rasília/DF (30/06/2026) – Em uma das maiores ofensivas recentes contra o crime ambiental no Pará, o Ibama concluiu, na última semana, a Operação Xapiri Mebêngôkré. Realizada em áreas remotas e de difícil acesso na bacia hidrográfica do Xingu, no sudoeste do estado, a ação desarticulou frentes ativas de mineração ilegal e gerou prejuízo estimado em R$ 33 milhões para organizações criminosas que atuam na região. A operação focou na proteção das terras indígenas (TIs) Kayapó e Kuruaya, locais onde a atividade ameaça a biodiversidade, contamina rios e põe em risco a sobrevivência dos povos originários.
O sucesso da operação exigiu do Ibama uma engenharia logística minuciosa. Grande parte dos alvos estava localizada em áreas isoladas da Floresta Amazônica, desprovidas de acesso rodoviário e distantes de qualquer centro urbano. Para romper essa barreira geográfica, o Instituto mobilizou uma estrutura robusta de suporte:
- Suporte aéreo: helicópteros foram empregados para o reconhecimento detalhado dos alvos, garantia de transporte rápido dos fiscais e viabilização do apoio logístico onde o deslocamento terrestre ou fluvial seria impossível;
- Bases estratégicas: pontos de apoio foram montados em municípios-chave da região para vistorias em locais sensíveis;
- Ação interagências: Na primeira fase da operação, o Ibama atuou em conjunto com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e com a Polícia Federal (PF), ampliando o campo de atuação.
A complexidade geográfica impôs a necessidade de aplicação do artigo 111 do Decreto Federal nº 6.514/2008, que respalda a destruição imediata dos equipamentos. Sem estradas para a remoção, deixar o maquinário intacto significaria permitir que os criminosos retomassem o garimpo poucas horas após a saída das equipes.
A neutralização dessas ferramentas representa um ganho ambiental inestimável para a Amazônia. A inutilização de 45 escavadeiras hidráulicas — principal ativo operacional do garimpo — cessa imediatamente a abertura de cavas, a movimentação desregrada de sedimentos e a supressão de floresta nativa.
Paralelamente, a destruição de 81 motores e de uma balsa interrompeu o ciclo de extração do ouro. Realizada com alta precisão, a ação estanca o despejo diário de mercúrio e rejeitos químicos nas águas que abastecem as comunidades.
Também foram inutilizados tratores, caminhões, caminhonetes, motocicletas, quadriciclos, grande volume de combustível, aparelhos de internet por satélite, geradores, armas, munições e estruturas de acampamento – todos usados na logística da atividade ilegal.
Mais do que impacto patrimonial contra o crime organizado, a ação cumpre o papel constitucional de proteger os povos indígenas e a integridade da bacia do rio Xingu.
As TIs funcionam como barreiras ecológicas cruciais para a preservação do meio ambiente, dando o fôlego para a regeneração natural da mata ciliar e dos rios da região e possibilitando a perpetuação dos saberes ancestrais e a segurança alimentar de seus povos. Defender esses territórios é uma prioridade estratégica do Ibama.
O nome da operação carrega essa simbologia: “Xapiri” – espíritos protetores da floresta para os Yanomami – é o termo institucional utilizado pelo Ibama para as iniciativas de combate ao garimpo em TIs, e “Mebêngôkré” é a autodenominação do povo Kayapó.
Fonte: Ibama



