Incêndios aumentam 153% em Manaus e ocorrências florestais mais que quadruplicam em 2026

Capital amazonense registrou 1.230 ocorrências até 9 de agosto; incêndios em áreas de vegetação saltaram de 133 para 564 em relação ao mesmo período do ano passado

Manaus registrou um forte crescimento no número de incêndios em 2026. Entre janeiro e 9 de agosto, foram contabilizadas 1.230 ocorrências urbanas e florestais na capital amazonense, contra 486 registros no mesmo período de 2025. O aumento é de aproximadamente 153%.

Os dados são do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) e mostram que a maior alta proporcional ocorreu nos incêndios florestais. As ocorrências em áreas de vegetação passaram de 133, em 2025, para 564 neste ano, crescimento de aproximadamente 324%.

Isso significa que, em pouco mais de sete meses, o número de incêndios florestais em Manaus mais que quadruplicou em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

Os incêndios urbanos também apresentaram crescimento significativo. Foram 666 registros em 2026, contra 353 no mesmo período de 2025, alta próxima de 89%.

Agosto concentra centenas de ocorrências

O avanço do fogo ganhou intensidade no início de agosto. Entre 31 de julho e 2 de agosto, o Corpo de Bombeiros contabilizou 106 ocorrências de incêndios em vegetação e áreas florestais.

No fim de semana seguinte, entre os dias 7 e 9, foram registrados outros 117 casos.

Somados, os dois períodos concentraram 223 ocorrências, demonstrando a intensidade dos incêndios justamente durante o avanço do período de estiagem no Amazonas.

O cenário exige atenção porque as condições ambientais características desta época do ano podem favorecer a propagação das chamas. Temperaturas elevadas, redução das chuvas, baixa umidade e vegetação seca aumentam a vulnerabilidade das áreas verdes ao fogo.

Fogo em vegetação preocupa durante estiagem

O aumento de 324% nos incêndios florestais é o principal ponto de alerta do levantamento.

Manaus possui extensas áreas de vegetação inseridas ou próximas à zona urbana. Quando um incêndio começa nesses locais, as chamas podem avançar rapidamente e atingir residências, estabelecimentos comerciais, redes de energia e outras estruturas.

A ação humana também está entre os fatores associados ao início de incêndios. A utilização do fogo para limpeza de terrenos e a queima irregular de lixo podem provocar ocorrências que saem de controle, principalmente quando a vegetação está seca.

Por isso, durante o período de estiagem, pequenas queimadas podem assumir proporções maiores em pouco tempo.

O Corpo de Bombeiros reforça que queimadas irregulares são proibidas e orienta a população a não utilizar fogo para eliminar resíduos ou limpar terrenos.

Fumaça também ameaça qualidade do ar

Os efeitos dos incêndios não ficam restritos às áreas diretamente atingidas pelas chamas.

A fumaça gerada pelas queimadas libera partículas que podem permanecer suspensas na atmosfera e ser transportadas pelo vento, afetando diferentes bairros e até municípios distantes dos locais onde o fogo ocorre.

Em agosto, Manaus já apresentou piora da qualidade do ar em diferentes regiões da cidade. Especialistas apontaram que incêndios registrados tanto na capital quanto em municípios da Região Metropolitana podem contribuir para elevar a concentração de poluentes na atmosfera.

No dia 14 de agosto, por exemplo, índices considerados moderados foram registrados em pelo menos seis regiões de Manaus. A maior concentração naquele levantamento ocorreu no Parque 10 de Novembro, seguida por áreas como Ponta Negra, Tarumã, Chapada e Adrianópolis.

A fumaça de incêndios ocorridos em municípios próximos também pode alcançar a capital dependendo da direção e da intensidade dos ventos.

Amazonas já adotou medidas preventivas

O crescimento dos incêndios ocorre em um ano marcado pela preocupação com as condições climáticas no estado.

Em junho, o Governo do Amazonas declarou preventivamente situação de emergência climática e ambiental diante das projeções para 2026. O decreto considera os riscos associados à redução das chuvas, às temperaturas elevadas e ao agravamento dos incêndios florestais e das queimadas.

O estado também mantém um Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, responsável por coordenar medidas de prevenção, mitigação, resposta e recuperação relacionadas a eventos extremos.

Entre as ações previstas estão o fortalecimento dos sistemas de monitoramento e a integração das iniciativas de prevenção e controle das queimadas e dos incêndios florestais.

Meses críticos ainda exigem atenção

Os números registrados até o início de agosto ampliam a preocupação porque o Amazonas ainda atravessa o período em que as condições ambientais podem favorecer novos incêndios.

O salto de 133 para 564 ocorrências florestais em apenas um ano demonstra a velocidade com que o problema avançou na capital.

Além da atuação das equipes de combate, a prevenção passa pela redução das queimadas provocadas pela ação humana, fiscalização de áreas vulneráveis e monitoramento permanente das condições ambientais.

Com 1.230 ocorrências já contabilizadas até 9 de agosto, Manaus chega à parte mais sensível do período de estiagem com mais que o dobro do número total de incêndios registrado no mesmo intervalo de 2025 — e com o avanço do fogo sobre áreas de vegetação como um dos principais sinais de alerta para os próximos meses.

Fonte: dados do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) e informações sobre monitoramento ambiental e climático no Amazonas.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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