Iniciativas devem abordar transição energética, combate ao desmatamento e financiamento climático internacional; documentos serão apresentados na conferência climática na Turquia.
O Brasil prevê apresentar três documentos estratégicos durante a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), programada para ocorrer de 9 a 20 de novembro de 2026, em Antália, na Turquia. Entre as iniciativas está a elaboração de um mapa do caminho internacional para orientar a transição para longe dos combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural.
A proposta busca contribuir para o avanço das medidas de enfrentamento às mudanças climáticas e estimular a redução gradual da dependência de fontes de energia responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa. O documento deverá considerar as diferentes condições econômicas, energéticas e sociais dos países, sem estabelecer metas obrigatórias individuais.
Além da transição energética, a agenda brasileira inclui um documento voltado ao combate ao desmatamento e à degradação florestal. A terceira iniciativa trata do financiamento climático internacional, com foco na identificação de possíveis fontes de recursos para ampliar o apoio financeiro dos países desenvolvidos às nações em desenvolvimento.
A discussão sobre financiamento envolve a proposta de mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano para ações climáticas, incluindo medidas de adaptação, mitigação das emissões e transformação dos sistemas econômicos e energéticos.
Transição energética no centro das discussões
A elaboração do mapa do caminho para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis dá continuidade às discussões realizadas na COP28, em Dubai, em 2023. Na ocasião, os países aprovaram um compromisso relacionado à transição para longe dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos, de maneira justa, ordenada e equitativa.
O tema voltou a ganhar destaque nas negociações climáticas internacionais diante das dificuldades para alcançar consensos sobre a redução do uso dessas fontes de energia. A proposta brasileira busca organizar contribuições técnicas e políticas para apoiar a implementação dos compromissos climáticos existentes.
O documento deverá reunir informações sobre barreiras, oportunidades e condições necessárias para acelerar a transição energética. A abordagem reconhece que cada país possui uma realidade própria e precisará definir suas estratégias conforme suas circunstâncias nacionais.
Combate ao desmatamento e financiamento climático
Outro eixo da agenda é a construção de um mapa do caminho para interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. A iniciativa procura fortalecer a cooperação internacional para a conservação das florestas e a redução das emissões associadas à perda de cobertura vegetal.
O financiamento climático também permanece entre os principais desafios das negociações. Países em desenvolvimento defendem maior disponibilidade de recursos para implementar políticas ambientais, ampliar a adaptação aos impactos das mudanças climáticas e investir em tecnologias de baixo carbono.
A apresentação dos três documentos na COP31 deverá contribuir para dar continuidade aos compromissos assumidos no processo climático internacional. Os resultados dependerão, entre outros fatores, da cooperação entre governos, da disponibilidade de financiamento e da capacidade de transformar propostas em medidas concretas.

