Uma linda história de muita coragem, sendo que superar é a capacidade de vencer, ultrapassar ou sobrepujar desafios, adversidades, dificuldades e situações desagradáveis, transformando-as em aprendizado e crescimento, através de uma mudança de perspectiva e atitudes, envolvendo força mental, resiliência, foco em objetivos e a decisão consciente de seguir em frente, mesmo quando há dor ou sofrimento, utilizando as experiências passadas para construir um futuro melhor.
A entrevista de hoje é com o professor Universitário Luis Felipe Dias Lopes, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), onde ele reside atualmente.
Como foi tua infância e sua adolescência?
…”A minha infância foi até os 15 anos “no Alegrete”. Morava na Coxilha, como dizia meu pai, na Avenida Assis Brasil, em frente aos blocos do BNH. Lá tive o prazer de construir amizades que mantenho até hoje, algumas presencialmente e outras por meio das redes sociais.
Entre idas e vindas ao colégio Divino Coração, sempre fui incentivado por minha mãe a praticar esportes: handebol, vôlei e basquete. De vez em quando, arriscava-me no atletismo, sempre em provas de força, como o lançamento de peso. No verão, praticava natação e, esporadicamente, também me aventurava no ciclismo, pois tinha uma Caloi 10.
Em 1992, vim morar em Santa Maria para cursar o ensino médio no Colégio Maria Rocha, mas nunca deixei de retornar aos pagos no Trem Húngaro para rever meus amigos de infância ao longo do ano, seja nas boates de sábado e domingo no Clube Caixeiral, seja, no verão, na piscina do Clube Real.
No Colégio Maria Rocha, no primeiro ano, pratiquei vôlei; no segundo e no terceiro anos, pratiquei handebol, modalidade na qual tive o prazer de integrar a equipe da ADUFSM, da UFSM, no time juvenil.”…
Como é trabalhar como professor na Universidade, onde se trabalha com jovens e seus sonhos?
…”Primeiro, gostaria de registrar que, antes de entrar na UFSM, passei pela UNIJUÍ, onde trabalhei por quase seis anos (1991–1996). Foi lá que iniciei, de fato, minha carreira acadêmica, ministrando aulas de Estatística para o curso de Administração. Após a efetivação, atuei em diversos cursos, lecionando estatística e disciplinas da área de Matemática.
Em 1992, fiz concurso para professor substituto na UFSM e, em 1996, efetivei-me como professor do Departamento de Estatística. Nesse período, aprendi a conviver com jovens e também com adultos que carregavam o sonho de conquistar uma profissão e construir uma trajetória acadêmica e profissional.
Já com o Mestrado, em 2000, recebi o convite para lecionar no Mestrado em Engenharia de Produção, momento em que passei a consolidar minha atuação não apenas como docente, mas também como professor pesquisador, ampliando minha inserção na vida acadêmica e científica.”…
Nos conte sobre seu trabalho e seus projetos?
…”Em 2012, como chefe do Departamento de Estatística, criei o Curso de Bacharelado em Estatística, que na época, foi o único curso implantado pelo CCNE (Centro de Ciências Naturais e Exatas) no âmbito do projeto REUNI.
Em 2013, contudo, recebi um convite para me transferir para o Departamento de Ciências Administrativas, o que representou um grande desafio. Deixei a zona de conforto de ministrar exclusivamente disciplinas práticas de Estatística para começar praticamente do zero, passando a lecionar disciplinas voltadas à área da Administração, como Administração da Produção, Administração da Qualidade, Introdução à Administração e Gestão de Pessoas.
Passados 12 anos, essa transição tornou-se parte da rotina acadêmica semestral. Atualmente, possuo orientandos de mestrado e doutorado; na graduação, ministro disciplinas de gestão e análise de dados; e, na pós-graduação, atuo com Estatística Multivariada.
No período de 2000 a 2025, já formei 85 especialistas, 74 mestres e 26 doutores. Minhas linhas de pesquisa concentram-se em comportamento organizacional, doenças ocupacionais e inovação tecnológica.
Sou pesquisador nível 2 do CNPq, com mais de 390 artigos publicados. Atualmente, sou o pesquisador número UM da UFSM na área de Ciências Matemáticas e ocupo a 79ª posição entre os 597 pesquisadores da UFSM, a 5.976ª posição entre os 95.527 pesquisadores do Brasil e, com orgulho, a 9.169ª posição entre os 233.112 pesquisadores da América Latina, integrando, assim, o grupo dos 10 mil pesquisadores mais produtivos da América Latina.”…
Quais esportes você praticou ao longo da sua vida, de qual mais gostava? E como foi seu acidente praticando esportes.
…”Sempre fui incentivado por minha mãe a praticar esportes. Meu primeiro contato foi com um esporte de defesa: a natação, pois a grande preocupação dela era o rio Ibirapuitã, na cidade de Alegrete, onde meu pai tinha o prazer de me levar para nos banharmos.
Depois, passei pela escolinha de vôlei do Clube 7 de Setembro e, como hobby, eu e meus amigos de infância frequentávamos as quadras de tênis espalhadas por Alegrete para praticar esse esporte, além dos campinhos de futebol, onde aconteciam as tradicionais peladas. No Colégio Divino Coração, pratiquei vôlei, basquete e handebol.
Ao vir para Santa Maria, no Colégio Maria Rocha, continuei praticando vôlei e handebol. Quando ingressei na faculdade, na FIC (atual Universidade Franciscana), praticava vôlei, especialmente vôlei de duplas, modalidade pela qual sempre tive grande apreço.
Já adulto, e atuando como professor, voltei a jogar futebol de salão, futebol sete e tênis. Há mais de 20 anos, inclusive, criamos um grupo de tênis no Clube Dores, chamado “Garron Wells”. Com o tempo, alguns integrantes desse grupo passaram a praticar mountain bike, e eu comecei a pedalar pelas estradas e trilhas ao redor de Santa Maria. Como sempre tive um perfil competitivo, cheguei a participar de algumas provas, inclusive em Alegrete.
No entanto, em 13 de outubro de 1998, o destino me pregou uma peça. Em um desses passeios, fui atropelado por um carro na estrada, episódio no qual lutei por dias pela vida. Foram 31 dias de internação hospitalar, seguidos de quatro meses de hospitalização domiciliar, um período que marcou profundamente minha trajetória pessoal e esportiva.
No dia 1º de março de 1999 voltei a trabalhar de cadeira de rodas e fui recebido por todos os colegas e alunos que sempre tiveram no meu lado dando força para a minha recuperação. Ainda em 1998, no mês de dezembro, após o acidente, tive o grande prazer de ver meu filho mais velho se formar em Medicina pela UFSM.”…
Agora, nesse momento da vida você está voltando a se exercitar, porque optou pelo padel, esse esporte que vem ganhando os brasileiros?
…”Sete anos depois do acidente, iniciei um novo esporte: o padel, que eu já conhecia e até havia experimentado algumas vezes, mas ao qual ainda não era adepto. Na época em que precisei interromper a prática esportiva em função do acidente, havia poucas quadras de padel na cidade, o que também dificultava a continuidade.
Hoje, com oito meses de prática, algumas aulas, o esporte tem representado muitos desafios, aprendizados, parcerias, além da construção de novas amizades e do reencontro com antigos e praticantes, tornando-se uma experiência extremamente enriquecedora.”…
Felipe do que você mais se orgulha nessa vida?
…”Tenho orgulho da minha família, da educação que recebi dos meus pais, da minha esposa, que está ao meu lado há mais de 38 anos, e dos meus filhos: o mais velho, médico, e a mais nova, que se formará no próximo ano em Medicina Veterinária.
Também tenho muito orgulho da minha profissão, da trajetória que construí como professor e pesquisador, e da oportunidade de contribuir para a formação de pessoas e para o desenvolvimento do conhecimento.”…
Deixe uma mensagem para quem, por um motivo ou outro na vida, deixou de se exercitar, já que a atividade física é muito importante pra nossa saúde?
…”Não desista dos seus objetivos. Busque uma vida mais saudável e volte a se exercitar, respeitando seus limites. A prática esportiva faz bem para o corpo e para a mente, fortalece a saúde emocional e melhora a qualidade de vida.
O esporte também aproxima as pessoas: a cada dia, ele nos presenteia com novas amizades, parcerias e histórias compartilhadas. Nunca é tarde para recomeçar — o primeiro passo já é uma vitória.”…
Escritora

