Governo decreta emergência em quatro municípios de Santa Catarina após caso de doença de Newcastle

Medida tem validade de 60 dias e foi adotada após a confirmação do vírus em uma granja comercial de perus. Autoridades intensificam a vigilância sanitária para impedir a disseminação da doença.

 

O governo federal decretou estado de emergência zoossanitária em quatro municípios de Santa Catarina após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus. A medida, oficializada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), tem validade de 60 dias e abrange Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

 

O foco foi identificado em uma propriedade rural localizada em Nova Itaberaba, no oeste catarinense, e confirmado no domingo (18). O estabelecimento possui aproximadamente 6 mil perus de corte. Após a confirmação laboratorial, a propriedade foi interditada e a movimentação de aves foi suspensa para evitar a propagação do vírus.

 

Vigilância sanitária é reforçada

 

A confirmação da ocorrência levou as autoridades a intensificarem as ações de monitoramento na região. As medidas incluem inspeções em propriedades rurais, avaliação das condições sanitárias das aves, coleta de amostras para exames laboratoriais e controle do transporte de animais.

 

Segundo o Ministério da Agricultura, cerca de 133 propriedades estão previstas para acompanhamento epidemiológico na área próxima ao foco. As ações são realizadas em conjunto com o Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina e seguem os protocolos nacionais de controle e erradicação da doença.

 

O governo também notificou a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e os parceiros comerciais do Brasil, conforme os compromissos internacionais de transparência sanitária.

 

O que é a doença de Newcastle?

 

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. Dependendo da variante do vírus, pode provocar problemas respiratórios, alterações neurológicas, diarreia, queda na produção e elevada mortalidade entre os animais.

 

A identificação do vírus em uma criação comercial exige a adoção de medidas rigorosas de contenção, uma vez que a disseminação pode provocar prejuízos à avicultura e comprometer a comercialização de produtos de origem animal.

 

No caso registrado em Santa Catarina, as autoridades informaram que a detecção ocorreu durante uma investigação epidemiológica, com confirmação por exames realizados no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo.

 

Consumo de carne de frango permanece seguro

 

Apesar da confirmação do foco, o Ministério da Agricultura esclareceu que o consumo de carne de aves e de outros produtos avícolas submetidos à inspeção sanitária oficial permanece seguro, sem contraindicações. As aves da propriedade afetada não foram destinadas à produção de carne para consumo humano.

 

A orientação é que os consumidores continuem adquirindo produtos de estabelecimentos regularizados e com os selos de inspeção correspondentes.

 

Exportações entram no radar das autoridades

 

A ocorrência também gerou preocupação no setor avícola brasileiro devido à possibilidade de restrições comerciais por parte de países importadores. A China, um dos principais mercados compradores de carne de frango do Brasil, adotou restrições às importações de produtos avícolas provenientes de Santa Catarina. O México suspendeu importações de produtos avícolas de todo o território brasileiro, enquanto o Chile impôs restrições a produtos originários do estado catarinense.

 

O Ministério da Agricultura informou que mantém diálogo com os parceiros comerciais para apresentar informações técnicas sobre o caso e as medidas de controle adotadas. O objetivo é limitar os impactos comerciais e viabilizar a retomada das exportações conforme os protocolos sanitários de cada mercado.

 

A declaração de emergência zoossanitária busca acelerar as ações de contenção e proteger a produção avícola. As autoridades continuarão monitorando as propriedades da região e divulgando atualizações conforme o avanço das investigações.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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