Farmacêutica Camila Steinbach aponta avanço de procedimentos individualizados e afirma que tendência do setor é preservar características de cada paciente, em vez de buscar transformações evidentes
A busca por procedimentos estéticos capazes de preservar as características individuais, com resultados menos perceptíveis e intervenções planejadas de acordo com cada paciente, vem ganhando espaço no mercado de estética facial. A tendência acompanha uma mudança na própria relação com o envelhecimento: em vez de simplesmente tentar esconder a passagem do tempo, parte dos pacientes procura tratamentos voltados ao cuidado gradual da aparência.
Essa mudança é percebida pela farmacêutica e especialista em estética Camila Steinbach, que atua em Joinville, Santa Catarina, com harmonização e rejuvenescimento facial.
Segundo a profissional, os avanços tecnológicos e a ampliação das possibilidades de tratamento foram importantes para a evolução da estética nos últimos anos, mas a principal transformação estaria na maneira como profissionais e pacientes passaram a enxergar os procedimentos.
“Hoje, cada vez mais, as pessoas não querem simplesmente ‘não envelhecer’. Elas querem envelhecer bem, e isso envolve muito mais do que apenas a aparência. Envolve saúde, qualidade de vida, autoestima, bem-estar e se sentir bem com a própria imagem em cada fase da vida”, afirma Camila.
Essa mudança, segundo ela, também alterou a atuação dos profissionais. A estética, antes muito associada a transformações e preenchimentos, passou a incorporar uma abordagem mais preventiva e individualizada, considerando aspectos como qualidade da pele, estímulo de colágeno, estrutura facial e características próprias de cada paciente.
“Saímos de uma visão muito focada em transformar ou preencher para uma estética com abordagem mais preventiva e individualizada, sempre respeitando a identidade de cada pessoa”, explica.
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Beleza sem aparência de procedimento
Entre as tendências apontadas pela especialista está a chamada quiet beauty, ou “beleza silenciosa”, conceito que privilegia resultados mais naturais e discretos.
“É aquela estética ‘silenciosa’ em que você olha para a pessoa e percebe que ela está mais bonita, descansada, elegante, com uma aparência bem cuidada, mas sem necessariamente saber exatamente o que ela fez”, explica.
Para Camila, essa mudança também redefine o que pode ser considerado um resultado bem-sucedido.
“Um bom resultado não é necessariamente aquele em que todos percebem que a pessoa fez um procedimento. Muitas vezes, é justamente aquele em que ela parece mais descansada, mais bonita e mais elegante, mas continua sendo ela mesma”, afirma.
A especialista defende que a avaliação individual é fundamental justamente porque o envelhecimento não ocorre da mesma maneira para todos.
Idade, anatomia, musculatura, estrutura facial, qualidade da pele e flacidez são alguns dos aspectos que precisam ser considerados antes da definição de qualquer tratamento.
“Duas pessoas podem ter a mesma idade e apresentar características completamente diferentes de envelhecimento”, observa.
Por isso, segundo Camila, nem sempre o procedimento inicialmente procurado pelo paciente corresponde à necessidade identificada durante uma avaliação profissional.
Prevenção atrai pacientes mais jovens
A preocupação com prevenção também tem levado pessoas mais jovens aos consultórios. Camila relata que, em sua experiência profissional, já recebe pacientes entre 20 e 25 anos interessados em conhecer possibilidades de tratamentos preventivos.
Ela ressalta, porém, que não existe uma idade universal para iniciar procedimentos estéticos.
“Mais importante do que começar cedo é começar no momento certo e com a indicação correta”, afirma.
A especialista acrescenta que procurar informação não significa necessariamente ter indicação para realizar determinado procedimento. A decisão deve considerar as características individuais e ser precedida de avaliação profissional.
No cuidado cotidiano com a pele, Camila recomenda atenção às medidas básicas, como limpeza, hidratação e proteção solar, além de acompanhamento profissional para necessidades específicas.
Pressão estética e autoestima
O crescimento do mercado de procedimentos também ocorre em uma sociedade na qual a aparência, especialmente a feminina, está submetida a intensa exposição e cobrança. Para Camila, é necessário distinguir a decisão pessoal de realizar um tratamento da tentativa de atender a padrões impostos socialmente.
A profissional afirma que procura trabalhar a estética como instrumento de valorização das características individuais, e não de padronização dos rostos.
“Acredito que existe uma diferença muito importante entre trabalhar para atender a uma cobrança estética e trabalhar para fazer uma pessoa se sentir bem consigo mesma”, diz.
Segundo ela, pacientes devem receber informação suficiente para tomar decisões conscientes, sem recorrer a procedimentos apenas porque determinada intervenção se tornou popular ou porque desejam reproduzir características de outras pessoas.
“Para mim, o melhor resultado é quando a paciente olha no espelho e pensa: ‘Eu continuo sendo eu, só que me sinto ainda melhor’”, afirma.
Formação exige conhecimento e responsabilidade
Natural de Marechal Cândido Rondon, no Paraná, e criada em Querência do Norte, Camila é graduada em Farmácia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Posteriormente, direcionou sua formação para a área estética e passou a trabalhar com procedimentos faciais.
Atualmente, mantém clínica em Joinville e também atua na formação de outros profissionais por meio de mentorias.
Para quem pretende ingressar no setor, ela destaca que o domínio técnico não pode ficar restrito à aplicação dos procedimentos. Conhecimentos de anatomia, avaliação facial e manejo de possíveis intercorrências fazem parte da formação necessária.
“Construir uma carreira sólida exige prática, atualização constante, responsabilidade e, principalmente, tempo”, afirma.
Para Camila, a expansão do mercado aumenta também a responsabilidade dos profissionais. Em um setor impulsionado por novas tecnologias, produtos e tendências que circulam rapidamente nas redes sociais, ela considera fundamental preservar os limites da atuação profissional e avaliar cada paciente individualmente.
“Técnica é fundamental, mas responsabilidade vem antes de tudo”, conclui.
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