Alta de R$ 0,45 por litro começou a valer em 1º de novembro. Companhia atribui reajuste à valorização internacional do combustível em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio e à redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia.
A Petrobras anunciou um aumento de 7,2% no preço médio do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras. O reajuste, que representa um acréscimo de R$ 0,45 por litro em relação ao mês anterior, entrou em vigor neste domingo, 1º de novembro, e deve elevar os custos operacionais das companhias aéreas, com possíveis reflexos no preço das passagens.
Segundo a estatal, a elevação acompanha a valorização das cotações internacionais do combustível, influenciada pelo agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia, em decorrência do conflito entre os dois países.
O novo aumento ocorre após uma sequência de reajustes. Em outubro, a Petrobras já havia elevado o preço médio do QAV em 11,76%, equivalente a aproximadamente R$ 0,65 por litro. A sucessão de altas amplia a pressão sobre o setor aéreo, que tem no combustível uma das principais despesas de operação.
Combustível representa mais de 45% dos custos das companhias
De acordo com informações da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), a participação do querosene de aviação nos custos operacionais das companhias brasileiras passou de aproximadamente 30% para mais de 45% desde o início da escalada dos conflitos no Oriente Médio.
O encarecimento do combustível pode levar as empresas a rever estratégias comerciais, ajustar a oferta de voos e repassar parte dos custos adicionais aos consumidores. Entretanto, o reajuste do QAV não significa necessariamente um aumento imediato e proporcional nas tarifas, já que os preços das passagens também dependem da demanda, da concorrência, da ocupação das aeronaves e de outros custos operacionais.
Petrobras afirma que mecanismo reduz oscilações
A Petrobras informou que utiliza uma fórmula paramétrica prevista em contrato com as distribuidoras para calcular os preços do combustível. O mecanismo considera as condições do mercado internacional e funciona como um amortecedor das oscilações de curto prazo.
Segundo a companhia, enquanto no mercado internacional os preços do querosene de aviação podem sofrer alterações diárias, no Brasil os reajustes são realizados mensalmente. A estatal afirma que as variações acumuladas no país desde o início do conflito permanecem inferiores às observadas em outros mercados internacionais.
A empresa também destaca que o modelo contratual permite uma transmissão mais gradual das oscilações externas para o mercado brasileiro.
Pressão sobre o setor aéreo
O aumento do QAV ocorre em um momento de preocupação das empresas aéreas com a evolução dos custos e a sustentabilidade das operações. Como o combustível representa uma parcela expressiva das despesas, novas altas podem influenciar decisões sobre rotas, frequências e capacidade de atendimento.
Para os passageiros, o principal reflexo pode aparecer no valor das tarifas, especialmente em períodos de maior procura por viagens. A dimensão desse impacto, porém, dependerá da estratégia adotada pelas companhias e do comportamento dos preços internacionais do petróleo e dos derivados.
O novo reajuste reforça a influência do cenário geopolítico internacional sobre o transporte aéreo brasileiro e mantém os custos com combustível entre os principais desafios enfrentados pelo setor.

