Um novo capítulo começa a ser escrito na rica história da Estação Férrea de Santa Maria. Enquanto suas paredes centenárias guardam a memória da cidade que nasceu e cresceu impulsionada pelos trilhos, o complexo agora se prepara para um futuro de inovação e valorização.
A revitalização do espaço da locomotiva e do vagão de madeira, somados ao projeto de concessão à iniciativa privada visam transformar a Gare em um vibrante centro de cultura, lazer e empreendedorismo, conectando o passado glorioso da “Cidade Ferroviária” com as perspectivas de desenvolvimento e efervescência para a Santa Maria de hoje. Saiba mais sobre a história das ferrovias na nossa cidade.

A construção das estradas de ferro foi autorizada por D. Pedro II, em 1873, tendo a ferrovia chegado em Santa Maria em outubro de 1882, e o transporte de cargas iniciado em outubro de 1885. A Estação da Viação Férrea de Santa Maria, conforme acervo da Viação Férrea do Rio Grande Do Sul (VFRGS), teria sido inaugurada em 13 de outubro de 1895, data a partir da qual teria iniciado o transporte de passageiros na cidade. Seu primeiro local de funcionamento foi no terreno onde hoje está a triagem da Rumo Logística, próximo ao arroio Itaimbé.
A ferrovia teve um papel fundamental no desenvolvimento de Santa Maria, visto que a sua localização geográfica a tornou um importante entroncamento ferroviário, por onde passavam as principais linhas do estado. O patrimônio histórico, fortemente atrelado à memória ferroviária, é representado pela Vila Belga, pela Gare da Estação Ferroviária, pelos casarios majestosos e pelos muitos relatos dos tempos em que os trens de passageiros cruzavam a cidade rumo à fronteira ou à capital gaúcha. A Avenida Rio Branco, uma das principais vias e antigo eixo de ligação entre a Estação Ferroviária e o centro da cidade, ainda conserva diversas edificações que compõem, hoje, o maior conjunto contínuo de Art Déco da América Latina.
O prédio conhecido como Gare, localizado na Avenida Rio Branco, nº 30, foi projetado pelo engenheiro Teixeira Lopes, com influência das arquiteturas belga e inglesa, em terreno doado por Ernesto Beck. O conjunto arquitetônico pode ser dividido em seis módulos construídos em diferentes anos, sendo eles: Estação de Passageiros (sobrado, inaugurado em 1899), Pavilhão 1 (1914), Pavilhão 2 (1918), Pavilhão 3 (1920), Pavilhão 4 (1929) e a plataforma coberta. Inicialmente, a Gare contava com o prédio central (sobrado) de dois andares e com um anexo que não existe mais. Durante sua história, a Estação sofreu incêndios que destruíram algumas partes da sua infraestrutura.
A cidade passou a comandar o tráfego dos trens do Rio Grande do Sul, pela posição geográfica central e ponto de cruzamento de todas as linhas férreas, bem como por sediar a Diretoria da Compagnie Auxiliare de Chemins de Fér au Brèsil, empresa da Bélgica. Com as instalações dos escritórios da Compagnie, a cidade recebeu um novo impulso para o seu desenvolvimento e enriquecimento (econômico e cultural).
No começo de 1920, quando a rede ferroviária passou a ser administrada pela Viação Férrea do Rio Grande do Sul (VFRGS), foram construídas a plataforma coberta para embarque e desembarque e alguns armazéns. A Gare foi desativada em 1980, ano em que foi sancionada a Lei Municipal nº 2144, que passou a denominar o Largo da Gare como Largo da Estação Irmão Estanislau, em homenagem ao inspetor das Escolas da Cooperativa dos Empregado da VFRGS Irmão Estanislau José.
O complexo ferroviário tornou-se patrimônio tombado no Município pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Santa Maria (Comphic) por meio de lei publicada em 1988. Em novembro de 2000, foi tombado como patrimônio do Estado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE); e em abril de 2014 foi valorado em nível nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
@claudemirpereira