O Dia de Santa Sara Kali, padroeira do Povo Cigano e muito cultuada na Umbanda, é celebrado anualmente em 24 de maio. Essa data também marca o Dia Nacional do Povo Cigano no Brasil.
Na Umbanda e nas tradições de matriz africana, a data é lembrada por saudações à linha do Povo do Oriente. As celebrações costumam envolver rituais de firmeza, fogueiras, danças circulares e oferendas com elementos como fitas coloridas, frutas, flores e taças de vinho.
Para orientar seus pedidos e rituais, os devotos costumam pedir a intercessão da santa para:
- Proteção: Afastar energias negativas e proteger caminhos.
- Prosperidade: Atrair fartura e caminhos abertos. · Família: Auxílio para engravidar e gestações.
O povo cigano é uma etnia nômade originária do noroeste da Índia, cuja diáspora ocorreu há cerca de 1500 anos. No Brasil, estima-se uma população de aproximadamente um milhão de pessoas, divididas principalmente em três grandes grupos: Calon, Rom e Sinti. Possuem uma cultura vibrante, baseada na oralidade e em fortes laços comunitários.
Sara ou a negra Sara, segundo várias lendas, foi uma figura lendária da tradição popular do sul da França, associada às narrativas medievais sobre a chegada das chamadas Três Marias à região da Camarga. Ela é invocada como a padroeira dos povos ciganos e de mulheres que buscam a fertilidade.
Embora seja venerada popularmente por grupos ciganos e por devotos locais, não é reconhecida oficialmente como santa pela Igreja Católica, não constando no Martirológio Romano nem no calendário litúrgico oficial.
O seu nome, tal como o da matriarca judia Sara, cuja vida é relatada no Antigo Testamento, teria se originado do hebraico e era supostamente usado para designar uma mulher de grande relevância na sociedade, mantendo por significado “princesa” ou “senhora”. Já o epíteto Kali origina-se, supostamente, do idioma sânscrito, tendo por tradução a palavra “negra”. Nas suas tradicionais iconografias, Sara é representada com a pele escura.
A história de Sara é incerta, uma vez que não há registros sobre sua vida. Lendas relatam que ela teria auxiliado Maria durante o nascimento de Jesus. Sara também estaria presente na crucificação de Jesus Cristo, embora o Evangelhos Canônicos não a mencionem. Ela também é identificada como serva de Maria Madalena.
Com o início da perseguição aos cristãos no território Israel, conta-se que Sara foi deportada do país juntamente com Maria Madalena, Maria de Cléofas e Maria Salomé, os irmãos Marta, Maria e Lázaro, de Betânia, Marcela e um cristão de nome Maximino. A tradição relata que eles foram lançados no Mar Mediterrâneo numa embarcação sem remo que chegou onde nos dias atuais seria a comuna francesa de Saintes-Maries-de-la-Mer (Santas Marias do Mar em francês). Conta-se que o grupo, temendo um naufrágio, puseram-se em oração. Sara, por sua vez, havia de ter feito uma promessa de que se conseguissem desembarcar sem que houvesse mortes, teria ela que se cobrir com um véu em forma de agradecimento.
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