Contribuição dos Países Baixos fortalece o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, iniciativa liderada pelo Brasil. Dados do INPE apontam redução de 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado no período de agosto de 2025 a julho de 2026.
Duas notícias importantes reforçaram a agenda ambiental brasileira na preparação para a COP31, que será realizada em novembro, na Turquia. Os Países Baixos anunciaram uma contribuição de US$ 500 milhões para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa internacional liderada pelo Brasil, enquanto novos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) confirmaram as menores taxas de desmatamento já registradas na Amazônia e no Cerrado.
Os anúncios representam avanços em duas frentes da política ambiental: a mobilização de recursos internacionais para financiar a conservação das florestas e a redução da perda de vegetação nativa nos principais biomas brasileiros.
Holanda anuncia US$ 500 milhões para fundo liderado pelo Brasil
O governo dos Países Baixos anunciou, em 26 de outubro, durante a COP17, realizada em Yerevan, na Armênia, a intenção de investir US$ 500 milhões no Fundo Florestas Tropicais para Sempre.
Com a nova contribuição, os compromissos financeiros anunciados para o mecanismo chegaram a aproximadamente US$ 7,8 bilhões.
O compromisso neerlandês deverá ser formalizado durante a COP31, em Antalya, na Turquia.
O TFFF foi desenvolvido a partir de uma iniciativa brasileira e tem como objetivo criar um mecanismo permanente de financiamento para países que conservam ou ampliam suas florestas tropicais.
A proposta prevê a formação de um fundo de US$ 125 bilhões, combinando recursos de governos, instituições filantrópicas e investidores privados. A estrutura deverá gerar pagamentos periódicos aos países participantes, calculados com base em resultados de conservação florestal.
Um dos diferenciais do mecanismo é a previsão de destinação de pelo menos 20% dos recursos recebidos aos povos indígenas e às comunidades locais.
Brasil, Noruega e outros países participam da capitalização
A iniciativa já recebeu compromissos de diferentes governos e instituições internacionais.
Entre os principais participantes estão Noruega, Alemanha, França, Indonésia, Reino Unido, Brasil e Luxemburgo, além de organizações filantrópicas e entidades ambientais.
A adesão dos Países Baixos amplia a participação europeia e fortalece a articulação internacional em torno do financiamento da conservação das florestas tropicais.
O governo brasileiro considera o fundo uma alternativa para mudar a lógica tradicional do financiamento ambiental, remunerando os países que mantêm suas florestas em pé.
Amazônia registra redução de 41,8% no desmatamento
Outra notícia de destaque veio do INPE. Os dados divulgados em 16 de outubro mostram que a Amazônia registrou 3.335 quilômetros quadrados de desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026.
O resultado representa uma redução de 41,8% em comparação com o período anterior, quando foram registrados 5.731 quilômetros quadrados.
É a menor taxa da série histórica do monitoramento, iniciada em 1988.
Entre os estados da Amazônia Legal, o Pará apresentou a maior área desmatada, com 1.130 quilômetros quadrados, seguido por Mato Grosso, com 849 quilômetros quadrados, e Amazonas, com 525 quilômetros quadrados.
O Amazonas registrou redução de 46,4% em relação ao período anterior, enquanto Roraima apresentou estabilidade, com pequena elevação de 0,4%.
Cerrado também alcança menor índice da série histórica
O Cerrado apresentou redução de 23,8% na supressão de vegetação nativa.
Foram registrados 5.516,69 quilômetros quadrados entre agosto de 2025 e julho de 2026, contra 7.235,27 quilômetros quadrados no período anterior.
É o menor índice da série histórica do bioma, iniciada em 2001.
Maranhão, Tocantins e Piauí concentraram as maiores áreas de supressão. Juntamente com a Bahia, os quatro estados que compõem a região do Matopiba responderam por 74,3% do desmatamento registrado no Cerrado.
Resultados reforçam agenda ambiental para a COP31
Os números do INPE e a ampliação dos compromissos financeiros internacionais fortalecem a discussão sobre a preservação ambiental na agenda diplomática brasileira.
A COP31, marcada para 9 a 20 de novembro, em Antalya, deverá dar continuidade às discussões iniciadas durante a conferência realizada em Belém, em 2025.
O financiamento climático, a proteção das florestas tropicais, a participação dos povos indígenas e a implementação de políticas de redução do desmatamento estarão entre os temas relevantes das negociações internacionais.
A expectativa do governo brasileiro é ampliar o apoio de outros países ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre e consolidar mecanismos que garantam recursos de longo prazo para a conservação.
Os resultados apresentados pelo INPE também demonstram a importância do monitoramento por satélite e das políticas de fiscalização e proteção ambiental.
Apesar da redução histórica, os dados mostram que a pressão sobre os biomas continua significativa. Na Amazônia, foram registrados 3.335 quilômetros quadrados de supressão de vegetação nativa em um ano. No Cerrado, a área chegou a 5.516,69 quilômetros quadrados.
O desafio agora é manter a trajetória de redução, ampliar a proteção dos territórios e garantir que os compromissos financeiros internacionais se transformem em ações concretas de conservação.

