Cerca de cem indígenas estão acampados desde o dia 23 de fevereiro no prédio da coordenação regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em Altamira, no Pará. O protesto é contra a licença para instalação de um projeto de mineração de ouro na região da Volta Grande do Xingu, considerada uma das áreas ambientalmente mais sensíveis da Amazônia.
A mobilização é liderada pelo Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu e reúne representantes de diferentes etnias da região. Os manifestantes cobram a suspensão da licença concedida para o empreendimento da mineradora canadense Belo Sun, que pretende explorar cerca de cinco toneladas de ouro por ano durante pelo menos 12 anos.
Segundo lideranças do movimento, a Funai teria sido omissa no processo de licenciamento ambiental ao aceitar os estudos apresentados pela empresa. As indígenas afirmam que permanecerão no local até que a autorização para a mineração seja cancelada.
Em nota, a Funai informou que mantém diálogo com os povos indígenas envolvidos e atua na intermediação entre as comunidades afetadas e a empresa responsável pelo projeto. Já a Belo Sun não comentou o protesto publicamente, mas tem afirmado na Justiça que cumpre todas as normas exigidas para a atividade minerária.
O projeto de mineração tem gerado controvérsias por estar localizado em uma área já impactada por grandes empreendimentos, como a usina hidrelétrica de Belo Monte, e por possíveis riscos ambientais e sociais para comunidades indígenas e ribeirinhas da região do Xingu.

