Hoje dia 17 de dezembro comemoramos o Dia do Bioma Pampa, uma data para celebrar e preservar esse ecossistema único do sul da América do Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, marcado por campos naturais, biodiversidade rica e forte identidade cultural, sendo homenagem ao ambientalista José Antônio Lutzenberger.

DIÁLOGO EM UM AMANHECER NO PAMPA
Por: Angela Escosteguy*
Os primeiros raios de sol surgiam no horizonte quando pai e filha montaram a cavalo para revisar os terneiros e cordeiros nascidos. Era sempre uma alegria para o pai quando a filha vinha.
– Pai, lá no colégio dizem que o gado aquece o planeta e destrói as florestas.
O pai respirou fundo, com um misto de irritação e tristeza.
– Os herbívoros estão no Pampa há 10 milhões de anos. Aqui nunca foi floresta, sempre houve pastagens. Por isso, o gado adaptou-se aqui muito bem, sendo útil para tração e para produzir carne e leite, além de adubar o solo.
– Mas eles falam do metano e do aquecimento global…
– Sim, isso é verdade. A digestão da celulose pelo gado libera o metano, mas em cerca de 10 anos ele se decompõe em CO2 que é absorvido pelas plantas pela fotossíntese. É o ciclo do carbono que ocorre na natureza desde sempre.
– Mas por que, tantas acusações, então?
– Porque os primeiros estudos foram na Europa, com gado confinado, sem a captura do carbono pelas pastagens.
– Também dizem que o Pampa está desaparecendo ..
– Infelizmente é verdade. Ele está sendo engolido pelas monoculturas, principalmente a soja e silvicultura. Mas o gado bem manejado pode recuperar o solo com seus dejetos, mantendo também o ambiente adequado para a vegetação nativa e animais
silvestres como avestruz, tatu, veado, capivara, coruja, marreco, perdiz, lagartos, abelhas e muitos outros.
– Que bom Pai, fico feliz!!!! Cutucou seu cavalo e partir a galope para ver os novos cordeirinhos.
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* Méd. Veterinária, Diretora do Instituto do Bem-Estar (IBEM) e Presidente das Comissões de Pecuária Orgânica do CFMV e do CRMV-RS.