Mares da Europa aquecem até 6°C acima do normal e agravam crise climática

Aquecimento provocado pelas mudanças climáticas intensifica ondas de calor marinhas, ameaça ecossistemas e pode favorecer eventos extremos no continente europeu

As águas que banham a Europa estão atingindo temperaturas excepcionalmente elevadas. Em algumas regiões costeiras, o mar chegou a ficar até 6°C acima dos níveis considerados normais, em um cenário que cientistas relacionam diretamente ao aquecimento global provocado principalmente pela queima de combustíveis fósseis.

Os dados reforçam os alertas sobre a rápida transformação do clima europeu. A Europa é considerada o continente que aquece mais rapidamente no planeta, e o aumento das temperaturas não ocorre apenas sobre a terra: os oceanos também estão acumulando quantidades crescentes de calor, ampliando os riscos para a biodiversidade, a pesca e as populações costeiras.

Estudos analisaram regiões como o Golfo da Biscaia, o Mar Celta e áreas do Mediterrâneo oriental e ocidental. Nessas localidades, o aquecimento das águas tem ocorrido em ritmo elevado. No Mediterrâneo, a taxa de aumento da temperatura supera em mais de duas vezes a média global de aquecimento dos oceanos.

Ondas de calor marinhas ficam mais frequentes

Uma das consequências mais preocupantes é o avanço das chamadas ondas de calor marinhas, períodos prolongados nos quais a temperatura da água permanece muito acima dos valores habituais.

Com as mudanças climáticas, episódios desse tipo estão se tornando mais frequentes e intensos. Em algumas das regiões europeias analisadas, a ocorrência dessas ondas de calor chegou a aumentar entre duas e cinco vezes.

O cenário já vinha sendo observado pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus. Em junho de 2026, ondas de calor marinhas atingiram o Mediterrâneo ocidental e áreas da costa atlântica europeia. No mesmo mês, a temperatura média da superfície dos oceanos fora das regiões polares alcançou 20,86°C, o maior valor já registrado para um mês de junho.

O aquecimento do mar pode provocar alterações profundas nos ecossistemas. Entre os impactos estão mudanças na distribuição das espécies, redução de populações sensíveis às altas temperaturas, desequilíbrios nas cadeias alimentares e alterações na disponibilidade de organismos fundamentais para a vida oceânica, como o fitoplâncton.

Oceanos mais quentes podem intensificar extremos

As consequências não ficam restritas ao ambiente marinho. Oceanos mais quentes armazenam mais energia e liberam maior quantidade de umidade para a atmosfera, influenciando o comportamento do clima.

Esse processo pode contribuir para intensificar ondas de calor, chuvas extremas e outros eventos meteorológicos severos, além de afetar atividades econômicas que dependem diretamente do mar.

A pesca está entre os setores vulneráveis, já que mudanças na temperatura podem alterar áreas de reprodução e alimentação e provocar o deslocamento de espécies para regiões mais frias. Essas transformações também representam riscos para comunidades que dependem dos recursos marinhos para alimentação e geração de renda.

Europa enfrenta sequência de recordes

O alerta sobre os mares ocorre em meio a uma sequência de temperaturas extremas no continente. Junho de 2026 foi o junho mais quente já registrado na Europa Ocidental, enquanto a Europa como um todo teve o segundo junho mais quente da série histórica.

Na Europa Ocidental, a temperatura média sobre a terra chegou a 20,74°C, ficando 3,06°C acima da média de 1991 a 2020. O calor extremo também coincidiu com condições mais secas em diversas áreas, aumentando o risco de seca e contribuindo para incêndios florestais, especialmente na Península Ibérica.

Segundo o Copernicus, a combinação de temperaturas recordes em terra e no oceano evidencia que o sistema climático continua acumulando calor. A consequência é um ambiente cada vez mais favorável a ondas de calor intensas e riscos crescentes para populações, ecossistemas e infraestrutura.

O avanço das temperaturas marítimas, portanto, representa mais um sinal da dimensão da crise climática na Europa. Cientistas alertam que, sem uma redução consistente das emissões de gases de efeito estufa, episódios de calor extremo no mar e em terra tendem a se tornar cada vez mais frequentes e severos.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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