Biojoias e artesanato amazônico conquistam novos mercados e ampliam visibilidade da floresta

O crescimento do interesse mundial pelos produtos da Amazônia tem ampliado a visibilidade do artesanato regional e fortalecido cadeias produtivas que envolvem comunidades ribeirinhas, indígenas e extrativistas. A avaliação é da artesã Rita Prossi, que há mais de 30 anos atua na produção de biojoias e artigos desenvolvidos a partir de matérias-primas da floresta.

Durante participação na EcoAmazônia, Rita destacou a importância de espaços que valorizam produtos sustentáveis e aproximam o público da riqueza cultural e econômica presente nos territórios amazônicos.

“Eventos como esse dão oportunidade para as Reservas de Desenvolvimento Sustentável e para as comunidades apresentarem seus produtos. É uma forma de mostrar a força da nossa produção e de toda a cadeia que existe por trás dela”, afirmou.

Segundo a artesã, seu trabalho está diretamente ligado às comunidades ribeirinhas e indígenas, responsáveis pelo fornecimento de sementes, fibras naturais e outros insumos utilizados na produção das biojoias e peças artesanais.

Ela explica que a atividade movimenta uma extensa cadeia produtiva que começa no interior do Amazonas e envolve diversas etapas até a comercialização final.

“Tem a pessoa que coleta a semente, quem transporta, quem beneficia o material, quem perfura as sementes e quem transforma tudo isso em arte. É uma cadeia que gera renda para muitas famílias”, ressaltou.

Rita lembra que, quando iniciou sua trajetória profissional, o conceito de biojoia ainda era pouco conhecido. Ao longo das últimas décadas, o setor cresceu, conquistou novos mercados e passou a ocupar espaço em discussões sobre bioeconomia, sustentabilidade e valorização dos saberes tradicionais.

“Quando comecei, ninguém sabia o que era biojoia. Foi um trabalho de muitos anos construindo mercado, formando mão de obra e fortalecendo essa cadeia produtiva”, recordou.

Para a artesã, a crescente atenção voltada para a Amazônia tem contribuído para ampliar oportunidades de negócios e abrir portas para que produtos da floresta alcancem novos públicos dentro e fora do Brasil.

O reconhecimento internacional também tem impulsionado a valorização do trabalho artesanal amazônico. Rita observa que elementos produzidos manualmente, como sementes, fibras naturais, bordados e peças inspiradas na cultura tradicional, vêm ganhando destaque em coleções de moda e design apresentadas em grandes centros internacionais.

“Hoje vemos a Amazônia sendo observada de uma forma diferente. Existe um interesse crescente pela nossa cultura, pelos nossos materiais e pela nossa forma de produzir”, destacou.

Recentemente, a artesã recebeu uma encomenda internacional para desenvolver peças inspiradas em referências indígenas destinadas a uma produção fotográfica no Brasil, exemplo que demonstra como o artesanato amazônico tem ultrapassado fronteiras.

Para Rita Prossi, o fortalecimento da bioeconomia passa necessariamente pela valorização das pessoas que vivem da floresta e transformam seus recursos em produtos com identidade, sustentabilidade e valor cultural.

“A Amazônia sempre teve essa riqueza. O que está acontecendo agora é que o mundo começou a olhar para ela com mais atenção”, concluiu.

 

Texto e foto: Beatriz Costa

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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