Campus Manaus Zona Leste reúne cursos técnicos, graduações e pós-graduações voltados à agropecuária e outras áreas, aliando ensino, pesquisa e atividades práticas na formação dos estudantes
Da produção de alimentos à Medicina Veterinária, passando pela agroecologia, agricultura e formação tecnológica, o Instituto Federal do Amazonas (IFAM) mantém uma estrutura de ensino voltada também às demandas do setor primário. No Campus Manaus Zona Leste, cursos com décadas de história convivem com novas graduações e projetos desenvolvidos com participação direta dos estudantes.
Parte desse trabalho foi apresentada ao público durante a 48ª Expoagro. No estande da instituição, alunos e professores mostraram cursos oferecidos pelo campus, projetos acadêmicos e produtos desenvolvidos e beneficiados dentro da própria unidade de ensino.
Entre os estudantes responsáveis por apresentar esse universo estava Yasmin Fontenele, aluna do segundo período de Medicina Veterinária e egressa do curso técnico integrado em Agropecuária do IFAM.
“O objetivo do IFAM estar aqui é justamente mostrar a rotina do campus, os cursos que nós temos e também alguns projetos e outras coisas que são desenvolvidas”, explicou.
A participação permitiu apresentar uma característica importante do instituto, a formação não fica restrita à sala de aula. Os estudantes acompanham atividades práticas, participam de projetos e têm contato com diferentes etapas da produção.

Do café ao leite: produção também faz parte da formação
No estande, o público pôde conhecer alguns resultados das atividades desenvolvidas no Campus Manaus Zona Leste.
Segundo Yasmin, foram apresentados produtos beneficiados no próprio campus com participação dos alunos, aproximando o conhecimento acadêmico das atividades encontradas no setor produtivo.
“Nós temos o café robusta, trouxemos também leite pasteurizado, além do iogurte, queijo e requeijão light”, relatou.
Também foram apresentados outros produtos desenvolvidos nas atividades de produção animal e vegetal do campus.
A proposta permite que os estudantes tenham contato com processos que começam na produção da matéria-prima e avançam até seu beneficiamento.
Esse modelo ganha importância especialmente nos cursos relacionados ao setor agropecuário, nos quais a vivência prática ajuda a preparar os futuros profissionais para situações que encontrarão nas propriedades, empresas, órgãos públicos e demais áreas de atuação.

Formação começa ainda no ensino técnico
A oferta educacional do Campus Manaus Zona Leste abrange diferentes níveis de formação.
Entre os cursos técnicos apresentados pela instituição estão áreas como Agropecuária, Agroecologia, Agricultura, Florestas e Paisagismo, além de outras formações ofertadas pelo campus.
Yasmin conhece essa trajetória por experiência própria. Antes de ingressar na graduação em Medicina Veterinária, passou pelo curso técnico integrado em Agropecuária.
Essa possibilidade de continuar a formação dentro da própria instituição cria um percurso que pode começar no ensino técnico e chegar à graduação e à pós-graduação.
Atualmente, entre as formações de nível superior citadas pelos entrevistados estão Medicina Veterinária, Tecnologia em Agroecologia e Engenharia de Software, além de licenciatura.
Na pós-graduação, Yasmin destacou a existência de programas voltados também às Ciências Veterinárias e ao desenvolvimento rural.

Curso de Agropecuária atravessa gerações
Para o professor Aildo Gama, do IFAM Campus Manaus Zona Leste, a formação de profissionais para o setor primário está ligada à própria história da instituição.
Atualmente responsável pela área relacionada à produção vegetal e às atividades da fazenda do campus, ele destaca que algumas formações atravessaram diferentes fases da antiga escola agrotécnica até a estrutura atual do Instituto Federal.
“Nós temos cursos lá com mais de 80 anos, como o curso técnico em Agropecuária, um curso que praticamente nasceu juntamente com o campus”, afirmou.
Ao longo dos anos, novas formações foram incorporadas e ampliaram as possibilidades para quem pretende atuar nas diferentes cadeias do setor primário.
“Hoje temos outros cursos que vieram somar e também possibilitar a formação de profissionais que atuem em diversas áreas do setor primário”, explicou.

Conhecimento precisa chegar à ponta
Para Aildo, a importância desses cursos está diretamente relacionada à necessidade de formar profissionais capazes de transformar conhecimento técnico e científico em soluções aplicáveis à produção.
O professor ressalta que o setor primário tem papel estratégico porque está diretamente relacionado à produção de alimentos.
“Nós temos Medicina Veterinária e o curso de Tecnologia em Agroecologia, que são cursos muito importantes para a nossa sociedade e que vão contribuir nessa área, levando conhecimento e desenvolvendo pesquisa”, afirmou.
O objetivo, segundo ele, é que os profissionais formados consigam levar esse conhecimento para quem está na atividade produtiva.
“São cursos que possibilitam que esses profissionais sejam formados e cheguem até a ponta para levar informações e conhecimentos voltados para a área do setor primário”, destacou.
Essa “ponta” inclui justamente propriedades rurais e produtores que enfrentam desafios relacionados a manejo, produtividade, sanidade animal, produção vegetal, sustentabilidade e adoção de novas tecnologias.

Formação para atender uma demanda do Amazonas
Aildo também chama atenção para a necessidade de profissionais qualificados em um estado com dimensões territoriais extensas e realidades produtivas distintas.
“Existe uma demanda enorme. Hoje o IFAM está em diversos municípios do Amazonas e outros campus também oferecem cursos voltados para o setor primário”, explicou.
No Campus Manaus Zona Leste, essa vocação é particularmente histórica. A tradição ligada ao ensino agrícola foi sendo ampliada à medida que novas necessidades profissionais surgiram.
Ao combinar cursos técnicos, graduação, pós-graduação, pesquisa e atividades práticas, o instituto busca formar profissionais capazes de atuar em diferentes etapas das cadeias produtivas.

Expoagro vira sala de aula fora do campus
A presença na 48ª Expoagro também ofereceu aos estudantes uma experiência que dificilmente seria reproduzida apenas dentro do ambiente acadêmico.
Além de apresentar os próprios trabalhos, eles tiveram contato com produtores, empresas, instituições, tecnologias e diferentes segmentos da agropecuária amazonense.
Para Yasmin, esse contato é parte importante da formação.
“Está sendo uma experiência muito enriquecedora para nós, alunos, termos contato com o público e também mostrarmos um pouco do nosso campus para as pessoas”, afirmou.
A estudante percebeu ainda que parte dos visitantes desconhecia tanto os cursos quanto a própria natureza pública da instituição.
“Às vezes chegam pessoas aqui que não conhecem o IFAM e não sabem que o campus é uma instituição federal e gratuita. Então é muito importante trazermos tudo isso para cá, porque é uma forma de dar visibilidade”, destacou.
Para Aildo Gama, colocar os estudantes em contato com um dos principais eventos do setor agropecuário do estado amplia a percepção sobre o mercado em que poderão atuar.
A experiência permite enxergar, fora dos laboratórios e das salas de aula, as demandas de quem produz.
É justamente nessa conexão que o trabalho desenvolvido pelo IFAM ganha outra dimensão, formar profissionais para que o conhecimento produzido dentro da instituição consiga chegar ao campo, contribuir com o setor primário e responder às necessidades da produção de alimentos no Amazonas.
Texto e Fotos: Beatriz Costa

