — nos principais portos brasileiros.
Com as novas embarcações, a estratégia é concentrar parte do armazenamento e da distribuição desse combustível na Transpetro, reduzindo custos logísticos.
As barcaças construídas em Manaus deverão atuar na cadeia de abastecimento marítimo em diferentes portos brasileiros, enquanto a fabricação das unidades movimentará trabalhadores, fornecedores e serviços ligados ao setor naval amazonense.
Investimentos conectam interior e capital
Os dois projetos atingem segmentos diferentes da economia estadual.
Em Coari, os recursos serão direcionados à exploração e à infraestrutura necessária para ampliar a produção no Polo de Urucu. Em Manaus, a construção das embarcações movimentará a indústria naval e sua cadeia de fornecedores.
O pacote coloca, portanto, dois ativos econômicos históricos do Amazonas dentro do planejamento de investimentos até 2030: a produção de petróleo e gás no interior e a capacidade de construção naval instalada na capital.
Em um estado onde infraestrutura e custos logísticos permanecem entre os principais obstáculos ao desenvolvimento, os investimentos também reforçam o papel estratégico dos rios e da energia na integração da economia amazônica.
Fonte: Petrobras, Transpetro e Governo Federal.

