TSE já autorizou emprego de forças federais em pelo menos oito estados para garantir votação e apuração; militares também apoiarão transporte de equipes e materiais eleitorais em regiões de difícil acesso
As Forças Armadas terão participação estratégica nas Eleições Gerais de 2026, tanto no reforço à segurança de locais de votação quanto no desafio logístico de fazer urnas, materiais e equipes da Justiça Eleitoral chegarem a regiões isoladas do país.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já aprovou pedidos de requisição de força federal para pelo menos oito estados no primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
A atuação envolve militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica e tem como objetivo assegurar a Garantia da Votação e da Apuração (GVA), mecanismo utilizado para preservar o livre exercício do voto, a normalidade da votação e a apuração dos resultados em localidades que necessitam de reforço.
Até o momento, os pedidos alcançam Acre, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio de Janeiro e Tocantins.
Entre as localidades contempladas estão capitais, aldeias indígenas, municípios de difícil acesso, regiões de fronteira e comunidades ribeirinhas.
Novos pedidos ainda poderão ser apresentados pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), o que significa que o número de estados e localidades com presença das forças federais poderá aumentar até a realização do primeiro turno.
Forças Armadas também terão missão logística
Além da atuação na Garantia da Votação e da Apuração, os militares desempenharão outra missão essencial para a realização das eleições: o apoio logístico.
Embora as duas atividades envolvam as Forças Armadas, elas têm finalidades diferentes.
Na GVA, a missão é reforçar a segurança e assegurar a normalidade da votação e da apuração. No apoio logístico, os militares auxiliam a Justiça Eleitoral no transporte de colaboradores e materiais eleitorais para localidades de difícil acesso.
Para as Eleições de 2026, esse suporte está previsto, até o momento, em nove estados: Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio de Janeiro e Roraima.
Os pedidos são apresentados pelos TREs e precisam demonstrar que a Justiça Eleitoral não dispõe de meios próprios suficientes para realizar o transporte. Depois da análise pelo TSE, as solicitações são encaminhadas ao Ministério da Defesa.
Amazônia impõe desafio particular às eleições
Na região amazônica, o apoio logístico ganha dimensão especial pelas características geográficas.
Longas distâncias, comunidades acessíveis predominantemente por rios, territórios indígenas, áreas de fronteira e localidades sem ligação rodoviária tornam a realização das eleições uma operação que começa muito antes da abertura das seções eleitorais.
O Amazonas está entre os estados previstos para receber apoio logístico das Forças Armadas neste ano. Acre, Amapá, Pará e Roraima também aparecem na relação divulgada pelo TSE.
Em áreas desse tipo, a logística pode exigir diferentes meios de transporte para que pessoas e materiais cheguem aos locais de votação.
A participação militar permite à Justiça Eleitoral utilizar capacidades logísticas disponíveis nas três Forças, especialmente em regiões onde as condições de acesso tornam insuficientes os meios convencionais de transporte.
Mais de 158 milhões de brasileiros poderão votar
A dimensão da operação fica mais evidente diante do tamanho das Eleições Gerais de 2026.
Segundo o TSE, mais de 158,7 milhões de eleitoras e eleitores estão aptos a participar do pleito. Para atender esse contingente, a Justiça Eleitoral prepara uma frota recorde de urnas eletrônicas.
Antes de chegar às seções eleitorais, cada equipamento passa por uma série de procedimentos de preparação e segurança.
Os sistemas que serão utilizados nas eleições foram oficialmente assinados digitalmente e lacrados pelo TSE no início de setembro, encerrando a etapa de desenvolvimento dos programas que serão instalados nas urnas.
Depois disso, a operação avança para a preparação das mídias, carga das urnas, lacração física dos equipamentos e distribuição aos locais de votação.
É justamente na última etapa que as dificuldades territoriais brasileiras se tornam mais evidentes.
Como é autorizado o emprego das tropas
A presença das forças federais não é determinada automaticamente pelo TSE.
Os pedidos de Garantia da Votação e da Apuração partem dos Tribunais Regionais Eleitorais, com base na avaliação das condições de cada localidade.
Cabe ao plenário do TSE analisar e autorizar ou rejeitar a solicitação. Uma vez aprovada, a demanda é encaminhada ao Ministério da Defesa, responsável pelo planejamento e pela execução das ações por meio das Forças Armadas.
A requisição está prevista no Código Eleitoral, no Decreto nº 3.897/2001 e na Resolução TSE nº 21.843/2004.
Em Mato Grosso, por exemplo, o TSE autorizou reforço em 60 locais de votação de 27 zonas eleitorais. Em Mato Grosso do Sul, a autorização alcança dez municípios. Entre os locais atendidos estão regiões com concentração de territórios indígenas.
Operação busca garantir voto nos pontos mais distantes do país
A participação das Forças Armadas nas eleições evidencia dois desafios diferentes enfrentados pela Justiça Eleitoral.
O primeiro é garantir que eleitores possam votar e que os resultados sejam apurados normalmente em regiões onde os TREs identificaram necessidade de reforço de segurança.
O segundo é essencialmente territorial: fazer com que a estrutura necessária para a eleição alcance brasileiros que vivem a centenas de quilômetros dos grandes centros urbanos.
Na Amazônia, esse segundo desafio assume características próprias. Rios, florestas, fronteiras e grandes distâncias transformam o transporte de equipes e materiais em uma operação complexa.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, Exército, Marinha e Aeronáutica passam a integrar essa estrutura para que a votação consiga alcançar também algumas das localidades mais remotas do território brasileiro.

