O mercado financeiro elevou a projeção da inflação brasileira para 2026, de 4,92% para 4,99%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Banco Central. A revisão ocorre após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, registrar alta de 0,70% em setembro.
Com a nova estimativa, a inflação projetada para o ano se aproxima do limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%. O centro da meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
O resultado do IPCA-15 foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (25), após o indicador registrar deflação de 0,40% em agosto. Com a aceleração, o índice acumulou alta de 3,82% em 2026 e de 4,47% nos últimos 12 meses.
Conta de luz impulsiona inflação de setembro
O principal fator responsável pela alta do IPCA-15 foi o aumento da energia elétrica residencial, que avançou 7,42% no período e respondeu por 0,29 ponto percentual do índice.
A elevação está relacionada ao encerramento do desconto concedido pelo bônus de Itaipu, benefício que reduziu as contas de energia dos consumidores em agosto. Com a retirada do abatimento, as tarifas voltaram a ser comparadas com uma base de preços mais baixa, contribuindo para a aceleração da inflação em setembro.
O grupo Habitação apresentou alta de 2,07%, com impacto de 0,31 ponto percentual no resultado geral. Outros segmentos também registraram aumentos, como Transportes, com 0,60%, e Alimentação e bebidas, com 0,40%.
Projeção de crescimento econômico também recua
Além da revisão inflacionária, o Boletim Focus reduziu a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, de 1,88% para 1,86%. A estimativa caiu pela terceira semana consecutiva.
Para os anos seguintes, a projeção de inflação passou para 4,31% em 2027, enquanto permaneceu em 3,8% para 2028. A expectativa para a taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 13,5% ao ano no encerramento de 2026.
O levantamento reúne as expectativas de instituições financeiras e consultorias consultadas pelo Banco Central e é utilizado como referência para acompanhar as perspectivas do mercado sobre inflação, atividade econômica, juros e câmbio.
Efeito sobre o custo de vida
A elevação das expectativas inflacionárias ocorre em um cenário de pressão sobre despesas essenciais, especialmente energia elétrica e alimentação. O aumento dos preços reduz o poder de compra das famílias e influencia as decisões de política monetária do Banco Central.
O IPCA-15 funciona como uma prévia do índice oficial de inflação, o IPCA, e permite acompanhar antecipadamente a variação dos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras.
Apesar da contribuição expressiva da energia elétrica para o resultado de setembro, o comportamento dos demais componentes da inflação também será acompanhado pelo mercado para avaliar a continuidade das pressões sobre os preços nos próximos meses.

