Brasil registra saída de US$ 6,7 bilhões nos primeiros dias de setembro, aponta Banco Central

Movimento foi concentrado no canal financeiro, que acumulou retirada líquida de US$ 6,448 bilhões; apesar da saída recente, fluxo cambial do país permanece positivo em US$ 9,089 bilhões no acumulado de 2026

O Brasil registrou uma saída líquida de US$ 6,693 bilhões pelo mercado de câmbio nos primeiros dias de setembro, segundo dados preliminares divulgados nesta quarta-feira (9) pelo Banco Central. O resultado considera as operações realizadas até o dia 4 e mostra uma intensificação da retirada de recursos após agosto também terminar no vermelho.

A maior parte da saída ocorreu pelo canal financeiro, que apresentou saldo negativo de US$ 6,448 bilhões no período. Esse segmento reúne operações como investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucros e dividendos, além do pagamento de juros e outras movimentações financeiras.

Já o fluxo comercial, relacionado às operações de exportação e importação, teve impacto significativamente menor. O segmento apresentou saldo negativo de US$ 245 milhões nos primeiros dias de setembro.

Somados, os dois canais resultaram na saída líquida de quase US$ 6,7 bilhões do país.

Movimento se intensifica após agosto negativo

O resultado dá continuidade a um movimento observado em agosto. No mês passado, o fluxo cambial brasileiro ficou negativo em US$ 3,914 bilhões, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de entradas líquidas de recursos.

Na semana compreendida entre 31 de agosto e 4 de setembro, que inclui um dia do mês anterior, a saída foi ainda maior: US$ 7,511 bilhões líquidos.

Os números indicam uma pressão recente no mercado cambial, mas precisam ser analisados com cautela. Os dados de setembro abrangem apenas os primeiros dias do mês e são preliminares, referentes ao câmbio contratado.

Além disso, apesar das retiradas registradas em agosto e no início de setembro, o balanço de 2026 ainda permanece positivo.

Ano ainda acumula entrada de US$ 9 bilhões

No acumulado do ano até 4 de setembro, o Brasil registra entrada líquida de US$ 9,089 bilhões.

A composição desse resultado mostra comportamentos bastante diferentes entre os canais comercial e financeiro.

Desde janeiro, o fluxo financeiro acumula saída líquida de US$ 34,135 bilhões. No período, foram contabilizadas compras de US$ 466,705 bilhões e vendas de US$ 500,841 bilhões.

O desempenho do comércio exterior compensou essa retirada. O canal comercial acumula saldo positivo de US$ 43,225 bilhões em 2026, resultado de US$ 214,305 bilhões em exportações e US$ 171,081 bilhões em importações.

Ou seja, mesmo com uma retirada expressiva de recursos financeiros ao longo do ano, a entrada de dólares associada ao comércio exterior ainda mantém o fluxo cambial brasileiro no campo positivo.

Por que a saída de dólares importa?

O fluxo cambial funciona como um dos termômetros da movimentação de moeda estrangeira no país. Quando entram mais dólares do que saem, há, em princípio, uma maior oferta da moeda americana no mercado doméstico. Quando ocorre o contrário, a redução dessa oferta pode contribuir para pressionar a cotação do dólar — embora o câmbio também seja determinado por diversos outros fatores internos e externos.

A divulgação dos números ocorre justamente em um momento de maior tensão nos mercados internacionais. Nesta quarta-feira, o dólar ganhou força frente ao real e a outras moedas de países emergentes, enquanto o petróleo Brent voltou a superar a marca de US$ 100 por barril em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio.

O cenário externo aumenta a cautela dos investidores diante do risco de novas pressões inflacionárias globais. No mercado brasileiro, fatores domésticos também permanecem no radar, incluindo as expectativas em relação às eleições.

Nesse ambiente, o comportamento do fluxo financeiro ganha importância. Uma continuidade das retiradas de recursos pode ampliar a pressão sobre o câmbio, enquanto uma reversão nas próximas semanas pode indicar que a forte saída observada no início de setembro teve caráter pontual.

Por enquanto, os dados mostram dois movimentos simultâneos: uma retirada expressiva de dólares pelo segmento financeiro no curto prazo e, ao mesmo tempo, um saldo cambial ainda positivo no acumulado de 2026, sustentado principalmente pelas receitas provenientes do comércio exterior.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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