Crescimento acelerado da frota agrava riscos no trânsito de Manaus, aponta estudo

Por Beatriz Costa

Manaus – O crescimento acelerado da frota de veículos em Manaus e no Amazonas tem ampliado de forma preocupante os riscos no trânsito, sobretudo para motociclistas e pedestres. É o que revela o estudo “Frota & Acidentes – Janeiro de 2026”, elaborado a partir de dados do Detran-AM, do Sistema de Segurança Pública e da rede de saúde, e analisado pelo engenheiro Manoel Paiva, especialista em mobilidade urbana.

De acordo com o levantamento, o estado do Amazonas alcançou, em janeiro de 2026, 1.323.315 veículos registrados, dos quais 79% estão concentrados em Manaus, que já soma 1.047.201 veículos automotores. Com uma população estimada em 2,3 milhões de habitantes, a capital chegou ao índice de 2,20 habitantes por veículo, um dos mais elevados do país.

Motocicletas impulsionam avanço da frota

O estudo destaca que o crescimento é puxado principalmente pelas motocicletas. Em 2025, entraram em Manaus 30.516 novas motos, aumento de 8,5%, enquanto os automóveis cresceram 3,3% no mesmo período. Apenas em janeiro de 2026, foram emplacadas 2.362 motocicletas e 2.253 automóveis na capital.

Segundo Manoel Paiva, esse cenário reflete um modelo de mobilidade cada vez mais dependente do transporte individual. “A frota cresce em ritmo muito superior ao da população. Isso pressiona o sistema viário, aumenta conflitos no trânsito e eleva o risco de acidentes graves”, analisa o engenheiro.

Trânsito letal para os mais vulneráveis

O impacto mais grave aparece nas estatísticas de mortes. Em janeiro de 2026, 18 pessoas perderam a vida no trânsito de Manaus, sendo 13 motociclistas, o equivalente a 72% das vítimas fatais. Em comparação com janeiro de 2025, o número de mortes de motociclistas aumentou 86%. Pedestres também figuram entre os mais atingidos, com 3 mortes, representando 17% do total.

No conjunto, motociclistas e pedestres responderam por 89% das vítimas fatais registradas no mês, consolidando-se como o grupo mais vulnerável no trânsito da capital.

Vias mais perigosas

O levantamento também mapeia as vias com maior número de mortes acumuladas nos últimos anos. O Rodoanel Metropolitano e a Rodovia Torquato Tapajós lideram o ranking, com 31 vítimas fatais cada, seguidas por avenidas de grande fluxo como Autaz Mirim, Cosme Ferreira e Governador José Lindoso.

Para Paiva, esses dados evidenciam falhas estruturais. “São corredores viários projetados para velocidade, mas sem soluções adequadas de segurança, fiscalização contínua e proteção aos usuários mais frágeis”, afirma.

Saúde pública sob pressão

Os reflexos também atingem o sistema de saúde. Em janeiro de 2026, 2.412 pessoas deram entrada na rede pública após acidentes de trânsito, sendo 61% motociclistas. Somente acidentes com motos responderam por 1.482 atendimentos, segundo dados do SAMU.

Avanços e desafios

Apesar do cenário crítico em Manaus, o estudo aponta que o Amazonas registrou em 2025 a menor taxa de mortes no trânsito do Brasil, com 4,12 óbitos por 100 mil habitantes, além de uma redução de 32% no número absoluto de mortes em relação a 2024.

Ainda assim, Manoel Paiva alerta que os números positivos no estado não podem mascarar a realidade da capital. “Sem investimento consistente em educação para o trânsito, fiscalização tecnológica, planejamento urbano e integração entre os órgãos, Manaus continuará convivendo com um trânsito cada vez mais perigoso”, conclui.

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